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A GRANDE DAMA DO CINEMA | CRÍTICA

Uma atriz excepcional e muito narcisista; um ator ruim, paraplégico e inocente; um diretor de cinema muito sagaz e um roteirista bastante desconfiado. Todos na terceira idade, vivendo sob o mesmo teto por anos, prestes a confrontarem um jovem e ambicioso casal de pilantras de uma mega imobiliária. Essa é a trama de A GRANDE DAMA DO CINEMA.

Há um bom tempo eu não assistia a uma Comédia Dramática tão interessante quanto A GRANDE DAMA DO CINEMA. E tampouco vi um filme do gênero envolver como este. Vamos à crítica?

Como de costume, o texto a seguir não contém quantidade significativa de spoilers.

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– NÃO… EU SOU UM PÉSSIMO ATOR, NÃO TENHO TALENTO NENHUM.
– ELE É O DIRETOR.

A Comédia Dramática, em si, é um gênero que pouco se explora na atualidade pela complexidade de se combinar ambos os extremos, o drama e a comédia. Não é tão simples trabalhar a quebra de expectativa (característica de uma comédia) mantendo bons momentos reflexivos, tensos, tristes e até pesados (característica de um drama). Mas o diretor JUAN JOSÉ CAMPANELLA o faz de maneira bem afortunada.

Durante toda a narrativa, o expectador é presenteado com situações envolventes e diálogos bastante precisos, que dão o tom certo aos momentos certos. E isso faz com que o terceiro ato, ainda que absurdo – sob certa ótica –, seja a cereja do bolo dessa obra do cinema argentino.

A GRANDE DAMA DO CINEMA é uma refilmagem de LOS MUCHACHOS DE ANTES NO USABAM ARSÉNICO, de 1976. E garante boas risadas bem como bons momentos dramáticos.

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– NÃO PODE COMER TANTO DE NOITE, MARA.

A GRANDE DAMA DO CINEMA é um filme de baixo orçamento, com uma história simples sobre amizade, doninhas, contratos e segredos. Sendo tudo isso muito bem arranjado na teia de JUAN JOSÉ CAMPANELLA.

MARA ORDAZ (Graciela Borges) é uma atriz aposentada que sonha em reviver os dias de glória e badalação dos filmes e amor dos fãs. PEDRO DE CÓRDOVA (Luis Brandoni) é um ator aposentado, praticamente sem talento, que ficou paraplégico após um acidente de carro. É casado com MARA e completamente apaixonado por ela. Sob o mesmo teto ainda estão NORBERTO IMBERT (Oscar Martínez), um ex-diretor de cinema, muito observador e um nato caçador de doninhas. E por último, MARTÍN SARAIVA (Marcos Mundstock), ex-roteirista, entusiasta da sinuca e desconfiado por natureza.

Embora amigos de longa data, a vida debaixo do mesmo teto não é tão benquista por todos. MARA está cansada de dividir a mansão e quando se depara com lábia perigosamente adocicada dos figurões do mercado imobiliário FRANCISCO GOURMAND (Nicolás Francella) e BÁRBARA OTAMENDI (Clara Lago), vê a oportunidade de se livrar da situação em que se encontra.

Todos os personagens têm suas características muito bem exploradas em A GRANDE DAMA DO CINEMA, com diálogos bastante coesos dentro da proposta. Com um destaque especial a MARTÍN, interpretado por Mundstock, que faz diversos contrapontos engraçados e interessantes entre as situações decorridas no longa e as similaridades com as obras cinematográficas.

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-SE MINHA MÃE VÊ ISSO, ELA MORRE NOVAMENTE.
– OH, AGRADEÇA ELA POR MIM.

A simplicidade da história de A GRANDE DAMA DO CINEMA é, de longe, o maior aliado do enredo. Porque justamente por ser um plot tão simples, não se espera muita coisa do desenrolar da trama. E é exatamente aí que o expectador é surpreendido.

A GRANDE DAMA DO CINEMA é um crescendo contínuo. Imersivo e divertido a cada nova cena. Ato após ato. E com um terceiro ato muito bem bolado.

Todo o tom de humor é muito bem balanceado com o drama vivido pelos personagens. Deixando o público intrigado, envolvido… Diversas vezes jogado dentro do mar de sentimentos que circunda cada personalidade da obra.

Há pontas soltas na narrativa? Sim, poucas. Mas não chegam a interferir a experiência de quem se propõe a assistir a película. Tampouco diminuem o resultado final de A GRANDE DAMA DO CINEMA.

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VEREDITO

Simples, inteligente, divertida e envolvente, A GRANDE DAMA DO CINEMA é uma produção que entrega o que foi prometido de maneira bastante honesta. Uma Comédia Dramática bem estruturada, com ótimas atuações e uma narrativa muito boa.

Se você é fã de Comédias Dramáticas, A GRANDE DAMA DO CINEMA é uma boa opção de entretenimento. Agora, se você não é fã desse gênero cinematográfico, mas teve sua curiosidade aguçada com este texto, dê uma oportunidade ao trabalho de JUAN JOSÉ CAMPANELLA e vá assistir ao filme. Talvez possa ser uma experiência muito boa.

Veredito 4 - BOM

FICHA TÉCNICA

Título Original: El Cuento de las Comadrejas
Lançamento: 16 de maio de 2019
Direção: Juan José Campanella
Roteiro: Juan José Campanella
Trilha Sonora: Emilio Kauderer

A Grande Dama do Cinema é uma refilmagem do clássico argentino setentista Los Muchachos de antes no usabam Arsénico.

Elenco: Graciela Borges, Oscar Martínez, Luis Brandoni, Marcos Mundstock, Clara Lago, Nicolás Francella, Maru Zapata.

Trailer:

Trailer oficial "A grande dama do cinema" - 16 de maio nos cinemas

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não do filme. Então, conta pra gente o que você achou nos comentários.

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.