BGS10 | ENTREVISTA COM DANILO TOMAZ DO BLACK IRIS

Games, Variedades| Visitas: : 202

Outra surpresa muito agradável que com certeza “roubou a cena” na área indie da BGS10 nesse ano foi trazida pela Hexa Game Studio e se chama Black Iris. Tivemos a oportunidade de conversar com um dos desenvolvedores no próprio estande do estúdio durante o evento. Danilo Tomaz, responsável pelo level & environment design (design de fases e ambientações, em tradução simples) conversou sobre o game e o mercado indie no Brasil conosco e trouxemos um pouco desse bate-papo pra você conferir!

Black Iris - Entrevista - lepop

LEPOP – Boa tarde! Estamos hoje com o Danilo Tomaz da Hexa Game Studio, pra conversarmos um pouco sobre essa obra que está causando alvoroço entre os fãs de jogos “Souls-Like”. Então nos diga Danilo, o que é o Black Iris?

DANILO – Boa tarde! Bem, o Black Iris primeiramente é o primeiro jogo do nosso estúdio, passando já por 1 ano e 7 meses de desenvolvimento de game e de estúdio consequentemente. Black Iris é um Action-RPG bem influenciado pela série Souls, com aspectos que podem lembrar games como Devil May CryBloodborne, e cenários fantasiosos inspirados até mesmo no universo de Tolkien em O Senhor dos Anéis. E como todo bom RPG temos um sistema de level-upbosses (chefões), sistema de combate diferenciado… Então é um jogo bem completo dentro do escopo do que um indie pode oferecer. E conforme estamos apresentando aqui na BGS o pessoal vem dando um feedback positivo, curtindo a jogabilidade e a dificuldade do game.

Black Iris - Entrevista - lepop

LEPOP – Ah sim, logo enquanto andávamos aqui pela área indie vimos de longe a demonstração do jogo em uma das telas e brincamos: “Ok, alguém fez um novo Dark Souls“. Mas o que gostaríamos de saber é, como surgiu a ideia, a concepção para o Black Iris? Foi um meio de saciar a sede dos fãs da saga Souls depois da From Software e do Miyazaki anunciarem o fim da série, ou tem algo mais por trás?

DANILO – Sim, uma das razões com certeza foi essa, na época em que estávamos decidindo sobre o jogo a ser produzido a From Software já havia anunciado o fim da sequência Souls. Mas assim como a gente, muitos outros notaram esse buraco no mercado e pensaram no mesmo que nós, e a fama tamanha da série acabou por popularizar um nome a esse gênero, o tal “Souls-Like”, ou seja o que não falta são competidores nessa linha.

No entanto, outro motivo é o gosto dos demais colaboradores por esse tipo de jogo mais hardcore, por esse estilo de franquia, então chegamos à conclusão “vamos unir o útil ao agradável, e fazer esse primeiro game exatamente do jeito que a gente gosta.”. E a partir daí entender o que o Souls tem a oferecer, e encaixar isso dentro do que um indie pode oferecer e divertir o jogador.

 

LEPOP – E apesar de toda essa referência à franquia criada por Miyazaki, o Black Iris tem uma essência própria e sistemas inovadores que pudemos notar durante nossa gameplay, certo?

DANILO – Claro! Diria que o principal diferencial é o combate que se baseia em um sistema de sword-change” onde cada espada adquirida durante o gameplay pode ser trocada em tempo real em meio aos combates, e cada uma garante uma skill (magia ou poder) diferente. Esse sistema em certos trechos do game também contribui para a dificuldade, porque às vezes pode ser necessária a troca de espadas diversas vezes em um pequeno espaço de tempo.

LEPOP – Algo muito interessante que notamos é a incrível mobilidade, a fluidez e naturalidade que o Black Iris proporciona, isso em conjunto a um sistema de action-RPG que é bem responsivo, o que por sinal era o que mais deixava a desejar em Demon’s Souls.

Mas agora mudando um pouco de assunto Danilo, sobre o mercado indie no Brasil, podemos afirmar que a cada ano a Indie Area da Brasil Game Show fica maior, mas mesmo assim existe ainda um certo preconceito por parte do público que visita o evento, prova disso é o fluxo de pessoas e o interesse delas nos grandes estandes tradicionais.

A questão é: Acha que estamos em um turning point exatamente agora, ou que vamos precisar de mais uns bons anos pro público brasileiro começar a notar não só os indies mas a indústria brasileira de jogos?

DANILO – Acredito sim que estamos em um turning point exatamente agora, diversos fatores podem provar isso. O primeiro deles é que agora o governo dá algum incentivo para essa área, de editais de prefeituras até estaduais, até mesmo federais com a própria ANCINE (Agência Nacional do Cinema), esses editais já premiaram nos últimos 18 meses diversas empresas, contemplaram cerca de 30 com valores consideráveis.

E é isso que falta pro desenvolvedor indie começar a fazer algo que siga o caminho dos tripleways, pra atrair público, porque é cara a ferramenta, é caro o profissional, o processo de desenvolvimento como um todo. Portanto, a qualidade vai começar a vir por conta desse incentivo também.

O jogador brasileiro quer jogar um jogo brasileiro, mas tem que ser bom, tem que se mostrar valer, tem que bater de igual com os grandes de lá. Não adianta produzir qualquer game, porque o player que acabou de jogar um projeto que envolveu milhares de pessoas, várias horas de gameplay e um vasto cenário, vai chegar aqui pra jogar num estande indie e vai ficar “É… Tá faltando algo aqui.”

O bom é que isso tá mudando, além de todo o incentivo, as engines como a Unreal Engine 4Unity agora são gratuitas, e todas ferramentas delas também, o que acaba favorecendo muito os produtores dos mais diversos setores aqui da área indie.

E o quanto antes esperamos ver do lado de lá um grande tripleway brasileiro, lotado e chamando atenção assim como os estandes da Sony (Playstation) e da Microsoft (Xbox).

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LEPOP – Assim esperamos! E voltando a falar do Black Iris, agora sobre um conceito que vem sendo bem abordado em diversos indie games que é o lado artístico. Diversos jogos, ainda mais os dessa indústria pouco fomentada, apelam para a interação emocional e artística com o jogador além de todo o entretenimento que possa vir a causar. Gostaríamos de saber se o Black Iris tem essa visão diferenciada também, e como isso reflete em quem interage com ele?

DANILO – Então… Para evitar comentar muito sobre a história e o enredo, podemos dizer que a personagem principal tem uma motivação específica pra sua jornada, porém no começo ainda não se lembra de quase nada e é durante sua campanha que detalhes relativamente “pesados” psicologicamente, começam a ser revelados tanto à personagem quanto ao jogador.

A trama se desenvolve num ambiente dark e tem plots que visam desestruturar o psicológico do jogador. Mesmo que o game não se trate de um terror pra fazer isso, Black Iris utiliza da sua alta dificuldade pra tornar o player instável, e assim facilitar a “entrada” da ambientação na cabeça de quem interage com a obra.

Black Iris - Entrevista - lepop

 

LEPOP – Muito interessante essa premissa, usar de uma situação extrema pra facilitar a interação, parece um pouco sádica, mas combina muito com a premissa do jogo. A dúvida que fica agora é, quando, como e por quanto poderemos usufruir dessa obra de arte?

DANILO – Black Iris vai estar disponível no início de 2018, em meados de fevereiro ou março. Vai ser lançado em mídia digital oficialmente pra PS4PC por enquanto, e o preço? Bom… Não sabemos exatamente mas algo em torno de US$ 19,99 para ambas plataformas, sendo vendido pela Playstation Store e pela Steam.

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LEPOP – E é isso aí! Muito obrigado pela conversa Danilo, esperamos ansiosamente por esse lançamento que vai ser um sucesso com certeza! Agora vamos lá apanhar mais um pouquinho pra ver se conseguimos zerar essa demo que está bem desafiadora…

DANILO – Obrigado pessoal do LEPOP! Não deixem de acompanhar o trabalho do nosso estúdio pela página no Face @HexaGameStudio!

O que é o Black Iris?

Black Iris é um jogo Action RPG inspirado em Dark Souls, The Witcher e Devil May Cry que está sendo desenvolvido no motor gráfico Unreal Engine 4.

Iris, a protagonista do jogo, está em um mundo caótico dominado por monstros, demônios e criaturas sobrenaturais. Seu único objetivo é sobreviver para recuperar suas memórias e descobrir a razão de sua existência.

Por se tratar de um game difícil, o jogador enfrentará inimigos extremamente poderosos e precisará de perseverança para dominar as mecânicas que a personagem possui e assim conseguir finalizá-lo.

Onde Black Iris se passa? A resposta é… HERA

O mundo em que se passa a história de Iris chama-se HERA, um mundo distante dominado por entidades com poderes inimagináveis conhecidos como Aspectos. Cada Aspecto tem um poder tremendo de um elemento em específico como gelo, fogo, luz, sombra…

A única forma dos Aspectos viverem no mundo de HERA é utilizando do poder vital dos seres vivos, assim, em troca de poderes relacionados ao seu elemento, fazem contratos com humanos e criaturas que buscam poder.

Trailer do Game:

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