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O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS | CRÍTICA

Disposto a acabar de vez com a magia, o rei Harald resolve lançar todos os seres mágicos e portadores de poderes mágicos na Terra dos Espelhos, junto com sua inimiga, a Rainha da Neve. O que o rei e cientista não contava era que se livrar dos que possuem dons mágicos também incluía se livrar da família da jovem que o ajudou a aprisionar a Rainha da Neve. Agora, Gerda fará de tudo para recuperar sua família… Até mesmo se unir à Rainha da Neve. Este é o plot de O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS, animação russa que estreia nos cinemas brasileiros no dia 21 de novembro, mas com pré-estreia a partir de 15 de novembro. E no elenco de dublagem estão Larissa Manoela, João Côrtes e Igor Jansen.

Direcionada ao público infantil, O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS é uma produção leve, divertida, com bons acertos técnicos no que tange animação e boa dublagem. A trama, porém, decorre com alguns problemas de edição que evidenciam corte orçamentário no produto final, o que é realmente uma pena, pois as escolhas dos cortes de certas cenas prejudicou o desenvolvimento especialmente do segundo ato do longa animado.

Nesta crítica vamos abordar os pontos altos e baixos de O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS e também comentar algumas curiosidades.

Como de costume, o texto a seguir não contém quantidade significativa de spoilers.

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MEUS PAIS TÊM PODERES MÁGICOS, MEU IRMÃO TAMBÉM TEM PODERES MÁGICOS… MAS EU NÃO.

Star Talents. Esse termo tem ficado cada vez mais conhecido. Trata-se de artistas, influenciadores, cantores, pessoas públicas, apresentadores e até mesmo atores que não são dubladores, mas que são convidados a participar do elenco de dublagem de filmes, games, séries e afins, muitas vezes a convite da produtora e/ou estúdio que está produzindo a obra para alavancarem o marketing do produto. Ou seja, é puramente uma estratégia de marketing. Não é nem necessariamente bom, tampouco necessariamente ruim. Vai muito da proposta e, claro, do empenho do Star Talent contratado, porque você pode ter o melhor e mais competente diretor de dublagem e ainda assim, se não houver empenho, seu Star Talent pode muito bem tornar a película (ou game) intragável por conta da má vontade na hora de dublar. Em O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS temos o exato oposto.

Larissa Manoela, João Côrtes e Igor Jansen definitivamente entregam uma dublagem aceitável e bem ajustada. Há poucos momentos de estranheza, onde se tem impressão de que as vozes não “colam” nos personagens. Aliás, esses momentos são bem poucos mesmo. O trabalho da direção de dublagem da animação ficou realmente muito bom.

A estratégia de utilizar Star Talents nas dublagens nem sempre agrada ao público, mesmo os fãs do(a) artista/influencer contratado(a), mas é difícil não elogiar o resultado obtido em O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS. As vozes não apenas soam naturais aos personagens, como também exibem fluidez dos atores na hora de dublar. Esse é um ponto alto e bastante positivo do filme.

Se você quiser saber mais sobre Star Talents pode conferir nossa entrevista com atriz, dubladora e diretora de dublagem Mabel Cezar em nosso podcast. É só clicar aqui. Há também um vídeo da Mabel Cezar e da Rayani Immediato falando sobre o assunto. É só clicar aqui.

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VEJA BEM, A MÁGICA É MÁ. ELA QUASE MATOU A GENTE.

Outro ponto alto a ser mencionado em O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS é a qualidade da animação. Para um projeto de baixo orçamento, os quesitos técnicos de render, texturas, iluminação, cor e movimentação estão muito bons, especialmente movimentação. É bem verdade que o apelo cartunesco desse tipo de obra é disposto de gesticulações exageradas características, só que se estas não forem bem dosadas dentro de uma determinada proposta podem ficar estranhas, o que não é o caso aqui.

O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS não chega a ser um marco da animação 3D, mas definitivamente não é ruim ou malfeita. Pelo contrário, são poucos os momentos em que a animação causa estranheza.

Embora esta seja uma produção de baixo orçamento, é visível um grau alto de cuidado na hora de apresentar o mundo em que a história se passa. Você tem locações com design interessante, cores vivas, paisagens bonitas, maquinários detalhados, criaturas que exibem variedade e riqueza de texturas como, pele, pelo, escamas, rochas, transparências… Enfim, um trabalho muito meticuloso.

O maior problema, a meu ver, pode estar no design dos olhos dos personagens. Pra ser mais justo, no design dos olhos de alguns dos personagens. Há momentos em que eles parecem não combinar com a estética do longa. Curiosamente, esse problema se dá em personagens secundários, onde também é possível notar que além de não “casar” de maneira estética, os olhos são opacos, não têm o mesmo brilho que os olhos dos personagens principais. Talvez uma solução para o baixo orçamento, visando reduzir o tempo de renderização? Talvez… O fato é: esse problema existe e é perceptível.

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CAROS CIDADÃOS, TODO MUNDO QUE TIVER PODERES MÁGICOS ESTÁ CONVIDADO PELO REI A COMPARECER NO PALÁCIO REAL PARA MOSTRAR SUAS HABILIDADES.

O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS é uma continuação direta aos acontecimentos de O REINO GELADO: FOGO E GELO (2017), que traz basicamente o mesmo elenco de Star Talents, com exceção de João Guilherme Ávila.

O REINO GELADO é uma franquia cinematográfica infantil que teve início na Rússia, em 2012 com o título original SNEZHNAYA KOROLEVA, mas que ficou conhecida pelo título em inglês THE SNOW QUEEN. E sim, prezado leitor, essa é a animação que inspirou FROZEN.

A série é inspirada na obra de Hans Christian Andersen, famoso poeta dinamarquês e escritor de histórias infantis e contos de fadas como O Patinho Feio, O Rouxinol e o Imperador da China, A Princesa e a Ervilha, A Roupa Nova do Rei, O Abeto de Natal, Os Cisnes Selvagens, O Jardim do Paraíso, A Pequena Sereia, A Rainha da Neve, A Polegarzinha, A Pequena Vendedora de Fósforos, O Soldadinho de Chumbo e inúmeros outros títulos.

O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS é o quarto filme da franquia que acompanha as aventuras de Gerda, uma jovem, filha de mágicos, mas que não possui poderes mágicos, apenas sonha em tê-los. Claramente voltado para o público infantil, O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS pode ser uma boa pedida para os pais que querem levar os filhos ao cinema.

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ACHO QUE JÁ ESQUECI COMO É O MUNDO EXTERIOR.

Falando agora um pouco sobre os problemas de O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS, basicamente a obra apresenta falhas de edição. A partir do segundo ato, a narrativa é tomada por cenas e mais cenas que soam desconexas, que deixam claro que diálogos importantes foram cortados para reduzir o tempo de duração da animação.

Por vezes é possível perceber diálogos que simplesmente expressam apenas o meio de um raciocínio, ou mesmo o meio de uma conversa. Ou seja, não há prévia e não há conclusão. Esse problema, curiosamente, é mais recorrente com as falas da Rainha da Neve.

É bem verdade que no terceiro ato esse enrosco com a edição dos diálogos é corrigido, mas infelizmente, nesse ponto, os problemas já foram tantos que o expectador se sente desconexo.

O ápice da história de O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS ainda assim consegue entregar boa dose de emoção e diversão, com alguns entraves na animação, mas ainda assim é divertido, porque de maneira geral a história é bem dinâmica e não cansa a audiência.

Como dito anteriormente, O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS pode ser uma boa pedida para os pais que querem levar a criançada ao cinema.

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VEREDITO

Divertida, dinâmica, bem produzida, com alguns problemas técnicos de edição, uma ou outra decisão infeliz na hora de poupar no orçamento, mas com um bom elenco de Star Talents na dublagem brasileira, O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS é uma animação que pode até surpreender em certos aspectos.

Longe de ser um marco na história da animação, mas também longe de ser um desastre, O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS consegue entregar uma experiência interessante tanto do ponto de vista visual, quanto narrativo e até auditivo.

Com um enredo que tenta resgatar os tempos áureos dos Contos de Fadas, O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS pode agradar a criançada e também pais, mães e demais familiares que gostam desse estilo de narrativa.

Infelizmente, por conta dos problemas técnicos e estéticos justamente no ponto de maior peso para o desenvolvimento dos personagens, o Segundo Ato, O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS cai de BOM para REGULAR. Ainda assim, é um título que vale a atenção do público.

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FICHA TÉCNICA

Título Original: Snezhnaya Koroleva: Zazerkale (The Snow Queen: Mirror Lands)
Lançamento: 21 de novembro de 2019
Direção: Robert Lance, Aleksey Tsitsilin
Roteiro: Andrey Korenkov, Robert Lance, Vladimir Nikolaev, Aleksey Tsitsilin, Aleksey Zamyslov

Trilha Sonora: Fabrizio Mancinelli

“O Reino Gelado: A Terra dos Espelhos” é uma produção inspirada nos contos de Hans Christian Andersen.

Elenco Original: (sem informações disponibilizadas)
Dublagem: Larissa Manoela, João Côrtes e Igor Jansen

Trailer:

O REINO GELADO: A TERRA DOS ESPELHOS | NOVO TRAILER

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não do filme. Então, conta pra gente o que você achou nos comentários.

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.