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MARCADOS PELO SANGUE | UM CLÁSSICO INJUSTIÇADO PELOS CRÍTICOS

Guerra de gangues, violência, drogas e um roteiro visceral que acompanha a história de três irmãos: um policial, um pintor e um presidiário, marcados pelo peso de suas escolhas e pelos laços sanguíneos, tendo de lidar com consequências traumáticas. Essa é a premissa de MARCADOS PELO SANGUE (Blood In, Blood Out), clássico noventista que deu o que falar quando lançado.

Depreciado por muitos críticos, MARCADOS PELO SANGUE tem um lugar especial no coração do publico justamente por sua linguagem bruta e por um elenco proeminente composto de atores nem tão conhecidos/queridos na época, mas que fizeram a diferença para o todo da obra.

Definitivamente, MARCADOS PELO SANGUE é uma produção ousada que virou Cult e ganhou (e continua ganhando) fãs com o passar dos anos. Justamente por isso este texto está chegando até você. Talvez você já tenha assistido a esse clássico, talvez não. Mas indiferente disso, dificilmente você não vá gostar da trama e de como esta se desenvolve.

O texto que você vai ler abaixo é do nosso amigo Autran Martine que participou diversas vezes conosco no LEPOPCAST (e ainda fará mais participações). Era originalmente um texto que iria apenas para o Facebook pessoal dele, como uma indicação aos amigos próximos, mas quando começou a escrever percebeu que era algo que queria compartilhar com mais gente e me perguntou se podia enviar o conteúdo para ser publicado aqui sem compromissos. O texto ficou muito bom e claro que vale muito a pena levar esse conteúdo até você, que nos lê.

Então, sem mais delongas, confira aí o texto do nosso brother Autran Martine sobre um de seus filmes favoritos, MARCADOS PELO SANGUE.

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MARCADOS PELO SANGUE | UM CLÁSSICO INJUSTIÇADO PELOS CRÍTICOS

MARCADOS PELO SANGUE, SANGUE POR SANGUE, IRMÃOS DE SANGUE, BLOOD IN BLOOD OUT, BOUND BY HONOR… Não importa por qual nome você conhece esse filme. Se você já assistiu, eu duvido, mas duvido mesmo, com toda a descrença de um São Tomé versão Megazord, que você não tenha gostado.

Lembrei desse filme recentemente e fiquei com vontade de falar dele, talvez porque faz um bom tempo que não pego ele pra fazer aquela sessão reprise, mesmo sendo um dos filmes que mais gosto. Ele está no meu pódio cinematográfico pessoal junto com A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA, ASSASSINOS POR NATUREZA, PULP FICTION e pouquíssimos outros títulos (sim, sou péssimo em estabelecer o Top 1 de qualquer coisa, então vamos de Top N).

Assim como esses filmes citados, MARCADOS PELO SANGUE é um drama violento, com tons de narrativa variados e recheado de drogas, palavrões, cenas e diálogos inesquecíveis e, acima de fuckin’ tudo, uma história foda. Só que com uma considerável diferença: não conta com uma Juliette Lewis, um Samuel L. Jackson ou um Edward Norton em seu elenco. Isso mesmo, o nosso filme é totalmente composto pelo suprassumo da Série B da indústria cinematográfica, e tem como seu maior nome o jovem Benjamin Bratt.

Mas não vou focar aqui no plot do filme e muito menos fazer um review dele. Primeiro porque talvez o plot em si, se apenas descrito, não desperte, na maioria da galera, um interesse à altura da experiência que é assisti-lo; segundo porque meu review desse filme poderia se resumir facilmente a um 10/10. Com folga.

Resolvi então compartilhar aqui alguns fatos interessantes sobre essa obra, com o intuito de proporcionar algum deleite para quem já assistiu e aguçar a curiosidade de quem ainda não teve esse prazer.

Let’s go, homie.

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MARCADOS PELO SANGUE -- CURIOSIDADES

Basicamente o filme acompanha a história de três jovens: Paco, Miklo e Cruz, adolescentes de ascendência latina que vivem no leste de Los Angeles -- a “quebrada” da cidade, lar de muitos imigrantes mexicanos legais e ilegais -- e fazem parte de uma gangue de “chicanos” chamada Vatos Locos. Esse é o nome de uma gangue de rua da vida real que começou no México nos anos 50 e depois se expandiu para o estado da Califórnia nos EUA. Esse nome hoje é utilizado por diversas gangues ao redor do mundo, não necessariamente ligadas à gangue original. Segundo o Wikipedia, estima-se que existam entre 10 e 30 mil membros de gangues Vatos Locos. Seria mérito do filme?

A história é baseada na vida do escritor Jimmy Santiago Baca, mais precisamente da sua adolescência até o período em que ficou preso na Penitenciária Estadual de San Quentin -- aquela mesma onde o glorioso Johnny Cash gravou seu lendário show ao vivo tocando para os detentos.

No trecho do filme que se passa na já citada penitenciária de San Quentin, as três maiores gangues da penitenciária são a gangue de neonazistas Aryan Vanguard, a gangue black power chamada Black Guerrilla Army, e a La Onda, gangue dos mexicanos. Essas três gangues foram baseadas nas gangues de prisão reais chamadas Aryan Brotherhood, Black Guerilla Family e Máfia Mexicana.

O Jimmy Santiago Baca, que também é um dos produtores do filme, faz uma participação como um dos generais da La Onda.

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O filme foi lançado em 1993 e tem dois títulos em inglês. O título era inicialmente BLOOD IN, BLOOD OUT, que é o lema da gangue La Onda. Essa frase -- que traduzida pro nosso tupi-guaraná seria algo como “sangue entra, sangue sai” -- refere-se ao pacto necessário para se fazer parte da gangue: matar algum inimigo para entrar, só sair depois de morto. Um pouco antes do lançamento oficial do filme, o título de todos os pôsteres foi alterado porque a Disney, dona da Hollywood Pictures, produtora do filme, achou que o nome poderia incentivar a violência de gangues (eita, Disney!). Bem, vale lembrar que dois anos antes havia sido lançado o clássico OS DONOS DA RUA (Boyz N The Hood, com Cuba Gooding Jr. e Ice Cube), um filme que a opinião pública fazia questão de culpar toda vez que tinha alguma treta de gangue nas ruas de Los Angeles. Isso fez o estúdio achar que o título era muito negativo. Assim, graças ao Mickey Mouse, BOUND BY HONOR foi o título escolhido, mas o nome anterior havia sido muito divulgado, já que o filme ficou mais de dois anos sendo produzido. Por essa razão, todas as edições do DVD -- incluindo a brasileira -- têm os dois nomes na capa.

Foi o primeiro papel de Benjamin Bratt como protagonista, mas não foi seu filme mais falado naquele ano, já que em 1993 foi lançado outro filme que ele participou: O DEMOLIDOR (não o nosso herói cego da Marvel, mas sim o Demolition Man, com Sylvester Stallone, Sandra Bullock e Wesley Snipes), filme considerado por muita gente marota -- tipo meus amigos LEPOPCASTERS LLeo Favaretto e Luiz Lopes, e também por este vato que vos fala -- como um dos melhores filmes do gênero Ação Brucutu (Broocootool Action) de todos os tempos.

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Danny Trejo, o famoso Machete, aquele ator coadjuvante com o currículo mais extenso do cinema hollywoodístico -- especialmente se falarmos de atuações como cadeeiro -- interpreta neste filme um cadeeiro (ah, vá!) que é um dos generais da La Onda. O fato interessante é que ele mesmo já havia cumprido pena em San Quentin antes de se tornar ator, quando ainda era vida loca cabulosa.

Foi o último trabalho de Teddy Wilson (ou Theodore Wilson), um ator dos anos 70/80 que fez participação em muitos filmes e séries clássicas da TV, como FAMÍLIA DÓ RÉ MI, KOJAK, ALÉM DA IMAGINAÇÃO, DALLAS, CONTOS DA CRIPTA e por aí vai. Em MARCADOS PELO SANGUE ele faz o papel de um penitenciário idoso, membro da gangue Black Guerrilla Army, que mata o líder da La Onda. Poucos meses depois de gravar suas cenas ele faleceu e, infelizmente, nunca pôde assistir a obra-prima que participou.

Na TV aberta brasileira, MARCADOS PELO SANGUE foi exibido pelo canal SBT algumas vezes no saudoso Cinema Em Casa, pano de fundo da Sessão Vagabundagem das tardes desocupadas da molecada -- peço mil desculpas por te fazer lembrar de quando você podia em sequência: assistir os desenhos animados do Festolândia, almoçar assistindo Chaves e Chapolin, digerir a gororoba assistindo Um Maluco no Pedaço e depois tirar aquele ronco de beleza no sofá enquanto o Cinema Em Casa passa alguma reprise. Bons tempos… Voltando ao nosso lero, por se tratar de um filme razoavelmente longo para o padrão TV aberta dos anos 90 (o filme tem 2h28m), chegou também a ser exibido pelo canal em forma de minissérie -- fizeram o mesmo com A TEMPESTADE DO SÉCULO, filmástico baseado no livro do mestre Stephen King.

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O filme nunca foi um sucesso entre a crítica especializada, porém é muito cultuado pela audiência. No Rotten Tomatoes, site agregador de crítica cinematográfica a nível planetário, o score entre a crítica especializada é apenas 55%, porém o score entre a audiência é de 94%! Para se ter uma ideia do quanto esse número é notável, VINGADORES ULTIMATO, o maior fenômeno de audiência dos últimos tempos, fica atrás: tem 91% de score da audiência. -- “Mas o quê esses críticos tinham na cabeça? ” -- você deve estar pensando. Bem, veja essa crítica da Folha de SP que saiu na época que o filme foi lançado por aqui. Sobre essa crítica, só tenho a dizer: nada.

Em sua maioria, os takes de filmagem foram feitos não dentro de estúdios, mas em lugares reais do leste de Los Angeles e da penitenciária de San Quentin. Muitos dos prisioneiros da época aparecem como figurantes no filme, além também de diversos funcionários da Gaiola King Size.

Vatos Locos Forever! O “espanglês“, a mistura de espanhol com inglês é uma característica muito marcante da cultura chicana. “Chicanos” é como são conhecidos os descendentes de mexicanos que, nascidos nos EUA, mantém vivas algumas tradições culturais do México misturadas com a cultura urbana norte-americana, como por exemplo, o hip-hop. O filme é uma aula sobre essa cultura e é carregado de ponta-a-ponta por esse linguajar. Frases como “Life’s a risk, carnal”, El Gallo Negro, the baddest chicano in the barrio” e “Vatos Locos forever”, o lema da gangue dos moleques, grudam na cabeça uma vez que você ouve as falas originais. Se você já assistiu ao filme, tenho certeza que sua mente leu as frases imitando o sotaque original.

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Bem, espero que essa pequena lista de curiosidades tenha te distraído por alguns minutos. Pra mim, como fã do filme, foi um prazer escrever esse texto e revisitar o filme de outra forma que não seja assistindo. Só foi um pouco difícil não ficar o tempo todo destacando o quanto o filme é ultra-mega-inacreditavelmente-fodástico E AINDA CONTA COM UM PUTA PLOT-TWIST!

Como dito anteriormente, se você já assistiu eu duvido que não tenha gostado. Agora, se você não assistiu… Bem, não é de meu conhecimento que ele esteja em nenhum serviço de streaming brasileiro no momento (encontrei ele dublado no YouTube mas, apesar de adorar as dublagens dos anos 90, recomendo fortemente que assista no idioma original, pois faz parte da experiência única desse filme), e ele nunca foi lançado em Blu-ray -- existe uma petição online para que isso vire realidade, mas ninguém nunca sabe o que acontece com essas petições, não é mesmo? Quanto aos Torrents (diga não à pirataria! ;-D), sabemos como às vezes é chato encontrar títulos mais antigos e que estão meio “esquecidos”. Mas nem tudo está perdido! É possível encontrar o DVD -- sim, eles ainda existem! -- nas maiores lojas on-line a preços módicos.

Ah, e comente aqui me contando o que achou desse filme. Estou curioso pra saber.

-- See you, carnal!

Abaixo segue o Trailer Oficial -- Detalhe: não encontrei a versão legendada.

Official Trailer: Blood In, Blood Out (1993)

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.