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LEPOP - CRONICANDO - O DIÁRIO DO BARDO - PARTE II

CRONICANDO | O DIÁRIO DO BARDO – PARTE II

Ah… Mais uma noite adentro desse antro da perdição. A dor de cabeça estonteante é o preço que se paga por longas noites de prazer. Mas sempre vale a pena, sempre vale…

Nessa noite conheci uma bela dama, que apesar de ter me custado uma boa quantia de moedas – que fique claro que por eu ter pago diversas bebidas como cortejo a ela. Parece que me arrumou ótimas informações para me fazer valer de mais uns dias por aqui.

Uma noite lá, outra acolá. Esse tipo de mulher sempre conhece algum nobre, e essa em específico – Vanessa. Teve um caso com o próprio príncipe. Detalhe que poderia ser somente mais um pequeno caso de pequenos reinados, se não fosse o fato que o jovem ainda nem pode ser chamado de adulto.

E aliás, o caso tem nome e tempo: Ricardo, o bastardo. Deve completar umas quatro primaveras hoje em dia.

E lá fui eu, cara lavada, ainda com um certo teor de álcool pelo corpo e um forte odor de cabaré pelas vestes amarrotadas. Caminhando em direção à praça, naquelas feiras que ocorriam todos os dias durante o pico do sol.

Algumas boas conversas com lábia e moedas, sempre atraem mais informações, e com informações é possível ganhar mais e mais moedas. Afinal, pra que caçar tesouros se posso fazê-los virem até mim?

Certo. O garoto só tem 15 invernos, e pelo que dizem as más línguas, o Rei e a Rainha sabem disso e tentam encobrir tudo com influência e jantares abarrotados de comidas e músicas extravagantes. Nessas horas penso se ainda me lembro das belas canções da época do colégio.

Agora era preciso pensar, como soltar essas informações de maneira que eu ganhe um convite ao invés de noites na prisão?

Retornei então ao que muitos consideram um prostíbulo, já eu, no auge de minha insensatez, chamo de “ponto de paz”. Uma ou outra taça de vinho e lá estava ela novamente: Vanessa!

Ficou claro que ela seria a ponte de um bardo maltrapilho para adentrar naquelas festas da corte, que entre um disfarce e outro nos murais, na realidade se resumiam a manter a fachada da inocência do “pobre” garoto.

Pobre entre aspas porquê… Bom, uma noite com aquela donzela já havia me dado trabalho, imagino se eu tivesse essa oportunidade de ouro ainda jovem como aquele rapaz. Não custa sonhar, uh?

Enfim, depois de muita “conversa” em alto e bom tom, entre quatro paredes e três pessoas (sim, encontrei mais uma dama disposta a se divertir nesta segunda noite), consegui o que queria. Acompanhante de Vanessa para a próxima festa da realeza.

Ok, agora era hora de correr atrás de trajes finos e alguma segurança para meu plano de extorquir o Rei, afinal, nunca me passaria por nobre acompanhante com essas roupas de viagem. Me dirigi então ao alfaiate mais renomado da cidade e lhe prometi a maior parte das moedas para o dia seguinte ao evento.

Além das moedas ainda lhe entreguei uma pequena carta, e avisei a ele, que caso eu não voltasse com seu dinheiro, ele deveria lê-la às margens da praça principal, e lá ele encontraria quem lhe pagasse o restante. E lógico que disse a ele que não deveria abri-lá antes da hora.

A carta continha um poema que dizia assim:

A Glória de um Bastardo

Não finjas que não sabe, meu Rei,

Não ouses fingir que não viu,

Que uma formosa dama da noite,

Um filho do príncipe, pariu!

Foi na última primavera,

A noite de amor que a deusa incumbia,

E desta noite promíscua,

Um bastardo real nascia!

Hoje ainda criança, jogado à sorte da vida,

Vive sem pai, num local esdrúxulo,

Enquanto o monarca com reis e rainhas,

O bastardo com ladrões, putas e bruxos!”

Outras duas cópias foram feitas, uma entregue à Vanessa, afinal, ela havia conquistado um pouco de minha confiança, e era uma das poucas pessoas com as quais tive contato naquela cidade. E a outra ficou em minha posse.

Eu já estava pronto e confiante, e havia chegado o grande dia. Nos aproximávamos do castelo, e aquela bela construção à luz da lua se mostrava ainda mais extravagante, as duas grandes torres frontais denotavam um aspecto de riqueza em vista que o mármore branco agora iluminado pela luz amarelada que vinha da lua, parecia dourar-se.

Mas nada seria comparável àquela dama ao meu lado, com os seus cabelos ruivos esvoaçados aos ventos daquela noite amena. Era impossível lembrar-se de seus dotes privados, seria impossível acusá-la de trabalhar no tipo de lugar no qual ela vive. Juro, controlei-me bravamente para não esboçar um sorriso um tanto quanto bobo ao observar sua face.

Chegamos aos portões. Passamos pelas grandes portas de madeira maciça. A música agradava aos ouvidos, uma banda de 5 menestréis alegrava o local. Cerca de uma quinzena de casais se divertiam dançando enquanto mais uma dúzia parecia estar confortavelmente sentada em belas cadeiras almofadadas em frente a mesas cheias dos mais diversos pratos e taças.

Seria um sonho aproveitar tudo isso, mas eu ainda tinha um objetivo ali dentro, precisava encontrar e extorquir o Rei, o plano parecia perfeito, e nesse momento eu estava um pouco nervoso e pensativo enquanto dançava com Vanessa ao som dos trovadores.

Olhando ao redor, encontrei o sortudo. Foi fácil, se considerarmos que seus olhos brilhavam enquanto o jovem coração deveria estar se partindo ao ver a “sua” dama dançar com outro homem.

Respondi ao seu olhar de tristeza com um breve sorriso e um leve aceno com a cabeça. “Infelizmente a vida é assim garoto… Melhor aprender a lidar com isso o quanto antes.” Foi o único pensamento que passou pela minha mente.

Após vê-lo, continuei a rondar o local com o olhar, notei que praticamente todas mesas eram iguais, exceto uma. Nessa em especial o forro era de panos vermelhos, as taças eram douradas, uma inclusive com um rubi encrustado. Só podia ser ali a mesa da realeza.

Mas… Onde estava o Rei? Claramente ali haviam duas cadeiras vazias. A do rei, e a do príncipe que estava ainda paralisado observando a dança. Já a Rainha com suas suntuosas jóias parecia estar deslocada ali sozinha.

Bom, se não há o monarca em si, ela deveria ser capaz de resolver esse pequenino “problema” que eu estava disposto a propor.

Mas por hoje já escrevi demais…

– O Diário do Bardo.

CRONICANDO | O DIÁRIO DO BARDO - PARTE II 1

Publicado originalmente em: https://www.wattpad.com/user/Nartyo

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CRONICANDO | O DIÁRIO DO BARDO - PARTE II 2

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Marcos Lemes

Estudante de Engenharia Mecatrônica, escritor por hobby, romancista, poeta e pseudo jornalista. Apaixonado por tecnologia, artes e por mestrar D&D. Por fim boêmio nas horas vagas...