MULHER-MARAVILHA | CRÍTICA

Cinema, Variedades| Visitas: : 850

Você, que acompanha nossas críticas, aqui no LE|POP, já está mais do que careca de saber que há certas horas que preferimos esperar o hype de algumas obras cinematográficas (ou televisivas) passar pra só então nos manifestar sobre tais títulos. Com o tão aguardado longa MULHER-MARAVILHA não podia ser diferente.

Então, chega de embromação e vamos falar de Mulher-Maravilha. Não se preocupe (se ainda não assistiu ao filme), o texto a seguir não contém quantidade significativa de spoilers.

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A JUSTIÇA COMEÇOU COM ELA.

Se você ouviu o LEPOPCAST 18, nos ouviu comentar sobre a compra da WB pela AT&T e, que diferente da gestão da WB, a gestão da AT&T esperava resultados – rápido. Não só porque os fãs da DC Comics mereciam filmes de alto nível, mas também porque a empresa queria ver lucro e bons reviews da crítica mundial, visto que até então o único título do Universo Expandido DC (DCEU) que tinha conseguido tal façanha fora O Homem de Aço (Man of  Steel, 2013) e de lá pra cá só tivemos produções com problemas graves de edição (pra depois venderem versões estendidas), furos e mais furos de roteiro, ação sem motivação, clichês e mais clichês, pouco desenvolvimento de personagens… Tudo isso maquiado com efeitos visuais caríssimos e trilhas sonoras épicas, pra tentar disfarçar as inúmeras falhas da produção, tal como visto em Batman VS Superman e Esquadrão Suicida. E ao que parece a AT&T conseguiu acertar a mão e o tom que pode guiar os próximos filmes do DCEU.

MULHER-MARAVILHA traz às telas não apenas um novo fôlego aos fãs do DCEU, mas também faz justiça ao contar uma história tão importante de maneira tão simples. Cheia de momentos de encher os olhos, divertidos, impactantes, impressionantes e marcantes. Com alguns problemas de edição e um ou outro problema de pós-produção, é verdade, mas que mesmo assim não atrapalham a diversão do expectador.

MULHER-MARAVILHA nos apresenta a trajetória de uma guerreira amazona cheia de esperança e boas intenções e a descoberta de um novo mundo que esta se dispõe a proteger e resgatar das garras do deus da guerra, Ares. Também nos mostra os dilemas internos e até paradoxais de quem perde as esperanças na raça humana ao lutar em uma guerra, mas que ao mesmo tempo renova estas mesmas esperanças no ser humano por ver como os afetados pela guerra lutam para sobreviver, amar e manter a integridade moral.

Esse é um ponto que não vi nenhum crítico abordar e foi o ponto do filme que mais me chamou a atenção.

O longa trata de maneira muito humana a forma como Diana, princesa de Temiscira, descobre mais sobre si mesma, sobre os humanos, os deuses e a guerra.

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VOCÊ É MAIS FORTE DO QUE ISSO, DIANA!

Na trama, Diana nos é apresentada de uma forma muito diferente de boa parte das HQs que abordam seu início de jornada, ou mesmo a animação lançada em 2009 (Mulher-Maravilha), em que vemos uma Diana mais orgulhosa, com um “Q” de arrogância, misturado com a imaturidade de quem acha que tudo se resume a provar sua força a todo custo. Não, no loga temos uma Diana que, mesmo imatura em alguns aspectos, é movida pela esperança de um mudo melhor e pela fé nas pessoas de bom coração que mesmo vivendo sob circunstâncias extremas continuam a acreditar no bem. E talvez essa diferença tenha desagradado a quem rebaixou o filme.

É interessante salientar que Diana demonstra espanto com seus poderes no decorrer da história. Inclusive com sua força. O que evidencia que ela nunca havia visto algo do tipo entre as amazonas. Embora, na cena de batalha em Temiscira, se veja amazonas dando saltos longos e altos, arremessando alguns soldados alemães com chutes e golpes de lanças, nenhuma outra guerreira da ilha parece ter superforça. No máximo algo mais ou menos equivalente a força de alguns homens. Mas a nível de superforça, apenas Diana mesmo. Esse também é um ponto bastante controverso nas HQs da Mulher-Maravilha. Algumas colocam todas as amazonas no mesmo nível de força e poder que Diana, outras minimizam de um jeito ou de outro… Agora, o que nenhuma HQ ou animação se contradiz é que Diana é sem dúvida a guerreira mais habilidosa dentre as habitantes da Ilha-Paraíso. Isso também é bem retratado no filme.

Algo que sempre levantou questionamentos é como Diana consegue defender/ricochetear balas com seus braceletes (o que indica que ela é mais rápida que uma bala), mas ao mesmo tempo não ter uma esquiva tão eficiente em suas lutas. E isso, inclusive, é questionado por fãs das HQs, como este que vos escreve. Pois bem, e a resposta do filme para esse dilema é: nenhuma (risos).

Diana consegue acompanhar ocularmente a trajetória de balas, consegue se movimentar mais rápido que as mesmas, mas não se vale disso em suas lutas seja para ataque ou para esquiva (salvo cena quase ao final do longa – e também na luta contra o Apocalypse em Batman VS Superman). É como se fosse algo instintivo, um reflexo, do qual ela parece não apresentar total controle. Talvez, em filmes futuros, vejamos essa habilidade sendo explorada de maneira mais detalhada.

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EU JÁ MATEI COISAS DE OUTROS MUNDOS.

De maneira geral, filmes de ação passam pelo mesmo problema: as coreografias de luta e a coordenação motora dos atores nas cenas onde não há (ou não querem) dublês.É muito comum em cenas de luta a coreografia acabar parecendo com dança.

Infelizmente há certos trechos de MULHER-MARAVILHA, especialmente na batalha em Temiscira, em que as lutas parecem ser dançadas. Certos movimentos ficaram exagerados, num plano de sequência e enquadramento que não condizem com uma cena de luta – como foi o caso das coreografias passadas à atriz Robin Wright, que interpreta a general Antiope. Há certas horas que você não sabe se ela está se preparando para um ataque ou para um Demi Plié.

O interessante disso, por mais estranho que possa parecer, é que, de certa forma, percebe-se certo grau de intencionalidade na forma “dançada” de lutar das amazonas, porém não se vê Diana sendo adepta de tal “estilo” de luta, mesmo tendo sido treinada extensa e intensivamente por Antiope – o que é no mínimo curioso, já que os movimentos de Diana são mais brutos, secos, diretos, sem firulas. Se foi algo realmente proposital, apenas a diretora Patty Jenkins e a equipe que coreografou as lutas sabem de fato e até o momento não houve comentário sobre o assunto por parte de ninguém envolvido no projeto. Aguardemos.

 

ACHO QUE VOCÊ NUNCA CONHECEU UMA MULHER COMO EU.

MULHER-MARAVILHA, definitivamente, traz um novo tom aos filmes de heróis, principalmente por não poupar grandiosidade, mesmo para cenas que se esperaria menos impacto. Tomadas épicas, câmeras lentas, explosões, tensão… Tudo bem estruturado de forma a manter o espectador numa imersão constante nas batalhas e na descoberta dos poderes da princesa de Temiscira.

A fotografia é de encher os olhos. Itália, Inglaterra e França tiveram suas paisagens muito bem selecionadas para compor os cenários por onde a história se passa.

Há certos problemas técnicos, porém, com as cópias 3D. Elas não funcionam bem nos cinemas. A tela fica bagunçada e os objetos nas cenas não se “colam” de maneira adequada. Isso acaba sendo um problema inclusive para as cópias 2D. Como nem todo o filme é rodado em 3D, as cenas-chave que deveriam ficar boas em ambos os formatos acabam destoado a composição. Acarreta problemas de perspectiva, problemas no chroma key e há certas horas que as camadas de color grading não casam entre atores e/ou objetos em cena e o cenário em questão.

Outro ponto que não pode ser esquecido de mencionar é que, de novo, há problemas de edição no longa. Particularmente acho que isso já está virando clichê em Hollywood. Embora em proporção muito menor do que os erros apresentados em Batman VS Superman e Esquadrão Suicida, ainda há problemas de corte em MULHER-MARAVILHA. Há cenas em que se percebe a falta de uma continuidade (tanto prévia como posterior) e o roteiro evidencia isso muito bem. Resta saber se numa possível versão estendida teremos acesso a essas cenas.

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ELA TÁ COM VOCÊ?

Is She With You? é o nome da faixa musical épica que faz parte da trilha sonora composta por Hans Zimmer e Junkie XL para o longa Batman VS Superman, que é também a música tema da Mulher-Maravilha. Foi basicamente a última contribuição do mestre Hans Zimmer antes de se aposentar para as composições de filmes de heróis.

A dupla já havia trabalhado para outros títulos da DC como na Trilogia Cavaleiro das Trevas (Nolan) e também em O Homem de Aço.

Zimmer, em entrevista, disse que para compor a trilha que seria o tema da MULHER-MARAVILHA queria dar um ar mais feminino. Que fosse impactante e única. “Que, de certa forma, soasse como o grito de uma Banshee”.

Após uma série de experimentos Zimmer convidou sua amiga Tina Guo, uma violoncelista extremamente talentosa, para dar vida à composição com seu cello elétrico.

Porém a música tema da maior heroína da DC Comics não entra em cena antes de uma hora e dezessete minutos de filme rodado. A princípio isso me preocupou e causou certa estranheza, mas logo entendi a proposta do compositor Rupert Gregson-Williams, que quis auxiliar na atmosfera de descoberta e amadurecimento da personagem desde sua infância determinada e sorridente até o seu momento áureo, quando enfrenta os soldados alemães. É naquele instante em que Diana percebe o que é estar em uma guerra e o peso da responsabilidade de proteger vidas inocentes. É nesse instante que ecoa o grito da Banshee. Foi uma sacada de gênio.

Um adendo, entretanto, é que a música que ouvimos nessa cena não é mais Is She With You? e sim No Man’s Land (Terra de Ninguém), que é inspirada na obra composta por Zimmer e XL.

Como amante de música – e pretenso pianista que sou, vou fazer um post especial sobre as curiosidades por trás da música tema da Mulher-Maravilha. Para este, porém, vou deixar apenas as obras citadas.

 

 

VEREDITO

MULHER-MARAVILHA reacende a chama nos fãs da DC e traz um pouco de esperança aos que esperam por bons filmes do DCEU contendo mais do que só efeitos e músicas; mas que também tenham uma trama bem desenvolvida, mesmo que simples, que sejam impactantes por terem bons roteiros, sem furos, com produção e pós-produção que se preocupem em contar uma história e não apenas em cumprir minutagem.

MULHER-MARAVILHA, mesmo com certos problemas técnicos, além de garantir diversão ao expectador nos transporta ao início de uma jornada daquilo que pode ser algo muito maior: a realização do Universo Expandido DC nos cinemas, que é o sonho de todo fã das HQs da DC Comics – como este que vos escreve.

 

FICHA TÉCNICA

Título Original: Wonder Woman
Lançamento: 01 de Junho de 2017
Direção: Patty Jenkins
Argumento e Roteiro: Allan Heinberg, Zack Snyder, Jason Fuchs
Mulher-Maravilha é uma personagem criada por William Moulton Marston

Elenco: Gal Gadot (Diana Prince), Chris Pine (Steve Trevor), Connie Nielsen (Hippolyta), Robin Wright (Antiope), Danny Huston (Ludendorff), David Thewlis (Sir Patrick), Saïd Taghmaoui (Sameer), Ewen Bremner (Charlie), Eugene Brave Rock (Chefe), Lucy Davis (Etta), Elena Anaya (Dra. Maru), Lilly Aspell (Diana Prince – 8 anos), Lisa Loven Kongsli (Menalippe), Ann Wolf (Artemis), Ann Ogbomo (Philippus).

Mas e você, leitor(a) do LE|POP? Qual seu veredito sobre MULHER-MARAVILHA? Deixe aí nos comentários.

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não do filme.

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  • Ceos333

    Ótima crítica, a respeito da música que também fiquei pensando: onde está a música tema dela que não aparece. Porém, quando ela surgi eu quase dei um pulo foi muito bem encaixada. Mas não percebi, diferente dos outros filmes que surgiram desse universo, os “cortes de edição”, para mim foi bem fluído, exceto naquela viagem, Temisera Londres, que passagem de cena tosca.

    • Lepopblog

      Vlw, Ceos!
      Muito obrigado pelo comentário e pelo elogio.

      Acredito que até o final da semana que vem o post comentando as particularidades da música da Mulher-Maravilha já deva ir ao ar.

      – AVISO AOS DEMAIS LEITORES: ABAIXO CONTÉM SPOILERS-

      Sobre a questão dos cortes:
      É difícil explicar sobre eles (na crítica) sem dar spoiler. Mas não são difíceis de perceber. Um deles, por exemplo, está na hora em que Diana está prestes a liberar sua ira, pouco antes do sacrifício do Steve Trevor. Há uma hora que os companheiros do Trevor (Charlie, Sameer e o Chefe) começam a enfrentar os soldados alemães pra impedirem que as bombas sejam carregadas. Diana olha pra eles, que estão escondidos atrás de algumas caixas enquanto trocam tiros com os alemães. Nessa hora, os amigos de Trevor ficam sem munição. Charlie, o sniper, vira para os demais e pergunta se algum deles ainda tinha munição. Todos respondem que não. Eles se juntam e começam a fazer uma presse conforme os alemães avançam.

      A questão é que quando a comitiva da Diana chega na “Terra de Ninguém”, Charlie não consegue dar um disparo sequer. Diana ainda questiona Sameer se Charlie realmente era um atirador. Ou seja, um drama foi criado sobre algo do passado de Charlie que o impede de atirar novamente, ou o deixa inseguro quanto a eficácia de sua pontaria. Percebe? Em nenhum momento (daí pra frente) o longa mostra Charlie atirando, vencendo seus traumas pra poupar a vida de seus companheiros naquela missão, mas do nada a cena mostra justo ele pedindo munição para os demais. Consegue perceber? Houve um corte aí. Provavelmente há uma tomada, nessa cena, em que Charlie toma coragem e atira.

      O detalhe é que esse é apenas UM dos pontos a qual me refiro na crítica. Há mais momentos como este ao longo do filme – nem tantos como nos demais citados na crítica, mas há sim. Só que vou te deixar curioso agora pra encontrar. Hahahahahahahaha (E sim, não é zoeira).