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AQUAMAN | CRÍTICA

Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que pelo timing eu não iria redigir essa crítica – sim, eu só consegui assistir AQUAMAN agora -, mas como pretendo escrever um texto sobre os furos do longa (que não são poucos), achei por bem fazer algumas considerações prévias, e nada melhor do que uma crítica para isso. Sem falar que você, leitor, já ficou instigado a aguardar pelo texto sobre os erros do filme do rei de ATLÂNTIDA.

– Dois coelhos com uma cajadada.

Mas não se engane AQUAMAN não é de todo ruim, muito pelo contrário. Embora com problemas, a película é divertida e tem lá seu grau de valor. É sobre isso que se trata este texto.

Antes de partirmos para a crítica propriamente dita, é sempre bom relembrar que o texto a seguir não contém quantidade significativa de spoilers. Isto dito, bora lá!

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NÓS PRECISAMOS DE ÁGUA. VOCÊ É A ÚNICA FONTE PRÓXIMA.

ARTHUR CURRY, o Meta-Humano que governa o trono da cidade de ATLÂNTIDA, escondida nos oceanos, finamente ganhou seu longa protagonizado pelo brucutu JASON MOMOA, repleto de cenas de ação (algumas muito boas, outras nem tanto), uma cinematografia de tirar o fôlego e um color grading belíssimo, muito embora não apresente uma história envolvente ou empolgante.

Aliás, é bom deixar bem claro que “história empolgante” e “cenas de ação empolgantes” são coisas bem distintas. E AQUAMAN é uma produção que deixa isso bem claro. Porque por mais que as lutas, perseguições, explosões, câmeras lentas e tomadas grandiosas encham os olhos, a trama não é imersiva e impactante o suficiente pra manter o expectador com a atenção cativa durante os 143 minutos do título. Na verdade, por diversas vezes, a atenção se perde ao longo da narrativa porque a mesma apresenta conflitos pífios e soluções fajutas vez após vez. Especialmente em ocasiões onde tal não poderia acontecer em hipótese alguma – como convencer um exercício inteiro a parar de guerrear com um discurso vazio.

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EU PODIA TER MIJADO NESSA COISA.

JASON MOMOA é o carisma em pessoa e consegue segurar bem os momentos engraçados e pancadaria em AQUAMAN. Contudo, o carisma de MOMOA não sustenta os momentos dramáticos da trama, que acabaram tendo um tom cômico travestido de sombrio pra tentar contrabalançar o problema, mas não conseguem.

O roteiro ainda peca em mostrar um ARTHUR CURRY, em certos momentos, culto, inteligente, fluente em diversos idiomas, interessado em história antiga… Enquanto, de contrapartida, em diversos outros momentos, completamente alheio a essas mesmas coisas. Apático.

Sem falar que há situações que aludem a COMO TREINAR SEU DRAGÃO – sim, eu tô falando muito sério. E nem vou mencionar a atmosfera de A LENDA DO TESOURO PERDIDO. Sério.

Por outro lado, nas sequências que compõem a batalha final de AQUAMAN, MOMOA basicamente consegue carregar o clímax da ação sozinho. E isso não é desmerecer o trabalho dos demais atores, é apenas comprovação de um fato. Entretanto, o terceiro ato de AQUAMAN ainda assim é chocho. Mesmo com a entrega de MOMOA na peleja final, o roteiro abraça soluções ínfimas pra estabelecer a conclusão da trama e enfim apresentar o herdeiro de ATLÂNTIDA como novo rei.

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ACHA QUE NÃO É DIGNO PRA LIDERAR PORQUE É DE DOIS MUNDOS DIFERENTES. MAS É EXATAMENTE POR ISSO QUE É DIGNO.

MERA, vivida pela atriz AMBER HEARD, também é um ponto alto do enredo de AQUAMAN. Mesmo tendo sofrido mudanças estruturais, a personagem tem boa presença e certa importância na história. E aqui é bom deixar bem claro que me refiro a “certa importância”, porque MERA também é “agraciada” com resoluções fracas, cenas desnecessárias e motivações sem relevância.

E agora, você, leitor, me pergunta como alguém pode ser um ponto alto de um enredo se sua personagem está atrelada a “resoluções fracas, cenas desnecessárias e motivações sem relevância”? Não é difícil de responder. Na verdade é bem fácil: HEARD segura bem as cenas de ação de sua personagem e consegue fazer funcionar muito bem a parceria porradeira com MOMOA. HEARD ainda tem lá certo carisma nas cenas cômicas – certo carisma.

Mas mesmo porradeira e momentaneamente divertida, HEARD não foi presenteada com uma personagem melhor estruturada. MERA está munida de frases sem impacto e motivações pra lá de questionáveis que vou abordar melhor no texto de erros do longa. Por hora basta saber que AQUAMAN nos apresenta uma MERA contida em certos aspectos, desnecessária em alguns outros, mas funcional nos demais, de maneira geral.

Isso não chega a ser uma exclusividade. A fórmula se repete por todo o elenco de AQUAMAN. Rainha ATLANNA (NICOLE KIDMAN), VULKO (WILLEM DAFOE), Rei ORM (PATRICK WILSON), Rei NEREUS (DOLPH LUNDGREN), ARRAIA NEGRA (YAHYA ABDUL-MATEEN II)… E por aí vai.

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UM REI LUTA APENAS POR SEU REINO. VOCÊ LUTA POR TODOS.

A frase acima soa familiar, não é? E não me refiro ao fato de você já ter assistido AQUAMAN e se lembrar da citação. Não. Definitivamente não é esse o motivo de eu ter escolhido essa citação como abertura de um novo assunto nos próximos parágrafos. Na verdade foi por uma semelhança irônica.

A frase acima foi dita a ARTHUR CURRY por ninguém menos que sua mãe, a Rainha ATLANNA, momentos antes do instante decisivo na vida do protagonista. Acontece que uma frase similar – SIMILAR – foi dita a outro herói da DC COMICS também por sua mãe num momento decisivo: SUPERMAN, em O HOMEM DE AÇO. E é curioso ver como essa frase é duplamente empregada aqui pra aludir novamente a um herói que pertence/luta por dois mundos, como também ao herói que marca o Ponto Zero no Universo Cinematográfico DC, pois se você chegou a acompanhar as notícias e entrevistas durante a fase de produção de AQUAMAN deve se lembrar que por diversas vezes o título foi descrito como “um novo marco zero para o universo DC”. Marco Zero este que se deu em O HOMEM DE AÇO.

Se isso foi proposital ou não eu não posso afirmar; mas proposital ou não, foi uma colocação infeliz por reciclar uma frase de efeito atribuída a outro herói do mesmo universo cinematográfico pela mera casualidade de “lutar por dois mundo”, com a diferença de que ARTHUR CURRY defende “mundos” coexistentes e por direito é o herdeiro legítimo de um trono.

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– EU SOU ATLANNA, RAINHA DE ATLÂNTIDA.
– EU SOU THOMAS, O FAROLEIRO.

AQUAMAN, ainda tem um problema grave, a trilha sonora. Ela não casa com a maioria das cenas, em especial as de ação. Há certos trechos no filme que não empolgam o espectador justamente pela ausência de impacto por parte da trilha sonora de, acredite ou não, Rupert Gregson-Williams, que já foi previamente elogiado na crítica de MULHER-MARAVILHA e mencionado no texto que escrevi sobre a trilha sonora de MULHER-MARAVILHA.

Isso prova que nem sempre se acerta todas. Muito embora Gregson-Williams não seja o compositor da icônica IS SHE WITH YOU? Tema de MULHER-MARAVILHA, ele foi o responsável por criar toda a atmosfera do longa da amazona a partir da composição de Hans Zimmer e Junkie XL, tarefa nada simplória que concluiu com maestria. Mas em AQUAMAN Gregson-Williams deixa muito a desejar.

O compositor parece não ter se preocupado com ritmo, cadência, emoção… Há momentos em que a trilha abraça as cenas com perfeição, é verdade, mas esses momentos são poucos.

Tudo isso, todos esses problemas, nos evidenciam algo de extrema importância: todos são problemas de direção. É o diretor quem revisa o roteiro, é o diretor quem explica para o compositor como quer a trilha sonora, quais caminhos o compositor deve tomar, é o diretor quem dá a palavra final sobre a coreografia de uma cena de ação, sobre a cinematografia e tudo mais. Ou seja, tudo passa pelo crivo do diretor. E nesse caso JAMES WAN deixou a desejar.

Vou demonstrar isso com mais detalhes no texto sobre os furos de AQUAMAN, então é só aguardar.

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PERMISSÃO PARA SUBIR A BORDO?

Mesmo com os problemas relatados até aqui e os que você ainda vai ler no próximo texto sobre AQUAMAN, a película, por incrível que pareça, garante diversão, inclusive a espectadores chatos, como este que vos escreve.

Planos abertos lindíssimos com corres vivas, intensas e marcantes. Tomadas grandiosas… Aliás, definitivamente os pontos máximos de AQUAMAN são cor e cinematografia. Provando ser possível fazer um filme da DC COMICS com cores de saltar os olhos sem perder a identidade sombria e submundana típica da DC.

Inúmeras vezes as cores de AQUAMAN são um verdadeiro show a parte e preenchem os olhos com louvor – sim, pro Color Grading roubar a cena e te fazer esquecer que está assistindo a um filme de herói… É porque a história não é lá tão marcante assim.

Tá, alguns efeitos visuais são bem esquisitos, mas outros funcionam muito bem. A maioria das cenas aquáticas feitas em CGI realmente impressiona, com uma riqueza de detalhes que espanta.

Parte das tomadas de ação são boas, com boa fluidez e fazem sentido no todo da trama. Já  outras são desnecessárias, sem ritmo e se perdem no contexto geral da narrativa.

Na prática, AQUAMAN é uma gangorra que oscila entre certas tecnicidades bem aproveitadas e outra nem tanto.

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VEREDITO

Porradeiro, colorido, explosivo, pouco envolvente e com uma trilha sonora que nem sempre ajuda, AQUAMAN não chega a ser um marco épico no currículo da DC/WB. Embora tenha sido um bom arrecadador para os cofres da WB, o título não oferece nada de novo ao público e ainda peca em certos momentos na forma como entrega o já conhecido mais do mesmo.

Ainda assim AQUAMAN consegue divertir o público mais pelo carisma de JASON MOMOA do que pela narrativa em sim.

E se você prestou atenção nessa crítica, percebeu que todos os pontos fortes do filme são aspectos técnicos ligados à pós-produção, não à  história em si. Isso diz muito.

FICHA TÉCNICA

Título Original: Aquaman
Lançamento: 13 de dezembro 2018
Direção: James Wan
Roteiro: David Leslie Johnson-McGoldrick, Will Beall
Argumento: Geoff Johns, James Wan, Will Beall

Aquaman é uma criação de Paul Norris e Mort Weisinger e pertence ao universo das HQs da DC Comics.

Elenco: Jason Momoa, Amber Heard, Willem Dafoe, Patrick Wilson, Nicole Kidman, Dolph Lundgren, Yahya Abdul-Mateen II, Temuera Morrison, Ludi Lin, Michael Beach, Randall Park, Graham McTavish, Leigh Whannell, Tainui Kirkwood, Tamor Kirkwood, Denzel Quirke, Kaan Guldur, Otis Dhanji, Kekoa Kekumano, Julie Andrews, John Rhys-Davies, Djimon Hounsou, Andrew Crawford, Sophia Forrest, Natalia Safran, Micah Ohlman, Jack Andrew, Frankie Creagh-Leslie, Sophia Emberson-Bain, Ilya Melnikoff, Hank Amos, Kyryl Koltsov, Patrick Cox, Luke Owen, Robert Longstreet, Devika Parikh, Sonny Le, Jon Fabian, Mabel Tamone, Rita Dinardo, Anthony Standish, Nicolette Bianca, Victor Leto, Vincent B. Gorce, Gabriella Petkova, Oriana Iacono, Pearl Grantham, Noa Tsuchiya, Alice Lanesbury, Nicolas Bosc, Joshua Levinson, Henri Aasamae, Patrick Atchison, Will Bergman, Brendan Byrne, Leo Castro, Tahlia Jade Holt.

Trailer:

Aquaman - Trailer Oficial #1 [DUB]

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não do filme. Então, conta pra gente o que você achou nos comentários.

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.