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A HORA DA SUA MORTE | CRÍTICA

Quinn Harris é uma jovem aspirante a enfermeira que perdeu a mãe recentemente. Focada em crescer profissionalmente e seguir sua vida em um novo local, longe de sua família, Quinn, em um de seus plantões, se depara com um paciente que fala de um aplicativo que mostra exatamente dia e hora da morte de quem instala o programa em seu celular, alegando que sua namorada morreu exatamente no instante em que o cronômetro zerou. Após bastante relutância e descrença, Quinn decide instalar o app por curiosidade. É então que sua vida passa a virar um verdadeiro inferno com visões, perseguições sobrenaturais e uma luta contra o relógio para sobreviver. Este é o Plot de A HORA DA SUA MORTE, Suspense de Terror que estreia hoje, 27 de fevereiro, nos cinemas brasileiros. Estrelado por Elizabeth Lail, escrito e dirigido por Justin Dec.

Antes de começar a analisar qualquer ponto negativo a respeito de A HORA DA SUA MORTE, realmente preciso dizer que fui surpreendido pelo filme. Ainda mais porque Trailers dificilmente me enganam. Tenho um olho clínico bastante cirúrgico pra analisar Trailers e ver se a produção vai ou não ser boa. E dessa vez o Trailer me enganou, porque eu não esperava que o filme fosse, de fato, entreter da maneira como fez. Foi uma grata surpresa, em vários aspectos. História bastante dinâmica, sem enrolações, trama envolvente, apesar de simples, boa evolução de acontecimentos. Muito boa construção de perigo, entrega de medo e algumas sacadas muito, mas muito, mas muito boas com diversos clichês que fizeram todas as cenas previsíveis se tornarem únicas e aceitáveis. Tudo corria bem… Até me tocar de um detalhe: a forma caricata, cartunesca que vários dos personagens são estabelecidos, especialmente aqueles que detinham as respostas e/ou o conhecimento necessário para que Quinn Harris, a protagonista, pudesse solucionar seu problema.

Nesta crítica vamos abordar os pontos altos e baixos de A HORA DA SUA MORTE e discorrer como o desbalanceamento de Alívios Cômicos pode fazer com que um filme comece muito bem… Mas termine médio.

Como de costume, o texto a seguir não contém quantidade significativa de spoilers.

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-ESSE APP… É CLARO QUE ELE É FAKE.
-A MINHA NAMORADA DISSE A MESMA COISA.

Previsibilidade não é necessariamente um problema quando o assunto é Terror. E se tem um título que prova isso, este título é A HORA DA SUA MORTE. Repleto de cenas e situações previsíveis, clichês e mais clichês, mas ainda assim funcional na enorme maioria das proposições da película. O que nos leva a pergunta: Como?

Como um título que é estruturado de maneira tão batida consegue usar a previsibilidade a seu favor? Como Justin Dec, diretor e roteirista da obra, consegue ambientar tomadas inteiras de maneira a fazer o espectador pensar “Tá, vai acontecer tal coisa. Até parece que eu vou levar um susto”, e mesmo assim o susto vem, assusta e te deixa “bravo” por ter levado o susto mesmo o vendo chegar? Como Dec consegue isso? A resposta é um tanto quanto óbvia pra alguns, mas não para todos: Dec é, muito provavelmente, um grande fã de Alfred Hitchcok. E a maior prova disso não está na maneira como o diretor estabelece o Terror, mas sim como estabelece o Suspense.

Alfred Hitchcock não foi considerado O Mestre do Suspense à toa. Hitchcock fez questão de masterizar a arte de construir Suspense, porque acreditava que era uma das maneiras mais efetivas de fazer a audiência deixar de ser apenas um participante passivo na trama – por estar meramente observando os fatos, mas passar a ser um integrante ativo, que mergulha nos acontecimentos, que quer interagir com os personagens, quer entrar na cena e gritar “olha atrás de você, seu imbecil desgraçado!”, “cuidado!”, “por tudo o que é mais sagrado, não entra aí!”, “será que você não tá vendo o que vai acontecer, cacete?!”. Isso por um motivo: informação prévia.

Um dos Gatilhos Mentais mais poderosos que existe é o da Antecipação. E embora na época de Hitchcock os estudos a respeito dos Gatilhos Mentais ainda não tivessem iniciado, certamente Hitchcock sabia que antecipar informação dava ao público uma benção (saber o que viria a seguir) e uma maldição (não poder fazer nada a respeito). Com isso, é possível diferenciar “Choque” de “Suspense”.

Em uma conversa entre duas pessoas, por exemplo, que dure ali seus cinco minutos de cena, uma bomba explodindo do nada deixa a audiência em Choque. O problema é que essa sensação tende a durar apenas alguns segundos. Mas se pegarmos a mesma cena da conversa entre as mesmas duas pessoas e mostrarmos que antes delas chegarem alguém plantou e armou essa mesma bomba, programando para explodir dali cinco minutos, o que se tem é uma tensão constante, crescente, angustiante de cinco intermináveis minutos de conversa mais o impacto emocional da explosão. E o curioso disso é que o Choque da explosão agora é maior e mais impactante. Isso é Suspense. É exatamente isso que Justin Dec faz vez após vez em A HORA DA SUA MORTE.

Dec antecipa a informação de maneira bastante sutil em A HORA DA SUA MORTE, como quem sabe exatamente aonde quer chegar. Concomitantemente, o diretor não é apressado em dar logo o impacto do susto. Ele brinca com a plateia, arquitetando aos poucos a sensação de ameaça inevitável, fazendo o público perceber que é impossível se esconder daquela entidade que persegue os protagonistas, entregando gradativamente aquele frio na barriga crescente de ver os personagens sendo encurralados, sem escapatória. O que é muito efetivo. Porque mesmo não sendo um longa escatológico, cheio de mutilações e afins, ainda assim, esse esmero de Dec em estabelecer um bom Suspense compensa em muito, da mesma forma que agrega no todo, seja aterrorizando, seja preocupando. É por esse motivo que os clichês funcionam tão bem em A HORA DA SUA MORTE, pois quem assiste fica tão imerso pelo Suspense que mesmo vendo o susto vir ainda se assusta.

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-O QUÊ? DOIS DIAS?

Certo, agora que abordamos um ponto fortíssimo de A HORA DA SUA MORTE que faz o filme valer a pena, que prende atenção, entrega ótimas decisões da parte do diretor e roteirista, é hora de falar das péssimas decisões da parte do diretor e roteirista. Porque chega a ser curioso como alguém que consegue estruturar tão bem o Suspense, consiga também, no mesmo filme, esfarelar completamente a atmosfera de perigo, medo e incerteza. Tudo isso por um motivo: Alívios Cômicos. Sendo mais preciso e honesto, o completo desbalanceamento do uso de Alívios Cômicos.

 Alívios Cômicos existem, como o próprio nome descreve, para quebrar a tensão momentaneamente. Pois quando se tem tensão, drama, suspense, medo ou mesmo ação estendidos por muito tempo, isso passa para a audiência a sensação que a história não está chegando a lugar nenhum, que está se perdendo. Por isso, Alívios Cômicos são recursos comumente vistos nas produções cinematográficas. E quando bem arquitetados, fazem com que o espectador não ache que a história não está indo pra canto algum. Na verdade, quando bem estruturados, os Alívios Cômicos sequer são percebidos de imediato na história. É… Quando bem estruturados. O problema, entretanto, é que quando são mal executados, fazem a história destoar de um jeito incrível, esmigalhando completamente a ambiência série que está sendo construída. E pior: fazem com que o foco principal da narrativa não seja mais o drama, o medo, o suspense, a tenção ou mesmo ação. Não, quando um Alívio Cômico é mal feito ele rouba toda a atenção pra si. Causando uma baita confusão na cabeça de quem assiste a película. E essa confusão é exatamente o que acontece em A HORA DA SUA MORTE.

Vez após vez, em A HORA DA SUA MORTE, o espectador dá de cara com Alívios Cômicos tão forçados e caricatos que quebram completamente o andamento do filme. Na verdade, não só o andamento, mas também a imersão. E custa bastante para o enredo voltar a prender a atenção de quem assiste. Curiosamente, depois de fazer das tripas coração para trazer a audiência pra dentro da história outra vez, mais e mais Alívios Cômicos desbalanceados se dão. É como se houvesse um esforço memorável pra fazer o enredo ser levado a sério, só pra depois fazer piada da seriedade. O que leva agora a questionar: Por quê?

Qual o motivo de construir tão bem o Suspense pra logo em seguida jogar ele fora? Qual o sentido de criar situações tão sérias pra no instante seguinte estabelecer personagens mais cartunescos que o próprio Jar Jar Binks? E pior: por que dar a esses personagens cartunescos justamente a responsabilidade de poder solucionar o problema central do longa? Não faz o menor sentido. É como se basicamente, de uma hora pra outra, o filme não se levasse a sério. Na verdade é pior: é como se o filme não se decidisse se vai ou não se levar a sério.

A gangorra da seriedade de A HORA DA SUA MORTE causa frustração, porque você, enquanto espectador, não consegue entender como é possível em um instante estar tudo indo tão bem, tão imersivo, tão contagiante… E no instante seguinte você ser arremessado a quilômetros de distância da história.

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-O QUE TÁ ACONTECENDO COM A GENTE, EU ACHO QUE É POR CAUSA DESSE APP.

Outro ponto a salientar em A HORA DA SUA MORTE é um problema de ação da entidade que atormenta as pessoas que instalam o aplicativo em seus celulares.

A trama estabelece que aqueles que estão próximos de morrer começam a ser molestados, importunados, assombrados por um demônio chamado Ozhin. E quanto mais perto do horário da morte, maiores e mais constantes são os tormentos. Como se Ozhin quisesse que o desespero de suas vítimas as guiasse até seus braços.

Curiosamente, há uma pessoa que só começa a ser afetada por Ozhin já no final do Segundo Ato, quase que ao início do Terceiro. O problema é que esta pessoa já havia instalado o app bem antes e até então não tinha sofrido um tormento sequer. O que não faz sentido.

Esse pequeno descuido mais parece um improviso. A cena inteira da única tribulação dessa pessoa parece ter sido improvisada, ou mesmo escrita de última hora. Quase que como se de uma hora pra outra o diretor se desse conta de que sua entidade não tinha pregado nenhuma peça à essa outra personagem.

Em suma, A HORA DA SUA MORTE é uma produção que não te promete muita coisa no Trailer, então te convence de que o Trailer te enganou e que na verdade você vai assistir a um bom filme de Terror, mas decide te colocar numa gangorra onde hora você tem uma boa história de Terror, hora você tem um bando de personagens e situações tão cartunescas que sequer se lembra de estar assistindo a um Terror, infelizmente.

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VEREDITO

Confuso, dinâmico, hora bem escrito, hora mal escrito, com uma proposta simples que tinha tudo para dar certo, mas que infelizmente bateu na trave diversas vezes, A HORA DA SUA MORTE é um filme que começa não te prometendo muito, depois te faz acreditar que vai receber esse muito, mas acaba por te entregar apenas um “razoável”.

Repleto de pontos altos que poderiam ter sido ainda melhor explorados para estruturar a história de maneira ainda mais sólida, A HORA DA SUA MORTE infelizmente vem na contramão e escolhe entregar ao público um Terror que hora se leva a sério, hora não.

A HORA DA SUA MORTE já está em cartaz nos cinemas brasileiros.

FICHA TÉCNICA

Título Original: Countdown
Lançamento: 27 de fevereiro de 2020
Distribuição: Diamond Films
Direção: Justin Dec
Roteiro: Justin Dec
Trilha Sonora: Sonora: Danny Bensi, Saunder Jurriaans
Edição: sem informações divulgadas
Cinematografia: Maxime Alexandre

Elenco: Elizabeth Lail, Jordan Calloway, Talitha Eliana Bateman, Peter Facinelli, Dillon Lane, Tichina Arnold, Tom Segura, Lana McKissack, Anne Winters, Matt Letscher, P.J. Byrne, Valente Rodriguez, Louisa Abernathy, Charlie McDermott, Jonny Berryman, Cornell Adams, John Bishop, Allen Zwolle, Chuck Filipov, Jeannie Elise Mai, Ramsay Philips, Britt Rentschler, Candice Daniels, Marisela Zumbado, Nathan Moore, Anne McCarthy, Christina Pazsitzky, Brian Tran, Alexander Dominguez, Lisa Linke, Andrea Anders, John Barbolla, Sammi Hanratty, Zackry Colston, Willow Hale, Mariano ‘Big Dawg’ Mendoza, Kevin William Paul, Dirk Rogers, David Sturgeon, Austin Zajur

Trailer:

A Hora Da Sua Morte | Trailer dublado | 27 de Fevereiro nos Cinemas

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não do filme. Então, conta pra gente o que você achou nos comentários.

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.