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LUKE CAGE – SEGUNDA TEMPORADA | CRÍTICA

A segunda temporada do herói do Harlem já está disponível na Netflix. E entre altos e baixos, a nova temporada de LUKE CAGE dá continuidade ao projeto da parceria Marvel/Netflix adaptando personagens “B” e “C” da Casa das Ideias.

Com uma primeira temporada também com altos e baixos, LUKE CAGE retorna às telas mais maduro enquanto vigilante e está disposto a pagar um preço alto por isso. Dessa vez o herói terá de fazer duras escolhas sobre a forma como lida com família, amigos, relacionamento, negócios, inimigos e fama.

Como se não bastasse, Cage ainda precisa lidar com uma ameaça que literalmente bate de frente, Bushmaster, um novo gangster que além de querer a cabeça de Mariah Dillard também almeja o Harlem para si e fará o que for preciso para isso.

Como sempre, o texto abaixo não contém quantidade significativa de spoilers.

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VOCÊ NÃO PODE ME ENFRENTAR

A segunda temporada de LUKE CAGE mergulha ainda mais nos dramas de Carl Lucas. Agora é um rosto conhecido, querido por todos, motivo de inspiração de muitos e para alguns é a única esperança contra a criminalidade que rodeia o bairro do Harlem.

Com essa temática, a segunda temporada de LUKE CAGE traz um crescimento multidimensional ao personagem e aos coadjuvantes da série já apresentados na temporada anterior. E ao longo desse novo arco vemos CAGE se envaidecer cada vez mais de suas habilidades e mais confiante de que pode dar fim às atividades criminosas que assolam o bairro que tanta ama.

Contudo, várias vezes ao longo da série, observamos LUKE CAGE desacreditando de si mesmo pouco depois de se dizer confiante. E não, não se trata de um momento onde o personagem tenta se passar confiante aos demais enquanto na realidade está com conflitos internos. É uma inconsistência de roteiro mesmo. Aliás, há diversas ao longo da série.

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HARLEM’S PARADISE

Ainda lidando com as inconsistências, algo que incomoda nessa segunda temporada – e que foi primorosamente bem pensado na anterior – é o uso das trilhas sonoras na construção das cenas.

Trilhas sonoras não podem ser escolhidas a esmo por terem “uma letra bacana“, ou “uma batida pesada“. Mais do que apenas criar um fundo musical para uma determinada cena, a boa trilha sonora tem como tarefa ajudar a construir a narrativa em todos os sentidos.

É dever da trilha sonora: criar tensão, passar emoção, guiar o medo, confundir, resolver, enfatizar, atenuar, promover e etc., só que nessa nova temporada a trilha sonora não tem um papel tão definitivo assim. Ela é usada de maneira cartunesca, de certa forma.

Por diversos momentos na temporada você espera por uma trilha impactante que conduza suas emoções, seus sentimentos para dentro da trama e te faça vivenciar o mesmo que os personagens imersos na cena, só que a trilha faz justamente o oposto e a sensação de desencaixe é muito forte. É como entrar na fila da padaria pra comprar pão e receber um pacote de balas de goma – pelo preço do pão, é claro.

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ENQUANTO ELE TIVER O CORAÇÃO, O HARLEM NÃO SERÁ INTEIRAMENTE MEU

BUSHMASTER, o vilão dessa nova temporada de LUKE CAGE, interpretado majestosamente por Mustafa Shakir é disparado um dos pontos mais altos da série.

O antagonista é muito bem construído e com uma motivação bastante convincente. Diferente do que demonstro do problema da romantização de vilões da Marvel na Crítica de VINGADORES: GUERRA INFINITA, aqui vemos um personagem que constrói motivo de maneira crível e com uma atuação espetacular. Visceral, mas que é mal aproveitado ao final da temporada.

BUSHMASTER também é um bom exemplo do problema com a trilha sonora, porque mesmo Shakir sendo um ótimo ator, suas aparições são atrapalhadas pelas músicas escolhidas para as cenas. Em cenas onde se espera impacto, o peso de metais, cordas e tímpanos de uma orquestra, o que aguarda pelo espectador é a malemolência do reggae. É como se não bastasse, a quem assiste, saber que o vilão é jamaicano. É preciso enfatizar a todo o tempo pela escolha da soundtrack – como se os diretores da série tivessem medo de que o público fosse esquecer a origem do vilão, mesmo isso sendo lembrado a cada cinco minutos nos diálogos.

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ELA É IMPORTANTE PRA MIM, MAS A LEI É A LEI. E EU FIZ UM JURAMENTO

Muito embora haja quem reclame da quantidade de conteúdo cinematográfico e televisivo relacionado ao universo dos super-heróis que andam despontando ultimamente, e dentre os reclamantes seja comum a queixa de “fracas atuações”, a Segunda Temporada de LUKE CAGE é repleta de momentos de atuações icônicas.

Boas partes dessas atuações estão com Mustafa Shakir, mas há também momentos incríveis com Simone Missick (MISTY KNIGHT), Theo Rossi (HERNAN “SHADES” ALVAREZ), Gabrielle Dannis (TILDA JOHNSON), Rosario Dawson (CLAIRE TEMPLE), Alfre Woodrad (MARIAH DILLARD), Reg E. Cathey (JAMES LUCAS) e Sahr Ngaujah (ANANSI).

Cada um dos citados acima têm excelentes cenas dramáticas, muito bem pontuadas, muito bem escritas e com atuações dignas, marcantes. Sem querer desmerecer Mike Colter, que dá vida ao protagonista da série, mas os nomes acima merecem destaque. Até porque não se faz uma série baseada no talento de apenas um ator ou atriz, mas sim de um grupo.

Mike Colter e Rosario Dawson têm uma química fantástica ante as câmeras e nesse novo arco temos o desenvolvimento da história de ambos de maneira muito mais intensa, mas quero dar destaque mais do que merecido a Simone Missick, que encarna a detetive Misty Knight. Há uma cena em particular que vai emocionar a muitos.

E claro, Reg Cathey que interpreta o reverendo James Lucas, pai de Luke Cage, tem diversos momentos marcantes de atuações muito bem pontuadas. Reg foi responsável por diversas cenas memoráveis de diálogos conflitantes entre pai e filho na série da Netflix. Contudo, infelizmente, Reg E. Cathey faleceu em 09 de fevereiro desse ano, aos 59 anos de idade. O ator lutava já há algum tempo contra um câncer pulmonar.

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EU NÃO TENHO QUE TE DAR OUVIDOS. ESQUECEU QUE TÁ MORTA?

Altos e baixos marcam a segunda temporada de LUKE CAGE. Assim como no primeiro arco, temos problemas de ritmo, roteiro, edição, cinematografia, trilha sonora…

A respeito da trilha sonora já abordei parte da questão, entretanto o problema não está somente com músicas que surgem de fundo na narrativa, mas também com algumas – repito: ALGUMAS – músicas que são executadas “ao vivo” na boate Harlem’s Paradise, que é parte fundamental da trama dessa segunda temporada.

Não me entenda mal, há uma vasta surpresa de grandes nomes da música que dão uma canja na Segunda Temporada de LUKE CAGE. Nomes como Esperanza Spalding, Barrington Levy, Ghostface Killah, Rakim, The Dap Kings, Raphael Saadiq e muitos outros. O problema, porém não é com os artistas escolhidos pra se apresentarem na boate mais famosa do Universo Marvel, mas o fato de algumas das músicas destes artistas não terem conexão com as cenas.

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Já roteiro e ritmo estão entrelaçados na problemática. Por vezes você se questiona se a série precisava mesmo de 13 episódios, pois por mais cenas de ação que se tenha nesta nova temporada, a impressão que se tem é que o roteiro perde a mão e fica arrastado, sem ritmo.

Outro pronto que também está ligado ao ritmo é a edição. Há diversos pontos da temporada que vemos problemas de corte. Problemas graves. Um destes está quase ao final da temporada, no nono episódio. Quando a antagonista Mariah Dillard espreita uma conversa entre Luke Cage e seu pai, James Lucas.

A edição acompanha Mariah até a parede onde se esgueira para ouvir Luke conversando com o pai. Então ocorre o corte para a conversa de Luke. A edição acompanha a conversa deles por mais de 3 (três) minutos ininterruptos sem voltar em Mariah. Na sequência há um corte para uma cena com a detetive Misty Knight na delegacia que também dura cerca de três minutos (sem voltar na Mariah que se encolhe na parede), em seguida a edição acompanha Luke Cage se dirigindo a Tilda Johnson. Cage e Johnson conversam por mais três minutos. E em fim a edição volta para Mariah, certo? Errado! A edição corta para o vilão Bushmaster conversando com seu tio Anansi por mais três minutos e só depois disso tudo é que vemos Mariah entrar em cena se dirigindo ao pai de Cage. Ou seja, o expectador já esqueceu completamente que Mariah estava escutando a conversa de James e seu filho.

Como se não bastasse tudo isso, também há problemas com a cinematografia. Em diversos episódios da temporada o expectador é presenteado com ângulos de câmera pouco funcionais, que não acrescentam nada nas cenas; enquadramentos esquisitos que só causam estranheza, não trazem nada consigo e cenários mal aproveitados nas gravações.

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ÀS VEZES, NO SILÊNCIO, ENCONTRAMOS AS MELHORES FORMAS DE COMUNICAÇÃO

Danny Rand, o Punho de Ferro, faz uma pequena – e bastante inútil – participação na nova temporada.

Rand é citado diversas vezes na temporada, e isso gera expectativa. Bom, na verdade expectativas, no plural. Gera a expectativa de aparição do personagem e também expectativa de que as cenas de ação do Punho de Ferro em Luke Cage sejam melhores do que foram em sua série solo.

Relato todos os problemas de Punho de Ferro aqui

E eis que Danny Rand, o Punho de Ferro, a Arma Imortal, o Inimigo Declarado do Tentáculo finalmente faz aparição em Luke Cage. Cheio de frases de efeito. Discursos e mais discursos sobre controlar a raiva, usá-la a seu favor, equilibrar o chi… E mais expectativas são geradas.

Você espera que ao fim de todo o discurso de Rand sobre equilíbrio de energia, concentração, potencialização de força por meio de foco, Luke faça uso de pelo menos parte do que Rand explica. Você espera que – se não naquele episódio, que pelo menos mais ao fim da temporada – Luke use o que aprendeu com Rand e finalmente consiga por fim aos atos de Bushmaster, que haja um embate épico… Mas não. O que Rand ensina para Cage fica só no ensinamento mesmo, sequer é usado na trama. Aliás, é satirizado numa cena de ação entre Cage, Rand e vários capangas armados de Bushmaster. Só.

E embora o ator Finn Jones esteja um pouco mais solto como Punho de Ferro, embora esteja com melhor controle corporal nas cenas de lutas elas ainda são muito fracas. Muito dançadas, e basicamente a aparição de Danny Rand nessa segunda temporada de Luke Cage se resume a comprar imóveis para que Cage possa destruí-los sem parar na cadeia por vandalismo.

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VEREDITO

Essa é a parte mais difícil, o veredito da Segunda Temporada de LUKE CAGE.

Embora a nova temporada tenha muito mais problemas do que a primeira – problemas estruturais inclusive -, há diversos pontos muito, muito altos com as atuações, o que nos leva basicamente ao mesmo problema ocorrido em PUNHO DE FERRO.

Outro ponto muito alto é a trama principal, que é muito envolvente. É intrigante ver como Cage, aos poucos, se torna aquilo que combateu. A forma como a popularidade do vigilante interfere em sua vida pessoal; como orgulho, medo, raiva, rancor, inveja, amargura, vaidade e insegurança moldam TODOS os personagens da série, e como esses mesmos sentimentos levam os personagens a tomarem atitudes completamente opostas e guiarem suas vidas em caminhos distintos.

É incrível presenciar a história de Bushmaster e vê-lo se construir no ódio e no rancor. É incrível ver as atitudes de Mariah Dillar se voltando contra ela, a forma cruel do tratamento dela com a filha e o desfecho da vendeta de ambas. É incrível ver Misty Knight lidando com seus problemas, a perca do braço, o difícil retorno à força policial, a luta contra a vontade de desistir de tudo… É incrível ver como Cage é afetado pela fama. Enfim, todos esses fatores são muito bem explorados na trama, mas a quantidade de problemas que acompanham diretamente os pontos altos da série é superior. Causa incômodo. E, sendo bastante honesto, os problemas da série atrapalham muito. Infelizmente.

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FICHA TÉCNICA

Título Original: Luke Cage
Lançamento: 22 de junho de 2018
Diretores: Álex García López, Everardo Gout, Stephen Surjik, Andy Goddard, Clark Johnson, Neema Barneette, Nathan Louis Jackson, Rashaad Ernesto Green, Millicent Shelton, Kasi Lemmons, Salli Richardson-Whitfiled, Marc Jobst, Steph Green, Lucy Liu

Roteiristas: Cheo Hodari Coker, Aïda Mashaka Croal, Nicole Mirante-Matthews, Matthew Lopes, Akela Cooper, Matt Owens, Ian Stokes

Luke Cage é uma criação de Archie Goodwin, John Romita e George Tuska.

Elenco: Mike Colter, Simone Missick, Theo Rossi, Gabrielle Dennis, Mustafa Shakir, Stephen Rider, Alfre Woodard, Kevin Mambo, Karen Pittman, Danny Johnson, John Clarence Stewart, Heather Simms, Justin Swain, Annabella Sciorra, Sean Ringgold, Jeremiah Craft, Tijuana Ricks, Delissa Reynolds, Joy Lynn Jacobs, Sedly Bloomfield, Marcus Choi, Louie Gasparro, Kymbali Craig, Cheryl Lewis, Joanna Shelmidine, Harold Surratt, Ivan Moore, Thomas Silcott, Twinkle Burke, Ninja N. Devoe, Ilyana Eberhardt, Cassandra Freeman, LaTanya Richardson Jackson, Curtiss Cook, Justin Swain, Sahr Ngaujah, Mekhi Hewling, Shannon Harris, Ashley D Kelley, Krista Donargo, Angel Dillemuth, Tarah Rodgers, Melissa Rakiro, Finn Jones, Rob Morgan, Antonique Smith, Jade Wu, Jamal Warren, Reg E. Cathey, Peter Jay Fernandez, Thomas Q. Jones, Chaz Lamar Shepherd, Dorian Missick, Michelle Beck, Robert Neary, Aurora Leonard, Jennie Eps, Ron Cephas Jones, Jessica Henwick, Rosario Dawson, Carolyn Michelle Smith.

Trailer:

Marvel – LUKE CAGE: 2ª Temporada | Trailer (2018) Legendado HD

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não da série.

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.