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OS FUROS DE VINGADORES: GUERRA INFINITA

VINGADORES: GUERRA INFINITA teve sua estreia e semanas subsequentes de plena glória. Aclamado por fãs e críticos ao redor do mundo, o longa teve sua exibição aplaudida de pé em diversas salas de cinema do planeta tanto em sua pré-estreia como em sua estreia. Contudo, como nada é perfeito, a película apresenta erros. Alguns de roteiro, outros de edição, um problema ou outro aqui e ali de CGI… Sim, estes problemas existem. Goste você ou não, OS FUROS DE VINGADORES: GUERRA INFINITA existem e levar em consideração alguns deles pode inclusive fazer você questionar se os futuros alternativos visto pelo Doutor Estranho estavam mesmo corretos.

Em nossa crítica a VINGADORES: GUERRA INFINITA deixamos claro que por [a crítica] se tratar de um texto com baixa quantidade de spoiler traríamos, em um texto separado, OS FUROS DE VINGADORES: GUERRA INFINITA. Pois bem, a hora chegou. Neste abordaremos tais erros e faremos algumas especulações que se tornam possíveis graças aos mesmos.

Aviso! O texto abaixo contém alta quantidade de spoilers. Não recomendamos a leitura caso ainda não tenha assistido ao título em questão.

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Antes de dar seguimento com os erros um ponto precisa ser deixado bem claro: O TEXTO ABAIXO DEMONSTRA ALGUNS DOS FUROS E PROBLEMAS DE VINGADORES: GUERRA INFINITA, NÃO TODOS. Retratar todos os erros tornaria este artigo imenso e passaria a imagem errônea de que este que vos escreve é só um reclamão que procura pelo em ovo -- não que não seja verdade (risos). Mas a ideia com este é apenas abrir a discussão com a galera nerd que gosta desse tipo de conversa. Que despende horas teorizando a respeito de como o filme “X“, “Y” ou “Z” seria se não tivesse aqueles determinados erros e de como essa mesma galera se diverte com essas conversas. Digo por experiência própria, não sou o único a gostar desse tipo de nerdice. E sim, um texto similar já foi feito com os personagens da DC nos cinemas. Além disso, também comentamos sobre erros gerais nos universos cinematográficos da Marvel e da DC em nosso podcast, o LEPOPCAST. Abaixo, links dos episódios em que já abordamos o assunto:

LEPOPCAST 18 | UNIVERSO DC NAS TELAS -- ERROS E ACERTOS

LEPOPCAST 19 | UNIVERSO MARVEL NAS TELAS -- ERROS E ACERTOS

LEPOPCAST 32 | O PROBLEMA DOS FILMES DE HERÓIS

Vale ressaltar que embora os erros a seguir estejam enumerados, isto não quer dizer que se trata de uma classificação ou de ordem cronológica dos fatos. É apenas uma forma de organizar melhor o assunto.

Isto posto, bora lá!

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OS FUROS DE VINGADORES: GUERRA INFINITA

1 -- Senhor das Estrelas e o vacilo do Mago-Nem-Tão-Supremo-Assim

Quando Stark, Estranho e Parker se juntam a Peter Quill, Drax, Mantis e Nebula, em Titã, para enfrentarem Thanos, temos alguns furos de roteiro. E a coisa é tão séria que o filme poderia ter acabado literalmente ali -- se o “Mago Supremo” realmente tivesse feito valer a alcunha.

Após finalmente conseguirem segurar Thanos, com o auxílio de Mantis o deixando mentalmente instável (a muito custo, diga-se de passagem), enquanto Estranho, Stark e Parker puxam a Manopla do vilão, Quill perde o controle, desfere várias coronhadas no rosto de Thanos, faz Mantis soltar as mãos e cancelar a ação de seus poderes sobre o tirano, o que põe tudo a perder e faz Thanos lançar todos aos ares.

Pergunta simples: Não tinha ali no meio, alguém… Algum “Mago” “Supremo” em posse de uma Joia do Infinito, capaz de controlar o tempo? Capaz de fazer voltar o tempo e impedir a idiotice do Peter Quill?

Pois é, caro leitor. O feiticeiro mais poderoso do Universo Marvel, que em seu filme solo teve a pachorra de criar um loop temporal para vencer (pelo cansaço) Dormammu, foi incapaz de pensar em voltar no tempo e criar alguma forma de impedir Quill de atrapalhar os demais, ou mesmo de voltar no tempo e aprisionar Thanos num loop temporal antes que este colocasse as mãos na primeira Joia do Infinito.

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2 -- Now, the World Don’t Move to the Beat of Just One Drum

Ainda tendo como quadro a mesma cena, vemos num momento antes, quando os heróis se unem para segurar Thanos, o Doutor Estranho cria o que seria uma série de “cordas” (ou chicotes) que enrolam a Manopla e impedem o antagonista de fechar a mão e acionara o poder das Joias já adquiridas.

Pois é… Mais uma vez o homem que chamou Stark de burro (por mais de uma vez na trama) demonstrou não ser lá tão inteligente assim, visto que em vez de conjurar as “cordas” (ou chicotes) poderia muito bem ter aberto um portal ao redor da Manopla e o fechado logo em seguida, cortando o braço de Thanos com Manopla e tudo, pondo fim no problema ali mesmo -- ressaltando que o Mago Supremo já tinha usado da mesma estratégia horas antes, na Terra, com o soldado de Thanos, Cull Obsidian.

Vale lembrar que dentre os portais que o Doutor Estranho é capaz de abrir, estão também portais para dimensões das quais apenas ele tem acesso (pelo menos nas HQs), ou seja: Thanos nunca mais veria o cotoco de seu antebraço, a Manopla ou mesmo as Joias já conquistadas.

Pode subir os créditos ao som da abertura de Diff’rent Strokes

Diff'rent Strokes - theme song (longer version)

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3 -- Tony Stark, A Dois Raios de Salvar o Universo

Continuando em Titã (sim, há bastante coisa errada por lá), mesmo que o Mago-Nem-Tão-Supremo-Assim não tivesse cortado o braço de Thanos ou usado a Joia do Tempo para detê-lo, nosso gênio-bilionário-playboy-filântropo poderia, ao mesmo tempo, resolver a birra de Quill e o despertar de Thanos com dois raios de energia disparados concomitantemente.

Stark nem ao menos precisaria que os raios fossem muito fortes. Sendo o suficiente para jogar Quill à distância e empurrar Thanos para que o Aranha acabasse de retirar a Manopla do vilão. E outra, com plena certeza a armadura de Stark deve ser capaz de calibrar a potência de disparo de cada mão individualmente, em vista do que essa nova versão de sua armadura demonstrou no filme.

Se você está se questionando se Stark seria realmente capaz de pensar em algo do tipo no calor do momento, minha resposta é: reveja a luta dele no mano-a-mano com Thanos e preste atenção na velocidade de raciocínio que Stark demonstra durante o embate, criando e criando cada vez mais e mais artefatos nano tecnológicos (via pensamento) na tentativa de vencer o antagonista.

Iron Man Vs Thanos - Fight Scene - Avengers Infinity War (2018) Movie CLIP HD

Isso tudo sem contar que na hora que Thanos está prestes a matar Stark, Estranho poderia, só pra variar, ter aproveitado o momento e decepado o braço do genocida.

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4 -- Shuri, Banner, Visão e a Culpa dos Inocentes

O outro furo da história de VINGADORES: GUERRA INFINITA é deveras curioso.

Claramente pensando em mostrar ao público o quão superior é o intelecto de Shuri, se comparado ao de Banner e Stark, os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely ignoraram completamente o roteiro de Joss Whedon em VINGADORES: ERA DE ULTRON e acabaram por dar uma bola fora nos fatos da trama que ligam os títulos.

Quando o Capitão América e sua comitiva pousam em Wakanda buscando resolver o problema entre a Joia da Mente, a personalidade do Visão e a morte eminente do mesmo caso tenham  de destruir a Gema, os Vingadores são levados à princesa de Wakanda, Shuri, responsável por todo o desenvolvimento tecnológico do reino mais avançado da Terra.

Tão logo Bruce Banner explica para Shuri o problema, ela o interrompe questionando por que cargas d’água Banner e Stark, quando construíram o Visão, não fizeram com que a Joia da Mente, a consciência de Ultron e a Inteligência Artificial de J.A.R.V.I.S. fossem configuradas pra trabalhar coletivamente, como uma única forma de consciência/inteligência. Nessa hora Banner faz cara de paisagem, gagueja e vocifera um envergonhado “nós não pensamos nisso na época“.

O problema, caro leitor deste site, é que quem construiu o Visão e o configurou POR COMPLETO foi Ultron (como visto em VINGADORES: ERA DE ULTRON), não Stark e Banner. Estes apenas tentavam decifrar a forma de vida inteligente por trás da Joia utilizando J.A.R.V.I.S. para isto quando acabaram por criar Ultron. Nada tiverem a ver com o desenvolvimento do Visão. Os Vingadores roubaram o projeto do novo corpo de Ultron antes que este o concluísse. E mais, sequer tiveram tempo de estudá-lo ou concluir o upload da matriz de J.A.R.V.I.S. no corpo do Visão, porque o Capitão América junto com Wanda e Pietro interromperam esse processo, então se iniciou uma briga, Thor apareceu e descarregou um raio colossal na câmara que armazenava o corpo que deveria pertencer a Ultron, mas que a partir daquele momento passou a ser do então mais novo Vingador, Visão.

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5 -- Abracadabra

Ainda em Wakanda, envolvendo Shuri e Visão, temos mais um furo de roteiro que também configura um furo na edição (corte) do longa.

Assim que a batalha no reino do Pantera se acalora e Shuri corre contra o tempo para concluir a árdua missão de colocar todas as consciências que moldam a mente do Visão para trabalharem em uníssono, um dos soldados do exército de Thanos surge mis-te-ri-o-sa-men-te no laboratório da cientista e parte pra porrada com os guardas no local a fim de eliminar Shuri e Visão.

Perguntas: Em que momento esse indivíduo passou por toda a batalha que acontecia NA ÚNICA BRECHA ABERTA do escudo que bem protegia Wakanda (muito bem, diga-se de passagem) e chegou ao laboratório ileso? Como ele sabia onde encontrar Visão? Como sabia o local exato do laboratório?

Este tipo de erro tanto configura um problema sério de roteiro quanto um problema sério de edição, porque se a cena de como o comando invade o laboratório de fato chegou a ser escrita e gravada, a decisão de cortá-la na edição deixa uma parte muito importante da história sem pé nem cabeça.

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6 -- T’Challa e a Arte da Guerra

Nem sempre, em uma guerra, quem tem mais soldados ganha. É preciso uma estratégia muito bem pontuada, mesmo estando em maior número, para poder ganhar uma guerra. A história se cansa de nos dar exemplo disto. Entretanto, é inegável que se você puder poupar a maior quantidade de soldados em uma batalha, mais chances você terá de vencê-la. A história também nos demonstra isso de maneira cristalina.

Tendo isto em mente, é no mínimo curioso ver um rei que dispõe de tamanho aparato tecnológico (literalmente vitalício) simplesmente descartá-lo no momento em que mais precisa.

Imagine você, leitor, que você seja um monarca, líder de uma grande nação que está prestes a ser invadida por guerreiros inescrupulosos, mas você detém uma tecnologia que pode te dar uma baita vantagem na batalha justamente por preservar a vida de muitos de seus soldados. Você certamente faria uso de tais artifícios, certo? Pois é… Só que T’Challa não.

Em PANTERA NEGRA vemos Erik Killmonger dar início a seu plano logo após ser coroado rei de Wakanda. Killmonger queria levar as armas de Vibranium do reino do Pantera Negra para o resto do mundo e dar início a uma revolução armada.

Agora vem a pergunta de um milhão de dólares: Com que meio de transporte Killmonger pretendia levar estas mesmas armas ao resto do globo? Exatamente, caro leitor! Com as chamadas Libélulas (Dragonflies, no original em inglês), as naves de altíssima tecnologia de Wakanda. Ou melhor, UM DOS MODELOS de naves de altíssima tecnologia de Wakanda, visto que o filme nos apresenta mais outros modelos, embora não os nomeie ao espectador.

E qual o ponto que quero chegar? Simples: quando o agente da CIA Everett K. Ross (interpretado por Martin Freeman), após receber o tratamento para sua coluna em Wakanda, se propõe a ajudar T’Challa na batalha contra Killmonger, Shuri lhe confia a missão de destruir as naves Wakandinas que estavam sob o comando de Killmonger. É então que Shuri enfatiza o fato de Ross ter sido um exímio piloto da Força-Aérea Americana e lhe mostra que é possível usar um controle à distância para operar as naves. Ou seja, além de completamente customizável, a nave é segura para quem a pilota, uma vez que preserva a vida do piloto, mesmo tendo sua aeronave abatida.

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Pergunta de dois milhões de dólares: Cadê essas mesmas naves na hora da batalha contra o exército de criaturas de Thanos? (E olha que eu nem vou mencionar aqui os rinocerontes do filme do PANTERA NEGRA que também, misteriosamente, não apareceram numa situação tão calamitosa).

Não seria uma boa estratégia o Pantera Negra, ao mandar abrir a sessão 17 do escudo de Wakanda, também mandar seus pilotos usarem -- à distância -- as naves de guerra para arrematar o máximo possível de intrusos alienígenas e suas naves, e de quebra poupar a maior quantidade possível de seus soldados para um momento realmente necessário?

Tá, daí você, leitor, rebate:

-- Mas em momento algum de Pantera Negra a Shuri diz que todas as naves de Wakanda são equipadas com aquela tecnologia de controle remoto.

E eu, neste momento, enfatizo a você, caro leitor:

PIOR AINDA! Como que uma tecnologia tão vital pra logística de guerra, infiltração, espionagem, ronda, fuga e etc. está confinada às mãos de apenas UMA pessoa? Como? Como que o rei, o líder supremo desse território não questiona o fato de algo tão importante não estar disponível a todos os seus comandos, inclusive para gerar mais confiança entre os soldados e seu rei, por verem que o monarca se preocupa com a vida de seus combatentes?

Sendo bastante honesto, até agora não sei quem é pior no quesito “inteligência”, se é o Doutor Estranho ignorando que pode voltar no tempo e conjurar portais; se é o Dr. Bruce Banner se sentindo culpado pelo erro que não cometeu; se é a Shuri possivelmente tendo criado uma tecnologia extrema e literalmente vital para abrir uma descomunal vantagem numa guerra e tendo sobre esta o uso restrito ou se é o T’Challa por ignorar tal tecnologia e bolar a pior estratégia de guerra já vista, sabendo que lhe custaria inúmeras vidas Wakandinas.

Detalhe: se levarmos em consideração a aparição misteriosa do guerreiro alienígena que desponta no laboratório de Shuri, podemos considerar que talvez a milícia de Thanos tivesse alguma tecnologia que os permitissem atravessar o escudo de Wakanda. Isso coloca o roteiro numa completa situação de bagunça, pois se eles [aguerridos de Thanos] de fato possuíam tal tecnologia, por quê diabos não a usaram pra fazer um ataque de dentro pra fora em Wakanda? Com esse questionamento em mente, fica difícil não incluir a tropa de Thanos no parágrafo anterior.

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7 -- Capitão América, o Homem que deixou a Oportunidade Escapar pelos Dedos

Como se não bastasse ser reduzido a um líder que não lidera, não tem voz de comando e não se pronuncia, em VINGADORES: GUERRA INFINITA, Steve Rogers ainda deixou passar por seus dedos, no sentido mais literal da palavra, a oportunidade de desarmar Thanos e muito provavelmente por um fim na batalha ali mesmo, antes do vilão colocar as mãos na última Joia do Infinito.

Em Titã foram necessários Drax, Stark, Parker, Estranho, Nebula e Mantis para dominar Thanos. Contudo, na Terra, foi preciso apenas o Capitão América para parar o facínora. E o melhor de tudo, Rogers chegou a por as mãos na Manopla.

Vamos considerar o seguinte quadro: Se o Capitão América teve tanta força pra sozinho parar o avanço de Thanos, mesmo que momentaneamente, a ponto do próprio tirano ficar impressionado, por que, cargas d’água, Rogers não aproveitou sua força naquele momento pra agarrar a Manopla, pegar impulso, pular erguendo o braço de Thanos e, com ambos os pés no peito do mesmo, dado outro impulso com toda sua força para tirar a Manopla da mão do invasor? Porque mesmo que o segundo impulso não tivesse arremessado Thanos à distância, teria projetado Rogers para longe já com a Manopla em punho.

Uma observação interessante: Em VINGADORES: ERA DE ULTRON enquanto o Capitão América tentava interceptar o comboio de Ultron, Gavião-Arqueiro se pronuncia diretamente ao Capitão com um “você não é páreo pra ele, Capitão“. Rogers concorda fazendo piada de si mesmo, “obrigado, Barton“. Já em CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL quando Bucky Barnes, sob controle mental, entra no helicóptero para deixar o prédio das Nações Unidas vemos Steve Rogers se atracar no helicóptero, forçar sua descida e, com muito custo, impedir sua decolagem.

Não é interessante reparar que este mesmo Capitão América que reconheceu não ser páreo para Ultron e fez um esforço descomunal pra parar um helicóptero misteriosamente conseguir parar (mesmo que momentaneamente) o avanço do ser que derrotou o Hulk no mano-a-mano?

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8 -- Hulk? Bitch, please… Nós temos a Wanda… Só que não

Esse em particular é um dos vários problemas de estabelecimento de poderes de personagens que, de maneira geral, apavora roteiristas pelo mundo a fora. E sim, há diversos destes casos ao longo de VINGADORES: GUERRA INFINITA, mas só vamos abordar aqui alguns deles.

Quando você cria personagens poderosos, ou com habilidades especiais, e os coloca num mesmo time, é crucial ter seus níveis de poder bem definidos, bem estruturados, para quando tiverem de enfrentar uma determinada situação onde seus poderes precisam ser testados ao máximo, em função de algum inimigo superpoderoso, não haja problemas com a lida de tais poderes; e o que ocorre entre Wanda Maximoff e Thanos é um claro exemplo disso.

Lá está Wanda, em Wakanda, lutando contra o tempo e contra uma decisão muito cruel, ter de tirar a vida de seu amado Visão destruindo a Joia da Mente, que não apenas é um artefato que confere a vida a quem ela ama, mas também é um item muito importante para a conclusão do plano megalomaníaco de Thanos que, aliás está a alguns metros dela e se aproximando.

Na cena descrita acima, Wanda tem duas tarefas árduas a sua frente: destruir a Joia da Mente e impedir que Thanos se aproxime do Visão antes que a Joia seja aniquilada.

O ponto curioso dessa cena é que Wanda teve êxito em AMBAS as tarefas, mas tem um detalhe aí que passou despercebido até mesmo pelos roteiristas: Thanos estava em posse de cinco das Gemas e fez uso do poder delas enquanto estava sendo repelido pela energia emanada por Wanda.

Não entendeu? Tá, vamos lá: Wanda usou, ao mesmo tempo, PARTE de seu poder para quebrar a Joia da Mente e OUTRA PARTE de seu poder para repelir Thanos, que usava o poder das demais cinco Gemas pra tentar se aproximar (com muito custo, diga-se de passagem). Ou seja, ela não estava se concentrando 100% em nenhuma das duas atividades. Imagine, por um momento, se Wanda tivesse se concentrado 100% apenas em combater Thanos.

Isso quer dizer que Wanda, a Feiticeira Escarlate, é mais poderosa do que Thanos em posse de CINCO das seis Joias do Infinito. Se pararmos pra pensar que ela detinha Thanos enquanto destruía a Joia da Mente é possível até especular que ela seja mais poderosa do que as SEIS JOIAS DO INFINITO JUNTAS.

Se Wanda tem tamanho poder consigo, pra quê a Marvel Studios quer trazer a Capitã Marvel pra batalha? Só pra fazer volume? Wanda poderia ter resolvido o problema todo com Thanos SO-ZI-NHA.

Se ele, Thanos, empunhando cinco Joias do Infinito foi detido pela Vingadora sozinha, imagine você o que ela poderia ter feito com o déspota se o Doutor Estranho voltasse no tempo e convencesse Wanda a confrontar o genocida antes que este colocasse as mãos na primeira das Joias do Infinito.

Ressaltando que estamos falando da mesma Wanda que mal conseguiu deter uma explosão em CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL.

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9 -- Thor, o deus do trovão em: Um Machado-Martelo Muito Louco

Vamos continuar a discussão sobre o nível de poder dos personagens.

Já vimos que Wanda era capaz de resolver toda a treta com Thanos sozinha (aliás, se você para pra analisar o que já foi demonstrado até agora nessa leitura, vai ver que mais personagens seriam capazes de lidar individualmente com Thanos), só que pouco após vermos Wanda em ação, os roteiristas nos presenteiam com mais uma revelação: o novo machado-martelo de Thor, o Stormbreaker É MAIS PODEROSO DO QUE TODAS AS JOIAS DO INIFINITO JUNTAS!

Prezado leitor, se você fosse um tirano genocida tentando causar uma hecatombe universal e tivesse de escolher a ARMA MAIS PODEROSA DO UNIVERSO, dentre duas opções, você escolheria a Manopla do Infinito ou o Stormbreaker, o machado-martelo que é mais poderoso do que a Manopla? Pois é…

Já ao final do longa, nos momentos findos da batalha em Wakanda, Thor finalmente se põe face a face com quem assassinou seu irmão, seu melhor amigo e toda tripulação Asgardiana que se encontrava na nave que conseguiu fugir de Asgard (após acontecimentos de THOR: RAGNARÖK). Nesse momento Thanos havia acabado de conquistar a última Joia do Infinito e adquirido seu poder. É então que Thanos recebe um baita raio de Thor e é arrastado para longe. Thanos se levanta furioso, ATIVA O PODER DAS SEIS GEMAS DO INFINITO e faz um disparo direto no deus do trovão. Thor, por sua vez, em meio a seu voo, ergue o Stormbreaker, o carrega com seu poder e arremessa o machado-martelo em Thanos.

Na cena descrita no parágrafo acima acontece algo curioso: Stormbreaker, à medida que avança na direção de Thanos, não apenas fende o raio de energia lançado em Thor como também o aniquila. Ou seja, o poder das Joias que somadas deveria ser in-fi-ni-to… Na verdade não era lá tão infinito assim.

Consegue perceber o quão delicada é essa questão de balancear poderes e habilidades especiais em projetos como VINGADORES: GUERRA INFINITA?

Isso levanta algumas questões:

a) Thanos em posse da Manopla e das Joias do Infinito era de fato uma ameaça universal?
b) Os Vingadores têm certeza de que conhecem seus poderes?
c) A Capitã Marvel é realmente necessária?
d) O Doutor Estranho viu de fato apenas UMA chance de vitoria sobre Thanos?
e) Se Thanos sabia que era possível forjar uma Manopla para acoplar e controlar o poder das seis Joias do Infinito(como é mostrado no filme), como ele não sabia que era possível também forjar uma arma capaz de vencer essa mesma Manopla -- que deveria ser a arma mais poderosa do universo?
f) Digamos que Thanos soubesse da existência do Stormbreaker, por que além de só congelar a forja também não destruir o molde do machado-martelo? Ora, se Thanos, pra garantir que ninguém construísse algo equiparável a Manopla do Infinito, não apenas congelou a fornalha de Nidavellir, mas também obliterou a população de anões deixando apenas Eitri -- e mesmo assim sem duas mãos -, por que então não fazer o serviço direito e destruir o molde da única arma que poderia bater de frente com a Manopla e vencê-la?
g) Vamos manter o cenário onde Thanos sabia do molde do Stormbreaker, por que diabos não forjá-lo e ter ambas as armas em mãos?

E as perguntas continuam. Quanto mais você para pra pensar mais furos vai achar no roteiro de VINGADORES: GUERRA INFINITA.

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10 -- A Matemática de Thanos: 10 -- 5 = 1, e às vezes 0

Vilões são bastante difíceis de construir, em termos de roteiro. Ainda mais quando se tem como meta um vilão que seja cativante e tão inteligente que consiga levar o público a pensar como ele, a aceitar as escolhas vis do antagonista e, de certa forma, até concordar com sua lógica. E “lógica” é justamente a palavra principal quando se visualiza um personagem desse tipo, porque uma vez que a lógica do mesmo é falha… Bom, vamos discorrer isso nos próximos parágrafos.

Thanos -- como os últimos vilões do MCU (Marvel Cinematic Universe) -- nos é apresentado como mais um “incompreendido”. Alguém que é cheio de boas vontades, mas que sabe é preciso se sujar para limpar a bagunça dos outros. Até aí tudo bem. Vamos deixar de lado, no momento, as mudanças estruturais do personagem e nos focar em sua aparição de fato.

Quando a abordagem usada para estruturar um contraventor, um vilão desse tipo se baseia em “fazer o que for preciso pelo bem maior” é necessário um cuidado minucioso na forma de trazer isso à tona, porque com um pequeno deslize de roteiro toda a lógica de raciocínio do personagem pode vir abaixo e com isso seus planos e ações passam de “impressionantes” a “piadas sem graça”. E todo impacto da forma como tal personagem pensa e convence cai por terra, perde-se o encanto pelo discurso do opositor, uma vez que o mesmo passa a ser falho, ilógico. É o que acontece com Thanos em VINGADORES: GUERRA INFINITA.

Vamos por partes.

Thanos se apresenta ao público como alguém que quer “equalizar” a vida no universo. Alguém que quer trazer “equilíbrio” ante um problema econômico, a escassez de recursos. E aqui é interessante ressaltar que quando Thanos enfatiza tal, assume que não apenas a Terra, mas demais planetas das mais variadas galáxias, onde há vida, também possuem sistemas econômicos. Sistemas estes que provavelmente também sejam baseados em preço, visto que a precificação é a forma mais eficiente de indicar o quão escasso é um determinado bem. Sim, caro leitor, estamos falando de oferta e demanda. E não fui eu quem trouxe o assunto para a conversa, foi nosso querido Thanos, filho de A’Lars. Já já você, leitor, vai entender melhor o motivo dessa observação. Guentaí.

Thanos assumir que a escassez de recursos (a nível universal) foi o que o motivou é um ponto muito importante da sua lógica de ação, bem como seu modus operandi de “poupar” “metade” dos habitantes dos planetas por onde passa. Então, vamos primeiro nos focar em seu modus operandi, depois entramos na questão econômica.

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10.1 -- Eu Sabia essa com Maçãs

Quando Gamora finalmente tem a oportunidade de encarar Thanos, faz questão de expor o sofrimento de ser a única sobrevivente de seu planeta. Planeta este que teve a vida dizimada pelo genocida quando ela ainda era criança. Thanos então faz um contraponto, alegando que o planeta de Gamora hoje é próspero e está em melhores condições do que estava na época que Gamora era pequena (antes de Thanos matar “metade” da população do planeta).

O que surpreende nessa cena não é a cara de espanto de Gamora com a notícia de que ainda há vida em seu planeta e ela sequer pensou em voltar lá; mas o fato dos roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely ignorarem completamente os acontecimentos de GUARDIÕES DA GALÁXIA, onde (na cena em que Gamora, Senhor das Estrelas, Groot e Rocket são presos pela Tropa Nova) temos acesso ao banco de dados da Tropa Nova e vemos que de fato Gamora é a única sobrevivente de seu planeta.

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O mesmo ocorre com Eitri em Nidavellir. Thanos matou todos os anões e deixou apenas Eitri com suas mãos danificadas para nunca mais forjar arma alguma.

Ué! Mas segundo o próprio Thanos ele não mata “apenas” metade da população de um planeta e deixa a outra metade viva para “encontrar o melhor caminho”? Pois é, caro leitor. Achamos um erro de lógica e uma Contradição Performativa. Vamos separá-los para facilitar o entendimento:

  •  Alegar que matar metade da população (seja de um dado planeta, seja do universo) vai restabelecer a ordem e garantir paz e prosperidade é um erro lógico, pois quem garante que você não está matando um grupo de pessoas que busca a resolução de conflitos e criar meios de melhor estruturar o planeta? Quem garante que você não está deixando vivo um grupo de indivíduos que tem prazer no caos e no sofrimento? Quem garante que você não está matando médicos, professores, engenheiros, agricultores, economistas, empresários, inventores, cientistas, físicos, matemáticos, filósofos e etc.? E quem garante que você não está deixando viver assassinos, sequestradores, estupradores, pedófilos, ladrões, torturadores, assassinos seriais, estelionatários, canibais, psicopatas e etc.? Porque se você deixa vivo o segundo grupo, o grupo dos malfeitores, não é preciso ser um gênio pra saber qual será o final da história. E ao que parece, Thanos não se preocupa tanto assim em fazer uma análise prévia de suas vítimas.
  • Uma Contradição Performativa é um termo usado pelos estudiosos da Filosofia da Linguagem e da Lógica. E uma maneira bem resumida de explicar do que se trata, segundo o Philosophical Society, é que tal “ocorre quando há uma discrepância entre o ato e o conteúdo, entre a performance e a proposição“. Em termos leigos, uma Contradição Performativa ocorre quando o discurso não condiz com os atos. Essa seria a forma mais simplificada de explicar do que se trata. Aliás, isso é exatamente o que ocorre com Thanos, que alega eliminar “apenas” metade da vida dos planetas por onde passa, mas o que vemos é abissalmente diferente na prática. Thanos invade os planetas, mata a resistência e, daqueles que sobram, às vezes poupa metade, às vezes não. Tomemos a invasão na Terra, por exemplo. Todas as mortes que Thanos causou foram contabilizadas pra saber quantos ele ainda iria poupar? Não é surpresa Gamora, Eitri e Thor serem os únicos sobreviventes dos ataques de Thanos.

Outro ponto interessante de observar é que Thanos já vinha eliminando “metades” de planetas a um bom tempo. O que quer dizer que no exato momento em que ele conquista a última Joia do Infinito finalmente poderia aniquilar “metade” da vida no universo. E por que uso “metade” entre aspas? Duas perguntinhas simples:

Aquilo que antes era “metade” passou a ser inteiro ou ainda seria considerado “metade”? Os planetas por onde ele passou e obliterou o povo sofreriam novas baixas ou seriam poupados?

Quanto mais você parar pra pensar mais confuso fica.

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10.2 -- Recursos são escassos, então é preciso impedir que novos recursos sejam criados pra só então, do nada, surgirem mais recursos.

O subtítulo acima parece uma alegação completamente ilógica, mas não é. Bom… Ilógico é, mas é justamente onde está fundamentado o principal argumento do nosso antagonista. É milimetricamente o que o motiva.

Que Thanos é um mentiroso patológico não resta dúvidas. Isso ficou claro no subitem anterior com sua Contradição Performativa. Mas o que realmente chama atenção é o fato dele apresentar lucidez e convencer tanta gente com um discurso que se fundamenta num erro crasso… Numa total falta de entendimento econômico, o que é estranho para alguém que se julga tão inteligente.

Você não é o único amaldiçoado com o conhecimento“. Não foi essa a frase que Thanos usou com Stark em Titã quando questionado como conhecia o gênio-bilionário-playboy-filântropo? Perceba que com essa frase Thanos também se coloca com um gênio, alguém basto em conhecimento. E talvez o Thanos dos cinemas realmente seja alguém com muito conhecimento em muitos assuntos, mas economia não é um deles.

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De fato, recursos são escassos. E é a escassez de recursos que movimenta a economia. É a escassez de recursos que mostra para o Mercado o que as pessoas mais têm interesse, afinal quanto mais escasso um bem, mais valioso este se torna. Esse é o conceito básico de Oferta e Demanda. E antes de seguir com a explicação vou copiar as palavras que escrevi mais acima:

Thanos se apresenta ao público como alguém que quer ‘equalizar’ a vida no universo. Alguém que quer trazer ‘equilíbrio’ ante um problema econômico, a escassez de recursos. E aqui é interessante ressaltar que quando Thanos enfatiza tal, assume que não apenas a Terra, mas demais planetas das mais variadas galáxias, onde há vida, também possuem sistemas econômicos. Sistemas estes que provavelmente também sejam baseados em preço, visto que a precificação é a forma mais eficiente de indicar o quão escasso é um determinado bem. Sim, caro leitor, estamos falando de oferta e demanda. E não fui eu quem trouxe o assunto para a conversa, foi nosso querido Thanos, filho de A’Lars. Já já você, leitor, vai entender melhor o motivo dessa observação. Guentaí“.

Como este é um texto bem longo por ser muito detalhado é fácil esquecer alguns pormenores escritos anteriormente, e quero que o parágrafo acima esteja bem fresco na sua memória para seguirmos daí.

Segundo a lógica de Thanos, os nativos de um determinado planeta não são intelectualmente capazes de lidar com a escassez de recursos e isso os levará a guerras e mortes em massa -- o que na prática é a mesma coisa que Thanos os oferece -, mas se Thanos tem tanto conhecimento assim sobre as mais variadas culturas dos mais variados mundos… Como lhe falta conhecimento sobre a história destes mesmos mundos?

Peguemos a Terra como exemplo. Até meados do início dos anos 1800 a população mundial era dividia em duas classes apenas, nobres e miseráveis. E não quero dizer “pobres”, porque de fato o que havia era miséria, não pobreza. Pessoas estavam muito abaixo da linha da pobreza. Tanto isso é verdade que a estimativa de vida era baixíssima, até mesmo para os nobres. Contudo, com o surgimento do livre mercado esse quadro foi mudando, pessoas começaram a sair da miséria e emergir, recursos foram criados, novas classes sociais se formaram, a estimativa de vida cresceu, bem como a população mundial.

Hoje dispomos de remédios, itens de higiene básica, tratamento odontológico, alimentos dos mais variados, meios de transporte dos mais variados, moradias que suportam melhor as intempéries da natureza, tratamento médico, sistemas de aquecimento e refrigeração, materiais a prova d’água, a prova de fogo, tratamento para as mais variadas doenças, temos farmácias, ferramentas… É possível fazer uso de luz solar, reaproveitar água da chuva por sistemas de tratamento e por aí vai. Tudo isso são recursos que foram criados mesmo em meio à escassez. Tudo isso possibilitou não só que pessoas saíssem da miséria como também aumentou a expectativa de vida. Aumentou consideravelmente.

Não estou dizendo que a pobreza foi erradicada no mundo, mas que hoje a proporção de pessoas abaixo da linha da pobreza é colossalmente menor do que em meados de 1800 e posteriormente.

Abaixo, um gráfico com dados oficiais da UNESCO e da OurWorldinData.Org comprovando o que escrevo e um artigo com mais informações contidas no gráfico apresentado pelo economista e pesquisador Max Roser. Há inclusive muito mais informações a respeito no Tiwtter de Roser, bem como mais gráficos. Também há muitas outras informações no site OurWorldinData.Org .

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PARA LER O ARTIGO (EM INGLÊS) CLIQUE AQUI

Ou seja, a Terra, onde vivem os humanos, que geralmente são tidos como “menos avançados” (abordagem costumeira na literatura Sci-Fi que explora a vida em outros planetas), é uma refutação viva ao argumento de Thanos. O que quer dizer que Thanos tanto não sabia do que estava falando como também estava privando os habitantes dos mundos pelos quais passava de evoluírem social e economicamente. Isso, na prática, implica na manutenção da pobreza/miséria da população dos planetas por onde Thanos passa.

Ele não parece tão benevolente assim agora, não é mesmo? Nem tão convincente.

Pra quem está reclamando de “querer colocar veracidade demais num filme de herói” deixo duas observações:

  • Se os roteiristas não queriam “veracidade” de fatos, por que então optar por um problema econômico como motivação principal do vilão?
  • Se os roteiristas não queriam “veracidade” de fatos, por que então fizeram questão de mudar a motivação estrutural do personagem em relação às HQs? Nas HQs, pra quem não sabe, Thanos busca as Gemas no Infinito porque quer oferecer um mega sacrifício à sua amada, a Morte. Bom… Na verdade “amada”, uma vez que se trata de triângulo amoroso, já que a Morte na verdade gosta do Deadpool.

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11 -- Detalhes e mais Detalhes

Como último tópico abordado, quero trazer algo mais sucinto e apenas lançar no ar alguns outros problemas que ocorreram na narrativa de VINGADORES: GUERRA INFINITA. A ideia é justamente provocar você que lê a prestar mais atenção a detalhes nos roteiros dos filmes que assiste. Ver quem mais aí também gosta de perceber furos nas produções hollywoodianas.

Um fato curioso a esse respeito é que quando éramos mais novos, minha irmã e eu, na época das locadoras, alugávamos filmes (lançamentos ou não) apenas para procurar erros. Era nossa diversão. Adorávamos tagarelar por horas sobre os erros que víamos nos VHSs, erros de roteiro, continuidade, iluminação, trilha sonora, atuação… Ríamos e nos empolgávamos ainda mais pra achar mais vacilos em outros títulos.

O mais interessante disso? Não éramos os únicos. Muitas vezes passávamos horas conversando com funcionários e donos de locadoras onde tínhamos carteirinhas sobre os furos que encontrávamos. Fizemos muitas amizades assim. Descobrimos mais gente que, assim como nós, também gostavam de caçar falhas nas produções cinematográficas dos mais variados gêneros e subgêneros.

É esse mesmo feeling que quero trazer com este texto. Atingir esse mesmo pessoal que vê na procura de erros do cinema uma espécie de caça ao tesouro.

Sendo assim, vou deixar aqui uma lista pra ver quem aí está atento aos detalhes do título abordado.

Em VINGADORES: GUERRA INFINITA, além dos problemas mostrados neste texto, ainda temos:

  • Erros de CGI (especialmente erros de perspectiva);
  • Erro de cronologia;
  • Erros de edição;
  • Erros de continuidade;
  • Há pelo menos mais 4 (quatro) furos no roteiro (fora o erro cronológico). E esses furos possibilitam criar teorias (como as mostradas neste texto) onde é possível liquidar os planos de Thanos sem grande esforço -- pelo menos 3 (três) desses erros. Há um em especial que não, mas que mesmo assim nos leva a questionamentos interessantes.

Bom, agora é com você que nos lê. Se você também curte encontrar erros em filmes ou séries e gostou deste texto imenso, vai aí nos comentários e descreva quais erros são esses acima, onde eles ocorrem, e diga se você quer ler mais artigos como este aqui no LEPOP.

Vou aguardar os comentários.

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CONCLUSÃO

VINGADORES: GUERRA INFINITA, assim como qualquer outro título cinematográfico está longe de ser “perfeito“, sem furos, sem erros. Mesmo assim, as falhas apresentadas não tiram a diversão que o longa proporciona. Se você ainda não assistiu, assista.

Embora tenha um terceiro ato chocho, como descrito em nossa crítica, VINGADORES: GUERRA INFINITA é um bom filme e vale a pena cada minuto de suas duas horas e vinte e nove.

Esse texto é especialmente dedicado a todos aqueles que assim como eu, minha irmã e diversos amigos nossos, adoram jogar conversa fora sobre falhas em filmes.

Ah! Já ia esquecendo: Repare que erro de continuidade maroto que tem no TRAILER OFICIAL do longa… E até a próxima!

Dica: o vídeo já está no ponto certo. Repare num certo gênio-bilionário-playboy-filântropo.

Vingadores Guerra Infinita - Trailer 2 DUBLADO PT-BR (HD)

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.