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JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA | CRÍTICA

Raj é um veterinário muito bem sucedido em Mumbai, onde praticamente vive para o trabalho e, em seus poucos momentos livres, a academia. Mas nem sempre as coisas foram assim. Raj cresceu em meio à natureza com sua família, que administrava um santuário de elefantes. Uma família unida, feliz. Contudo, a morte da mãe de Raj fez o jovem abandonar o santuário, os amigos e o pai para levar uma vida solitária na cidade grande. Agora, no aniversário de 10 anos da morte de sua mãe, Raj retorna para tentar reatar seus laços com o pai, só não contava que sua visita mudaria completamente sua vida ao se deparar com um perigoso grupo de caçadores de elefantes. E este embate vai lhe custar muito, mas muito caro.

Este é o Plot de JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA, aventura de ação do famoso diretor Chuck Russell, estrelada por Vidyut Jammwal, distribuída pela A2 Filmes e que estreou no início deste mês exclusivamente nas plataformas digitais.

De cara, já devo dizer que JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA é um filme que me deixou bastante intrigado e me custou certo tempo pra redigir esta crítica. Justamente porque se trata de uma produção que acerta (e muito) em alguns pontos, mas erra (e muito) em outros. E se você imagina que este seja um filme ruim, se enganou. Não é. JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA é um bom filme, mas não é ótimo. Isso me fez remoer por um tempo. Porque de um lado, por exemplo, ao Terceiro Ato, você tem cenas de luta, coreografias de luta muito bem elaboradas, ao estilo O PROTETOR (2005), com Tony Jaa. O que é muito bom! Mas, por outro lado, ao Primeiro e até parte do Segundo Ato você se depara com lutas bizarras e puramente cômicas ao estilo O DEFENSOR (1996), com Chuck Norris. E eu não estou zoando. Aliás, a escolha de ambos os títulos (“O Protetor” e “O Defensor”) também não é por acaso, visto que ambos são sobre guerreiros que protegem a natureza. Isto é apenas um dos vários exemplos de um problema sério que sonda JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA, inconsistência. Trata-se de um filme que não se leva a sério em diversos momentos. Mas, de contrapartida, se leva a sério demais em outros. E essa gangorra na história, produção, atuações e etc. faz com que a experiência do espectador nunca atinja seu pico. A ponto de parecer que o diretor queria produzir um filme, mas os produtores queriam a entrega de outro.

Nesta crítica vamos abordar os pontos altos e baixos de JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA e discorrer como a indecisão de que caminho um filme deve trilhar acarreta em uma entrega longe de seu potencial máximo.

Como de costume, o texto a seguir não contém quantidade significativa de spoilers.

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OLHA ELE. ELE É NOVO POR AQUI, RECÉM-RESGATADO DE UM CIRCO.

Se você é fã de cinema provavelmente deve conhecer Chuck Russell. E se não reconhece o nome, com toda certeza conhece suas obras: A HORA DO PESADELO 3: OS GUERREIROS DOS SONHOS (1987), A BOLHA ASSASSINA (1988), O MÁSKARA (1994), QUEIMA DE ARQUIVO (1996), A FILHA DA LUZ (2000), O ESCORPIÃO REI (2002), EU SOU A FÚRIA (2016). Uma lista bem diversificada de trabalhos como diretor. Alguns altos e baixos, mas dá pra dizer que é um currículo competente. E, verdade seja dita, o que não dá pra dizer é que Chuck Russell não sabe o que quer. Ou melhor, que não sabe o que quer entregar ao público. Exceto por um único título, O ESCORPOIÃO REI, pois nesse trabalho Russell enfrenta o mesmo problema, também em uma aventura de ação, inconsistência. É outro título que não hora se leva a sério, hora não. Hora acerta em alguns aspectos, hora capenga em outros. Contudo, analisando o todo de suas direções (que em parte também carregam seu nome nos roteiros), ainda é possível afirmar que Chuck Russell sabe o que quer entregar ao público. Precisamente por esse motivo o que ocorre em JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA me incomodou tanto.

De um lado, cinematografia belíssima com trilha sonora belíssima, numa composição de encher os olhos, pra no instante seguinte entregar diálogos expositivos que não movem a trama, só explicam o óbvio ao público. Num instante, atuações razoáveis; no instante seguinte, atuações chochas e superficiais. Em um ponto do longa, cenas de luta de surpreender positivamente; já num outro ponto, cenas de luta de dar vergonha. Por um momento você está assistindo a um drama de ação que conta a história do despertar de um guerreiro que enfrenta assassinos altamente qualificados; no momento seguinte você cai numa aventura com capangas desmiolados ao estilo PEQUENOS ESPIÕES. O problema de inconsistência em JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA não para por aí. Você tem personagens que são muito bem definidos, com personalidades distintas, que apresentam convicções firmes… Até a segunda página, porque – do nada – estes mesmos personagens viram conchas vazias, perdem o brilho apenas pra favorecer a narrativa e serem puxados pelo Plot. E nessa brincadeira de cabo de guerra, o espectador é quem fica desfavorecido com os altos e baixos da produção.

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NA VERDADE, EU GOSTARIA DE CONHECER A SUA HISTÓRIA.
ACHO QUE NÃO. MINHA HISTÓRIA PODE ESPERAR. A HISTÓRIA QUE AS PESSOAS TÊM CONHECER É A DO BABA.

Montagem é um ponto fortíssimo de JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA. E isso não é de se espantar, afinal o longa é uma co-produção da T-Series.Isso mesmo! Lembra toda aquela treta ente 2017 até 2019 pela disputa de quem chegaria primeiro aos 100 milhões de inscritos no YouTube, a mega corporação do ramo musical de Bollywood, T-Series, ou o YouTuber mais famoso da plataforma, PewDiePie?  Pois é… Toda a produção musical de JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA vem da T-Series. E isso eleva muito a qualidade musical da obra e dá até pra arriscar dizer que as montagens também tiveram supervisão da mesma empresa, pois não se tratam apenas de “montagens comuns”, mas todas elas têm um “Q” de clipe musical. As cenas em que Raj relembra seu passado no santuário, por exemplo, se enquadram nessa particularidade. Mas não só elas, como todas as cenas do tipo. É como se um clipe musical fosse inserido dentro da história e, daquele momento em diante, você não assistisse mais um filme, mas a uma produção musical que complementa aquela história. O que não é necessariamente ruim, mas curioso em certo ponto. E, verdade seja dita, essas inserções conseguem prender a atenção e elevar o grau da produção.

Curiosamente, não há inconsistências nas montagens musicais. Porém, apenas estes clipes não são suficientes pra corrigir os problemas citados até o momento. Servem ao seu papel em JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA? Sim. Agregam positivamente na obra? Sim. Fazem o espectador ignorar a gangorra narrativa do filme? Não.

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DIZEM OS SÁBIOS EM NOSSO ESTADO DE QUERALA, QUE PRA SE TORNAR UM EXCELENTE LUTADOR KALARI VOCÊ DEVE SE TRANSFORMAR EM UM SÓ COM A NATUREZA.

JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA é um filme simples, com uma trama simples que pode ser muito bem assistido por toda família e amigos. E este é justamente tanto seu maior aliado, quanto seu maior inimigo. Não porque uma história simples não possa ser interessante, muito pelo contrário. Mas porque as inconsistências que a película carrega levam a audiência a questionar se houve ou não uma discussão entre diretor e produtores sobre que tipo de filme deveria ser entregue, uma aventura de ação ao estilo Sessão da Tarde, ou um drama de ação ao estilo O PROTETOR.

Na tentativa de agradar todos os públicos, pode-se acabar agradando nenhum. Não chegou a ser o caso de JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA, pois a simplicidade do Plot somada aos pontos realmente altos do todo conseguiu garantir a diversão de quem assiste ao longa. Mas ainda assim é um problema que deve ser considerado para evitar dores de cabeça e entregar aos consumidores uma experiência audiovisual de qualidade, com uma promessa clara e uma entrega clara.

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VEREDITO

Divertido, com muitos pontos altos, mas também muitos pontos baixos, JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA é uma produção que tinha tudo pra ser uma ótima fonte de entretenimento e escapismo, com uma história bonita de auto descobrimento e preservação da natureza que não apela para proselitismos politico-ideológicos. Mas, infelizmente, as inconsistências na película culminam para que o a história nunca atinja seu pico e fique sempre nadando na zona de conforto.

Com uma proposta bastante interessante, porém mal aproveitada, JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA ainda assim é um filme que vale a pena assistir e se divertir, pois a simplicidade da trama é cativante em diversos momentos e mesmo com essa gangorra estrutural da narrativa os pontos positivos garantem diversão a quem assiste.

JUNGLE: PROTEGENDO A SELVA está disponível nas seguintes plataformas digitais: NOW, Looke, Microsoft, Vivo Play, Google Play e Apple TV.

Veredito 4 - BOM

FICHA TÉCNICA

Título Original: Junglee
Lançamento: 05 de novembro de 2020 (Brasil) | 29 março 2019 (Índia)
Distribuição: A2 Filmes
Direção: Chuck Russell
Roteiro: Chuck Russell, Adam Prince, Ritesh Shah
Trilha Sonora: Tanuj Tiku, Sameer Uddin
Edição: Vasudevan Kothandath, Jayesh Shikarkhane
Cinematografia: Mark Irwin

Elenco: Vidyut Jammwal, Lars Kjeldsen, Asha Bhat, Vishwanath Chatterjee, Makrand Deshpande, Vicky Kadian, Atul Kulkarni, Ratnesh Mani, Akshay Oberoi, Dinesh Rajpurohit, Rahul Verma Rajput, Pooja Sawant, Abhijit Sinha, Thalaivasal Vijay, Vishwanath, Shankar Yadav, Ania Zeyne

Trailer:

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não do filme. Então, conta pra gente o que você achou nos comentários.

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.