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GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM | CRÍTICA

Callie é uma mãe solteira com sérios problemas financeiros. Seus filhos, Trevor e Phoebe, mantém uma relação um tanto quanto distante de si. Após perderem o apartamento onde moram por não conseguirem pagar o aluguel, são obrigados a se mudar para uma sinistra e abandonada casa de fazenda, que o pai de Callie deixou como herança numa cidadezinha do interior. É nesta fazenda que Callie e seus filhos descobrirão mais sobre o legado de sua família e sobre o passado misterioso de seu pai com os Caça-Fantasmas. Este o Plot de GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM, a continuação direta (e canônica) dos longas de 1984 e 1989 que marcaram toda uma geração.

GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM é uma homenagem ao título inicial da saga, dirigida e roteirizada por Jason Reitman, filho de Ivan Reitman, criador da franquia, e que estreia no Brasil no próximo dia 18 de novembro.

Diferente da esculachada e vergonhosa tentativa de 2016, que tinha finalidade iconoclasta,  GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM vem na contramão e não tenta “desconstruir”, mas dar seguimento da maneira mais honesta possível. O problema, porém, é que mesmo com boas intenções e sendo escrito e dirigido pelo filho do criador da obra, o longa tropeça em vários aspectos importantes que são cruciais para que a história seja redonda e tangível.

Com diversos altos e baixos, GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM incorre em pontos que não poderia e isso compromete, consideravelmente, a imersão da plateia em alguns momentos da narrativa. Inclusive ao final do terceiro ato, praticamente com “o jogo ganho” e tendo acertado na maior parte do mesmo. Chega a ser incrível a gangorra que GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM cria com esse “acerta, erra, acerta, erra”.

Contudo, o maior problema de GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM talvez seja o Fator Humano, ou melhor: a ausência do mesmo justamente nas horas em que isso não poderia ocorrer. E, como sempre, aqui no LEPOP, vamos destrinchar estes problemas.

Nesta crítica vamos abordar os pontos altos e baixos de GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM e discorrer como a vontade descabida de homenagear pode prejudicar um bom filme.

Como de costume, o texto a seguir não contém quantidade significativa de spoilers.

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NÃO SEJA VOCÊ MESMA.

O primeiro ponto positivo a ser destacado em GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM é que Phoebe é uma Protagonista Ativa. E quem leu nossa última crítica (DUNA) sabe a importância disso. Phoebe realmente move a trama, em vez de ser puxada pela mesma. Ela quer, tem vontades, vai atrás, faz boa parte dos acontecimentos terem ignição. E não só isso, como também enfrenta as consequências de suas atitudes. Até aqui, tudo bem. As coisas, no que tange Storytelling, estão como têm de ser.

Mas, se de um lado o roteiro de Jason Reitman e Gil Kenan acerta, e muito, na construção não só de Phoebe como a de demais personagens, por outro lado erra catastroficamente na hora de representar nas telas um ponto crucial desses mesmos personagens: o Fator Humano.

Quando se fala em “Fator Humano”, fala-se de fazer os personagens externarem suas emoções, principalmente em momentos impactantes, para que o público capte esses momentos, se conecte ainda mais e gere empatia com os personagens. Ou seja, se um coadjuvante, por exemplo, leva um susto, é preciso mostrar a reação do susto, caso contrário isso gera um efeito dissonante no cérebro de quem assiste e a imersão dessa pessoa na história é cortada, na hora. Isso estraga completamente a experiência do espectador.

Um longa que sofre, e muito, com esse problema de ausência do Fator Humano é MIDWAY – BATALHA EM ALTO MAR. São cenas e mais cenas impactantes que não recebem suporte do Fator Humano nos momentos cruciais e por isso essas cenas ficam chochas.

GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM vem na mesma linha de MIDWAY – BATALHA EM ALTO MAR e ignora completamente o Fator Humano em diversos trechos da trama, mas há um em específico que é imperdoável. Primeiro, porque se passa com Phoebe (que é a protagonista); segundo, porque serve para movimentar a história por ser uma consequência direta de uma atitude dela; terceiro, porque serviria para desenvolver sua personagem, fazendo-a não só perceber uma verdade sobre si mesma, como também perceber uma verdade sobre o mundo ao seu redor.

Na cena em questão, Phoebe tem uma interação direta, e nada agradável, com um fantasma. E não se trata de um fantasma “do bem”. Isso desencadeia uma série de consequências na narrativa daí pra frente. Só que o roteiro (e a direção) não só estampam na tela uma Phoebe inexpressiva, como também a fazem agir o resto dos dias como se absolutamente nada tivesse acontecido. Mas a coisa consegue ficar pior, porque o roteiro, anteriormente, deixa bem claro que Phoebe não acredita em fantasmas, espíritos, assombrações, nada do tipo. Ou seja, ela teve uma comprovação empírica de que estava errada, teve a vida posta em perigo e depois estava caminhando pela cidade, completamente alheia ao que aconteceu instantes antes. Pior, ela não estava sozinha na ocasião. E pior ainda, as pessoas que estavam com ela agiram da mesma forma indiferente. Quer dizer, o problema da ausência do Fator Humano é múltiplo em GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM. Com um detalhe: esta cena em questão não é a única do tipo. Há outras. Sim, no plural.

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EI! EU TENHO DIREITO A UMA LIGAÇÃO!
OK. PRA QUEM VOCÊ VAI LIGAR?

A ocasião em que Phoebe tem o encontro com um fantasma acarreta consequências importantes para o andamento de GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM. O problema é que neste exato ponto, a trama perde completamente o ritmo e até que as consequências ocorram, leva muito tempo. Tipo, MUITO tempo. A explicação de levar tanto tempo? Nenhuma, o roteiro não diz. Simplesmente espera que você ignore – ou não se importe com isso.

Esse é outro entrave grave em GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM, porque não só faz com que a cena de Phoebe pareça inútil, como também que pareça um Setup que nunca terá Payoff (para ler mais sobre Setups e Payoffs clique aqui e/ou aqui também).

Aliás, Setups sem Payoffs não são exceção em GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM. Várias e várias vezes são introduzidos elementos (objetos, diálogos, citações e mesmo personagens) que não são utilizados posteriormente. O que faz com que o espectador sinta que prestou atenção em algo que não agregou absolutamente nada no desenrolar dos fatos.

É como se houvesse um problema entre os roteiristas, onde um quer uma coisa e o outro, outra completamente diferente, mas, que no final das contas, foram obrigados a trabalhar juntos no projeto. O que deve ter culminado no clássico “vamos achar um meio termo” e deu no que deu.

Em alguns pontos, GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM tem uma certa preocupação em tentar repetir a estrutura dos acontecimentos dos longas de 1984 e 1989, tentado trazer referências e fanservices para os fãs de longa data da franquia. E isso teria funcionado, se os roteiristas construíssem situações mais orgânicas.

Há pontos de GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM em que o fanservice funciona muito bem. Porém, há outros em que a vontade de fazer referências foi tão grande que soou forçado, desnecessário. Novamente, evidenciando um possível desencontro entre os rumos que cada um dos roteiristas queria para este filme.

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ENCONTREI ISSO NA MINHA SALA.
PUXA! UMA RÉPLCIA PERFEITA!

UMA RÉPLICA DE QUÊ?
ARMADILHA PRA FANTASMA.

Por outro lado, aquela aura divertida e convidativa do filme de 1984 está toda em GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM. Os fãs de longa data vão se emocionar, e os mais novos vão perceber o que fez esta franquia ganhar os corações do público. Especialmente porque nas horas em que GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM acerta a mão, acerta com louvor. Mas, de contrapartida, quando erra…

Há elementos estéticos muito bons dos originais que foram trazidos novamente, como por exemplo aqueles cães-demônios (que são robóticos) que apareceram no primeiro título, estão de volta. Mas não como CGI, e sim como as mesmas figuras robóticas de antes, um pouco mais polidas, é verdade, mas ainda assim não são meros artifícios digitalizados. Isso traz um realismo maior, bem como um senso de perigo maior.

Por falar em perigo, outro acerto de GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM está nos jumpscares. A direção acertou muito bem nos sustos. Não são muitos, mas os poucos que estão na história fazem jus e conseguem reproduzir o tom dos originais, que misturavam aventura, fantasia, comédia e uma pitada de terror.

Toda a questão de querer, a todo custo, homenagear os predecessores é uma gangorra, visto que há vezes em que roteiro e direção acertam em cheio, e há vezes em que a coisa vira uma cacofonia. Infelizmente. Porque se fossem poucos altos e baixos, ainda daria para relevar os solavancos narrativos, mas não são poucos.

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HÁ 30 ANOS NÃO ACONTECE UM AVISTAMENTO DE FANTASMA. NOVA YORK, NOS ANOS 80, ERA IGUAL A “THE WALKING DEAD”. SEU PAI NUNCA TE CONTOU ISSO NÃO?

O Terceiro Ato, mais especificamente o ápice do Terceiro Ato de GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM, também é uma montanha russa de erros e acertos. Quando acerta, é de emocionar. Mas quando erra, é de acabar completamente com a imersão das cenas.

É difícil imaginar o que pode ter ocasionado tantos erros básicos de Storytelling justamente num ponto tão crucial da trama. É como se você estivesse vendo uma partida de futebol em que o atacante driblou o time adversário inteiro, deixou o goleiro lá atrás, está sozinho na frente do gol, chuta… E a bola acerta a trave. Ele chuta novamente, e novamente a bola acerta a trave. Chuta mais uma vez, e mais uma vez a bola acerta a trave. Até que finalmente resolve dar só um toquinho e consegue, enfim, fazer o ponto decisivo.

Você até pode achar que é “brincadeira“, ou “exagerado“, o exemplo acima, mas não é. É a exata sensação que se tem ao ver a sucessão dos acontecimentos. São diálogos perfeitos, seguidos de diálogos vazios. Atuações incríveis, seguidas de atuações canastronas. Surpresas de dar gosto, sem nenhum Fator Humano para dar suporte. Momentos tensos de combate, seguidos de vilões que ficam parados esperando o golpe. E você, na poltrona, puto, pensando “Vai, desgraça! Anda logo! Acerta a mão, porra!”. Pra então, finalmente, o enredo achar o caminho da glória e entregar um desfecho de encher os olhos. Sofrido, mas satisfatório.

Perceba que não me refiro a altos e baixos de emoções propositalmente bem exploradas pelo enredo (as chamadas REVERSÕES), no ápice da trama, para fazer o espectador se afundar no assento, prendendo a respiração, completamente imerso, sem conseguir imaginar como o protagonista vai sair daquela situação, onde hora está ganhando, hora perdendo. Como em VINGADORES: ULTIMATO e MISSÃO: IMPOSSÍVEL – EFEITO FALLOUT. Não. Estou falando de uma cacofonia de erros bobos e acertos incríveis que causam uma angústia descabida em quem assiste GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM, porque o roteiro quer tanto homenagear, que acaba forçando a barra.

Ainda assim, GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM é um bom filme, com ótimos momentos, que vai garantir um bom escapismo a quem assistir. É, sem dúvida, uma boa diversão para a família. Não é perfeito, mas é divertido.

E vale ressaltar que o longa tem 2 (duas) cenas pós-crédito. Uma logo após as primeiras legendas, e a segunda ao final de todos os créditos, literalmente sendo a última coisa a ser exibida. Não saída da sala antes disso, ou vai se arrepender.

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VEREDITO

Divertido, bagunçado, engraçado e, novamente, bagunçado, GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM é um filme que tenta, a todo custo, homenagear seus predecessores dos anos 80, mas que acaba forçando demais e tropicando em pontos que não poderia.

Focado em divertir, não em “desconstruir”, GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM, mesmo com tantos problemas, se comparado ao anterior de 2016, é basicamente um acerto épico. Mas se esquecermos o fiasco de 2016, GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM é apenas bom. Entrega o que promete, diverte, garante algumas risadas, alguns sustos e alguns momentos tocantes. Nada espetacular, mas dá para perceber carinho com o material original.

GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM teria sido uma baita história se não forçasse a barra nas homenagens e tivesse construído situações mais orgânicas, com mais Fator Humano nos momentos cruciais, menos enrolação na hora de exibir as consequências das ações diretas dos protagonistas e Payoffs bem estruturados.

Ainda assim, GHOSTBUSTERS: MAIS ALÉM vale o ingresso. Se puder, leve a família ao cinema para assistir também. E se tiver oportunidade, assista os filmes de 1984 e 1989 antes, pois a experiência será ainda melhor.

Veredito 4 - BOM

FICHA TÉCNICA

Título Original: Ghostbusters: Afterlife
Lançamento: 18 de novembro de 2021
Distribuição: Sony Pictures
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Gil Kenan, Jason Reitman
Trilha Sonora: Rob Simonsen
Edição: Dana E. Glauberman, Nathan Orloff
Cinematografia: Eric Steelberg

GHOSTBUSTERS é uma criação original de Ivan Reitman e co-roteirizada por Dan Aykroyd e Harold Ramis.

Elenco: Finn Wolfhard, Mckenna Grace, Carrie Coon, Sigourney Weaver, Bill Murray, Dan Aykroyd, Ernie Hudson, Logan Kim, Celeste O’Connor, Annie Potts, Oliver Cooper, Sydney Mae Diaz, Marlon Kazadi, Bokeem Woodbine, Paulina Alexis, Sarah Natochenny, Paul Rudd, Shelby Young, Billy Bryk, CJ Collard, Bud Klasky, Faith Louissaint, Artoun Nazareth, Daniel D’Angelo Sparks

Trailer:

Ghostbusters Mais Além | Trailer Oficial Dublado | Em 2020 nos cinemas

Como sempre enfatizamos: no final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não da obra.

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Muito obrigado e até a próxima.


LLeo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.