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A ÚLTIMA LOUCURA DE CLAIRE DARLING | CRÍTICA

A mente humana às vezes prega peças. Peças tão críveis e tangíveis que causam confusão aos nossos sentidos. Muitas vezes até fazendo ter certas premonições. Visões, confusões mentais tão reais e constantes que levam a crer que um belo dia de verão possa ser o seu último. Essa é a premissa de A ÚLTIMA LOUCURA DE CLAIRE DARLING.

Um drama compassado, onde ato após ato, uma atmosfera de angústia e solidão é construída à medida que o passado trágico da protagonista é exibido em resposta às situações presentes. Entretanto, A ÚLTIMA LOUCURA DE CLAIRE DARLING tem um desfecho que pode não agradar, mesmo ao público fã de dramas com finais de quebras de expectativa.

Isto dito, vamos à crítica? Lembrando, é claro, que o texto a seguir não contém quantidade significativa de spoilers.

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– O QUE ESTÁ VENDENDO EXATAMENTE?
– TUDO.

A ÚLTIMA LOUCURA DE CLAIRE DARLING é um drama francês que tem data de estreia prevista para 01 (primeiro) de agosto de 2019 nos cinemas brasileiros. A história acompanha a idosa CLAIRE DARLING (Catherine Deneuve), que teve uma vida opulenta, mas infeliz. Casamento, filhos, convívio social… Todas essas esferas de sua vida foram marcadas de acontecimentos funestos. E agora CLAIRE enfrenta alucinações e um presságio de que aquele primeiro dia de verão pode ser seu último.

Determinada a defrontar seu destino, CLAIRE decide por todos os móveis e pertences pessoais à venda na garagem de sua mansão. Tão logo surgem vizinhos se digladiando pelos objetos subvalorizados da antiquaria.

A venda, embora fincada na pequena aldeia de Verderonne, atraiu a atenção de muitos moradores de outras localidades da França, inclusive MARIE DARLING (Chiara Mastroianni), sua filha, de quem não tinha contato há vinte anos.

A partir daí a narrativa tece um pingue-pongue entre passado e presente, elucidando fatos ocorridos com a família DARLING conforme as personagens passam por determinadas localidades. Como se suas memórias as levassem para acontecimentos que marcaram suas vidas naqueles mesmos locais anos atrás, mas que agora voltam a assombrá-las com novos eventos.

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– VOCÊ ESTÁ BEM, SENHORA DARLING?
– NÃO, MAS OBRIGADA POR PERGUNTAR.

Muito embora flashbacks sejam artifícios bastante comuns no cinema e sejam uma boa maneira de firmar decisões presentes de um ou mais personagens baseadas em situações passadas, em A ÚLTIMA LOUCURA DE CLAIRE DARLING os flashbacks às vezes ficam confusos, porque a informação de que aquilo agora é um flashback não é passada ao público. Não há o que demonstre aos expectadores que certos acontecimentos estão no passado, isso porque o elenco adulto (no presente), diversas vezes, interage com suas versões mais jovens (no passado), causando estranheza. Certos flashbacks são bem orquestrados, é verdade, mas há outros que causam desarranjo com a narrativa.

E por falar em narrativa, esta deve ser elogiada – apesar do problema com os flashbacks. A história tem coerência entre começo, meio e fim, muito embora a construção do desfecho seja pouco empolgante. Mas ainda assim é um desfecho e, de certa forma, serve bem ao seu papel.

A construção dos atos de A ÚLTIMA LOUCURA DE CLAIRE DARLING é muito boa e tem um crescendo envolvente, mesmo com o problema do desfecho.

A ÚLTIMA LOUCURA DE CLAIRE DARLING é um drama que se passa em um dia, mas dá ao público o acesso há mais de 20 anos de ocorrências de forma ritmada, sem lançar um caminhão de informações do nada.

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MAMÃE? O QUE ESTÁ FAZENDO? POR QUE ESTÁ TUDO LÁ FORA?

A qualidade das atuações de A ÚLTIMA LOUCURA DE CLAIRE DARLING é um ponto muito, muito alto do longa. As interpretações de Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni (como mãe e filha respectivamente) são muito tangíveis.

Uma curiosidade, que talvez possa ser um dos motivos de tão boa química entre as atrizes é que Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni realmente são mãe e filha na vida real.

Catherine Deneuve foi casada com o ator Marcello Mastroianni, falecido em 1996 da consequência de um câncer no pâncreas. A união dos atores teve como fruto Chiara Mastroianni.

Voltando a falar da química entre mãe e filha, não é nenhuma novidade no cinema atrizes e atores contracenando com seus filhos. Isso vem sendo explorado tanto em blockbusters como no cinema alternativo já há muitos anos. Mas nem sempre funciona tão bem.

Em A ÚLTIMA LOUCURA DE CLAIRE DARLING, a parceria entre mãe e filha é muito afortunada e contribui bastante para o crescimento da história. É muito bem construído o problema de relacionamento entre as personagens, a dificuldade de diálogo, o desentendimento constante entre mãe e filha, as tentativas frustradas de ambas se entenderem… Tudo muito humanizado e bem fundamentado.

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– HOJE É MEU ÚLTIMO DIA.
– ÚLTIMO DIA DE QUÊ?
– DA MINHA VIDA, MEU AMOR. DA MINHA VIDA.

A ÚLTIMA LOUCURA DE CLAIRE DARLING é uma adaptação do livro Faith Bass Darling’s Last Garage Sale, de Lynda Rutledge. E, claro, há situações no longa que não ocorrem na obra literária.

A diretora e roteirista JULIE BERTUCCELLI foi apresentada ao livro por meio de uma amiga que viu certa semelhança. O fato de ser colecionadora, gostar de vendas de garagem, o complexo relacionamento entre mãe e filha e outras particularidades da trama.

JULIE adotou uma mescla de visão pessoal com o desenrolar de Faith Bass Darling’s Last Garage Sale e adicionou certar ocorrências que não fazem parte da história original, mas que conversam bem com o trabalho de Lynda Rutledge.

A acumulação e a colecistite aguda têm um significado profundo na psicanálise. É uma maneira de banir a morte, como se colecionar itens fosse um gigantesco quebra-cabeça sem fim, onde uma nova peça pode render mais tempo de vida.

Isso dá ao roteiro de A ÚLTIMA LOUCURA DE CLAIRE DARLING um ótimo argumento para um drama auspicioso, onde uma colecionadora abre de mão de seus pertences e abraça sua premonição de que aquele pode ser seu último dia de vida.

Mas para saber o desfecho da história você vai precisar ir aos cinemas a partir de 01 (primeiro) de agosto.

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VEREDITO

Tocante, intimista, com uma construção de desfecho não tão afortunada como os demais atos da trama, mas com atuações muito boas, A ÚLTIMA LOUCURA DE CLAIRE DARLING é um filme que aborda a aceitação da morte de maneira singela e leva o expectador em uma jornada de solidão e redenção bastante humanizada.

Mesmo com certos problemas de corte e na apresentação de alguns flashbacks, A ÚLTIMA LOUCURA DE CLAIRE DARLING consegue entregar ao público uma boa experiência imersiva e reflexiva.

Veredito 4 - BOM

FICHA TÉCNICA

Título Original: La Dernière Folie de Claire Darling
Lançamento: 01 de agosto de 2019
Direção: Julie Bertuccelli
Roteiro: Julie Bertuccelli, Marion Doussot, Mariette Désert, Shopie Fillières

A Última Loucura de Claire Darling é uma datação do livro Faith Bass Darling’s Last Garage Sale, de Lynda Rutledge.

Elenco: Catherine Deneuve, Chiara Mastroianni, Alice Taglioni, Laure Calamy, Samir Guesmi, Olivier Rabourdin, Johan Leysen, Colomba Giovanni, Simon Thomas, Mona Goinard, Joseph Flammer, Lewine Weber-Monfort, Amine Mejri, Julien Chavrial, Angèle Meunier-Bertuccelli, Sarah Chaumette, Valentin Dériaud, Yasin Houicha, Morgan Niquet, Jérémy Beuvin, Anne Benoît, Frédéric Kunze, Gilles Albertini, Stéphane Vasseur, Asmahan Guesmi-Bory, Malorie Coppé, Tybalt Coppé, Sébastien Leclerc, Alexis Mast, Jean-Pierre Duart, Anaëlle Hallet, Anthony Malbert, Joëlle Saminnadin, Nourredine Belhadj, Jacques Chartier, Alexandra Royan, Nicole Bussy, Gaël Payet, Magdalena Vincente, Loreley Werdyn, Michèle Clément, Xun Liang, Lucia Nocentini, Sandrine Villemard.

Trailer:

A Última Loucura de Claire Darling

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não do filme. Então, conta pra gente o que você achou nos comentários.

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.