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OS PAPÉIS DE ASPERN | CRÍTICA

Dramas geralmente trabalham bem com o tema “obsessão”. Mostrando como pequenas conquistas (aos olhos de uns) podem ser triunfos colossais (aos olhos de outros). Delineando o quão ardiloso alguém precisa ser para atingir seus objetivos, muitas vezes a grandes custos. E em OS PAPÉIS DE ASPERN vemos essa narrativa ganhar vida de uma forma bastante envolvente.

Com uma história simples, sem grandes subtramas, o diretor JULIEN LANDAIS consegue imergir o espectador na história de maneira singular, contado com um afortunado show de interpretação por parte do elenco.

Com estreia marcada para amanhã, 23, OS PAPÉIS DE ASPERN pode ser uma boa indicação aos fãs do cinema de drama. Então, sem mais delongas, vamos à crítica.

Como de costume, o texto a seguir não contém quantidade significativa de spoilers.

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SENTI O DESEJO IRRESISTÍVEL DE SEGURAR EM MINHAS MÃOS A MÃO QUE JEFFREY ASPERN HAVIA SEGURADO.

Um editor ambicioso parte em missão pessoal de adquirir as cartas de amor de um famoso poeta que eram enviadas a sua amante. A amante, agora, é uma senhora de mais de 100 (cem) anos, incrivelmente sagaz, decidida a não partilhar suas cartas e tampouco o mistério que elas guardam.

O editor então seduz a sobrinha da senhora, a fim de usá-la para conseguir as cartas do poeta. Ela aceita a parceria, mas a um custo que o redator não está disposto a pagar.

Com essa trama simples, OS PAPÉIS DE ASPERN transporta a quem assiste para o final do século 19, na cidade de Veneza. Onde a modéstia da narrativa tem um papel crucial em construir toda ambientação de mistério, soberba e sofrimento.

Baseado na peça teatral homônima de HENRY JAMES, publicada em 1888, a película é uma boa opção de entretenimento a quem gosta de dramas, ou até a quem quer sair – mesmo que momentaneamente – das alternativas de blockbusters.

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– NÃO POSSO DECIDIR NADA. PRECISA VER MINHA TIA.

A produção de OS PAPÉIS DE ASPERN é bastante assertiva em diversos aspectos. Os diálogos são precisos, sem rebarbas e nunca entregam mais do que o publico precisa saber naquele momento; o figurino é muito bem arranjado e por diversas vezes remete a pinturas da época; a trilha sonora cai como uma luva misturando Richard Wagner com Franz Liszt. Edição e cinematografia conversam muito bem construindo tensão e aguçando a curiosidade de quem assiste.

Mas é no trabalho dos atores que a obra se destaca. JONATHAN RHYS MEYERS, VANESSA REDGRAVE e JOELY RICHARDSON carregam o desenvolvimento da história com bastante fluidez. E, como era de se esperar, VANESSA REDGRAVE é um show de atuação à parte. Além do mais, é muito interessante ver como mesmo sendo uma releitura para o cinema os atores conseguiram manter certo tom de teatro na interação.

Mas nem tudo são flores e elogios. OS PAPÉIS DE ASPERN tem certas pontas soltas no roteiro que não são explicadas ao final da história e deixam alguns questionamentos em aberto. Muito embora OS PAPÉIS DE ASPERN não seja um filme que se proponha a ser explicativo, as valas abertas fazem diferença para uma conclusão mais redonda.

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– NÃO TENTE ME FAZER NENHUM ELOGIO. FUI MAL ACOSTUMADA QUANTO A ISSO.

De maneira geral, OS PAPÉIS DE ASPERN funciona bem enquanto drama psicológico e garante bom entretenimento aos fãs do gênero.

O título não poupa belos planos abertos; trabalha bem a construção de clímax e prende a atenção do espectador do início ao fim. Além de manter a aura de mistério sempre presente, mesmo após revelar pontos cruciais dos ocorridos passados. Isto porque a simplicidade de OS PAPÉIS DE ASPERN não te deixa fixo apenas em eventos, mas também em motivos. Os “por quês” é que fazem toda a diferença.

Já o terceiro ato é uma gangorra. É propositalmente estruturado pra fazer com que observador tenha a ideia de que o ritmo dos acontecimentos vá cair, mas então o surpreende com mais uma pitada de fatos inquietantes.

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VEREDITO

Envolvente, intrigante, com algumas lacunas a serem preenchidas, mas ainda assim honesto, OS PAPÉIS DE ASPERN é uma produção bem ajustada munida de excelentes atuações.

Com um curioso e interessante tom teatral, a obra cinematográfica baseada nos escritos de HENRY JAMENS trabalha muito bem os diálogos e mantém cativa a atenção do público do início ao fim.

Um destaque maior aos aspectos técnicos que contribuem para uma boa ambientação e engrandecem muito o todo de OS PAPÉIS DE ASPERN.

Definitivamente uma boa opção aos fãs do gênero.

Veredito 4 - BOM

FICHA TÉCNICA

Título Original: The Aspern Papers
Lançamento: 23 de maio de 2019
Direção: Julien Landais
Roteiro: Jean Pavans, Julien Landais, Hannah Bhuiya
Trilha Sonora: Vicent Carlo

Os Papéis de Aspern é uma adaptação inspirada na obra homônima de Henry James.

Elenco: Jonathan Rhys Meyers, Vanessa Redgrave, Joely Richardson, Lolis Robbins, Jon Kortajarena, Poppy Delevingne, Morgane Polanski, Barbara Meier, Alice Aufray, Nicolas Hau, Arianna Addonizio, Alessandro Bressanello.

Trailer:

Os Papéis da Aspern - Trailer

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não do filme. Então, conta pra gente o que você achou nos comentários.

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.