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AS RAINHAS DA TORCIDA | CRÍTICA

Martha (Diane Keaton) é uma mulher de setenta e poucos anos que vem tratando de um câncer há algum tempo. Cansada de lutar pela vida, decide se mudar para Sun Springs, uma comunidade de idosos, e ter ali seus últimos dias. Porém, ao chegar lá tem a ideia de fundar um grupo de líderes de torcida de mulheres na terceira idade para reviver seus bons momentos e se divertir com as novas amizades. Dispostas a se redescobrirem e enfrentarem os desafios da aceitação alheia e pessoal essas novas amigas vão entender o valor do companheirismo e reencontrar a beleza de viver. Esse é o plot de AS RAINHAS DA TORCIDA, Comédia Dramática estrelada por Diane Keaton e Jacki Weaver que chega aos cinemas amanhã, dia 25 de julho.

AS RAINHAS DA TORCIDA é um filme que transmite uma bonita mensagem de autoestima, superação e vontade de viver. Mas apresenta alguns problemas que acabam não fazendo o título atingir seu potencial máximo.

Nesta crítica vamos discorrer sobre os entraves de AS RAINHAS DA TORCIDA e também demonstrar os acertos dessa obra divertida.

Como sempre, o texto a seguir não contém quantidade significativa de spoilers.

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– TEMOS TUDO O QUE PRECISAR. MAIS DE CEM CLUBES. MAS O QUE TROUXE VOCÊ A SUN SPRINGS?
– AH… EU SÓ TÔ AQUI PRA MORRER.

AS RAINHAS DA TORCIDA é um filme divertido e até tocante, em certo grau. Com uma proposta interessante, mas que não funcionou tão bem por dois motivos: atuações forçadas e pouco aprofundamento de certos personagens importantes para o todo da trama.

Começando com as atuações, o que se tem em AS RAINHAS DA TORCIDA é basicamente um padrão no comportamento das idosas que integram o time. Todas são igualmente desajeitadas e, com exceção de Sheryl (Jacki Waver), igualmente inseguras sobre si mesmas, sobre suas habilidades motoras… É como se cada uma fosse cópia da outra. Além disso, há inconsistências na forma de todas elas agirem.

Quando as futuras líderes de torcida da comunidade vão se apresentar para a seleção de Martha e Sheryl, por exemplo, é visível o quão forçadas as atuações ficaram em expressar trejeitos desajeitados, sorrisos exagerados, danças propositalmente mal executadas… Tudo muito na cara, sem a menor fluidez ou preocupação de parecer realmente desengonçadas. No caso de Martha é ainda pior, pois AS RAINHAS DA TORCIDA tem como abertura a protagonista vendendo seus pertences antes de se mudar para Sun Springs, onde fica claro que Martha é uma mulher segura, de passos firmes, movimentação precisa, bem articulada, eloquente. Ela não tropeça, não gagueja, não demonstra risinhos tímidos, não tem dificuldade de se expressar tanto verbal quanto fisicamente. Mas ao pisar em Sun Springs tudo isso é jogado por terra. Martha começa a ter expressões exageradas, fala embaralhada, movimentação atrapalhada, tropeça daqui, esbarra de lá, se assusta acolá… E isso não ocorre em função do câncer. É claramente uma tentativa forçada de fazer o público rir dos gestos estabanados de senhorinhas tentando ser descoladas. O que acaba evidenciando um problema da direção, porque o elenco é bom.  AS RAINHAS DA TORCIDA traz no elenco: Diane Keaton, Jacki Weaver, Célia Weston, Rhea Perlman, Pam Grier, Carol Sutton, Phyllis Somerville, Patricia French, Karen Beyer e ainda tem o Bruce McGill. Quer dizer, não é qualquer elenco. É um time bastante experiente que, em sua maioria, já atuou nos mais diversos gênero cinematográficos, da comédia pastelão ao terror. Todos têm muita bagagem. Só que quem dá a última palavra sobre a forma de interpretar é sempre a direção, no caso a diretora Zara Hayes.

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Outro problema está no ensaio das desportistas da terceira idade. Na hora de passarem pela seleção, embora tenham demonstrado trejeitos exagerados, nenhuma esboçou dificuldade articular. Mas curiosamente ao iniciar o primeiro ensaio todas elas – literalmente todas – apresentaram problemas de saúde. Quem mais agachou na audição, exibiu dores nos joelhos durante o ensaio. Quem mais ergueu os braços, sofre de bursite. Quem deu pulinhos, tem problemas nos calcanhares… E por aí vai. Se em algum momento entre a preparação para a audição das senhoras e o primeiro ensaio o roteiro tivesse mostrado as candidatas tendo de enfrentar suas limitações físicas pelo gosto de viver e vontade de se superar, esse comportamento seria aceitável, plausível. Mas o roteiro não mostra.

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– OI! ESTÁ SE MUDANDO? EU ESPERAVA QUE VOCÊ FOSSE UM HOMEM. NÃO SE TEM MUITAS EREÇÕES POR AQUI.

Há três personagens em AS RAINHAS DA TORCIDA que são tratados de forma superficial. O curioso é que embora sejam secundários, seus papeis são importantes para certas tomadas de decisões no longa. Eu me refiro a Cloe (Alisha Boe), Helen (Phyllis Somerville) e Tom (David Maldonado). Se estes fossem construídos como secundários deixando claro para o público que não fazem tanta importância para a história, ok. O problema é que são personagens menores que têm peso no rumo do enredo. E quando se dá pouca profundidade a esse tipo de personagem os rumos tomados pelo plot ficam rasos.

Helen faz parte das lides de torcida de Sun Springs. É empolgada com o grupo, sempre presente nos ensaios. Mas em um desses ensaios tem uma torção feia no tornozelo direito e acaba ficando numa cadeira de rodas para se recuperar. É aí que entra Tom, filho de Helen. Tom é apresentado como o típico babaca que quer o dinheiro da mãe para si e não quer deixar a idosa curtir a vida sossegada. Inclusive arruma confusão com as pretensas animadoras de torcida por mais de uma vez. E nesse meio tempo somos apresentados a Cloe, uma jovem que está à frente do grupo de líderes de torcida de um colégio local. Cloe acaba se tornando a coreógrafa do grupo da terceira idade após ter sido babaca com as senhoras, causado uma humilhação bem grande a elas.

Agora vamos aos problemas com cada um, que na verdade é basicamente o mesmo: o bom e velho “Show, Don’t Tell (Demonstre, Não Diga) que já foi abordado algumas vezes em outras críticas aqui no LEPOP.

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Helen e Tom não têm sua interação sendo mostrada para o público. Ou seja, o roteiro te DIZ que Tom é um escroque que quer o dinheiro da mãe e que não liga pra ela. Só que de contrapartida o mesmo roteiro mostra Tom cuidando de Helen e preocupado que o grupo de torcedoras seja algum tipo de golpe para pegar o dinheiro da mãe. E tanto isso é verdade que na cena em que Tom confronta Martha a esse respeito o Chefe de Polícia do local, Chefe Carl (Bruce McGill) confirma para Martha que de fato há inúmeros grupos de atividades para idosos em Sun Springs que aplicam golpes financeiros em seus membros. Em nenhum momento de AS RAINHAS DA TORCIDA se vê Tom desrespeitando Helen, sendo violento com ela, tendo conversas escusas com a esposa sobre como vão torrar o dinheiro da velha… Nada. Quer dizer, estão te dizendo que Tom é um aproveitador, mas não te mostram isso. Entretanto, de fato, há sim uma cena em que Tom age de forma parva, mas por conta de sua construção rasa até essa cena fica sem ter o peso dramático que poderia ter atingido.

O problema de construção do relacionamento entre Helen e Tom se estende ainda a outro ponto, quando nossas protagonistas resolvem levar Helen à força para uma competição de líderes de torcida. Só que Helen ainda estava em sua cadeira de rodas e sob a vigilância de Tom. Mas quando elas conseguem resgatar a amiga e partem em direção ao concurso, ver Helen dar o dedo médio para Tom também soa chocho, justamente porque o roteiro não te mostra o que ela passa nas mãos do filho, como ele a destrata, como ela lida com a situação… Nada.

Cloe acaba causando problemas para as idosas e se redime de um segundo para o outro. Num instante, Cloe as tem como adversárias, afinal Cloe é uma atleta nata, no auge de sua vitalidade e juventude, enquanto elas são apenas “velhas ridículas“. E então, no instante seguinte, Cloe e as aspirantes a líderes de torcida viram Best Friends Forever e a jovem chega a largar o time do colégio para ser a coreógrafa oficial das senhoras. O curioso, porém, é que o enredo te DIZ que Cloe amava ser líder de torcida, nunca se atrasou, nunca faltou a um ensaio… E do nada, quando ela abandona a equipe que tanto amava, não se vê tristeza, dúvida, mágoa… Mais uma vez, o texto te DIZ, mas não te MOSTRA.

Vale ressaltar que este mesmo problema de DIZER e NÃO MOSTRAR é corriqueiro em AS RAINHAS DA TORCIDA. Ocorre ainda mais vezes com outras personagens, inclusive com Martha.

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– BOA FRATURA.
– BOA GRAVIDEZ.

Falando agora dos pontos altos de AS RAINHAS DA TORCIDA, algo que vale destacar logo de cara é Sheryl, a personagem de Jacki Weaver. Boca suja, matreira, com resposta na ponta da língua pra tudo, corajosa, sempre envolvida em atividades ilícitas às normas de Sun Springs e nem um pouco preocupada com as consequências disso, mas acima de tudo com um coração enorme. É basicamente uma versão feminina e desbocada do nosso querido Agostinho Carrara. Sem mencionar que é praticamente impossível não rir do humor ácido de Sheryl ou de suas respostas afiadas. Ela rouba a cena toda vez que aparece.

O ritmo de AS RAINHAS DA TORCIDA também vale a pena ser mencionado, porque apesar dos problemas descritos anteriormente, o longa não é arrastado, tedioso ou estacado. Pelo contrário, AS RAINHAS DA TORCIDA tem uma dinâmica muito boa e consegue prender a atenção do público sem grandes dificuldades. A história é leve e consegue imergir o espectador logo de cara.

Mesmo com todos os contratempos mencionados nos parágrafos anteriores, AS RAINHAS DA TORCIDA não é um filme ruim. Pode não ser incrível, mas ruim não é. É uma película comedida em diversos aspectos, mas que passa uma bonita mensagem de superação, aceitação, boa vontade e acima de tudo: valorização da vida.

A mensagem de AS RAINHAS DA TORCIDA de fato teria sido melhor transmitida se os entraves descritos não pesassem de forma tão negativa. Entretanto, é um conjunto bonito de boas intenções. Pode não ser um COCOON (1985) ou um MEU PAI, UMA LIÇÃO DE VIDA (1989), mas definitivamente AS RAINHAS DA TORCIDA é uma Comédia Dramática com uma bela mensagem.

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VEREDITO

Engraçado, contido, com atuações exageradas, alguns dramas rasos, mas também leve e divertido, AS RAINHAS DA TORCIDA é uma produção que apresenta problemas que ofuscam aquilo que o enredo poderia ter atingido de melhor. Mesmo com uma proposta louvável, AS RAINHAS DA TORCIDA acaba não impactando e nem saindo a linha da média.

Com um elenco muito bom, porém não tão bem dirigido, AS RAINHAS DA TORCIDA careceu de melhor planejamento na construção dos personagens para ser a perfeita combinação da comédia com o drama, sendo divertida e tocante. Mas no caso, acabou por ser mais divertida do que tocante.

Você pode conferir AS RAINHAS DA TORCIDA nos cinemas a partir de amanhã, 25 de julho.

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FICHA TÉCNICA

Título Original: Poms
Lançamento: 25 de julho de 2019
Direção: Zara Hayes
Roteiro: Zara Hayes, Shane Atkinson
Trilha Sonora: Deborah Lurie

Elenco: Diane Keaton, Jacki Weaver, Celia Weston, Alisha Boe, Charlie Tahan, Rhea Perlman, Phyllis Somerville, Pam Grier, Patricia French, Ginny MacColl, Carol Sutton, Bruce McGill, Alexandra Ficken, David Maldonado, Karen Beyer, Sharon Blackwood, Afemo Omilami, Frank Hoyt Taylor, Suehyla El-Attar, Jessica Roth, Angela Mitchell Kronenberg, Annie Jacob, Jacqueline Clay Chester, John Atwood, Robert Larriviere, Leon Lamar, Dorothy Steel, Charles Green, Bobby Akers, Joshua Allen, Kathi Binkley, Austin Blackburn, Victoria Blade, Chuck Clark, Maxwell Highsmith, Jasmine Holloman, John Paul Kakos, Deeivya Meir, Ken Melde, Mike O’Loughlin, Kevin Petruski Jr., Henardo Rodriguez, Alejandra Stack, Wesley Williams

Trailer:

As Rainhas da Torcida | Trailer Legendado | Breve nos Cinemas

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não do filme. Então, conta pra gente o que você achou nos comentários.

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.