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OS PARÇAS 2 | CRÍTICA

A amizade e o companheirismo podem superar tudo, mesmo a falta de dinheiro e/ou uma rixa antiga com um mafioso recém liberto da cadeia. Em OS PARÇAS 2, nada supera o bom humor e a união dos amigos Toin (Tom Cavalcante), Ray Van (Whindersson Nunes), Pilôra (Tirullipa) e Romeu (Bruno de Luca).

Seguindo diretamente os acontecimentos do primeiro filme da franquia, OS PARÇAS 2 aposta em manter um humor mais leve e, como pontuado pela diretora Cris D’Amato em coletiva de imprensa, “com uma pega mais Trapalhões”. De fato, o longa alude, em certos aspectos, às comédias protagonizadas pelos Trapalhões, contudo há um problema estrutural no roteiro de OS PARÇAS 2 que causa desconexão com o público em momentos importantes.

Nesta crítica vamos abordar os pontos altos e baixos de OS PARÇAS 2 que estreia nos cinemas nacionais no dia 28 de novembro, mas com pré-estreia marcada para o dia 14 de novembro.

Como de costume, o texto a seguir não contém quantidade significativa de spoilers.

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MIL MEU, COM MIL TEU! MIL MEU, COM MIL TEU!

Antes de tudo, é preciso dizer que OS PARÇAS 2 tem uma proposta bastante clara de apelo ao público infantil e infanto-juvenil. Isso torna a análise do filme mais direcionada. Entretanto, erros são erros e precisam ser evidenciados, até para que a produção tenha maior preocupação com tais detalhes numa próxima continuação. E não é por se tratar de uma comédia que o roteiro deva ser descuidado.

OS PARÇAS 2, de modo geral, é mais assertivo do que negativo. Há momentos de arrancar gargalhadas da plateia, como há momentos em que se tem cenas exageradas que não fazem rir, mas tentam. Pode ser que com o público alvo, crianças e adolescentes, tais cenas tenham maior aceitação.

A película apresenta poucos problemas de edição, som, cor e etc. E de acordo com o elenco, também em coletiva com a imprensa, houve diversas versões do longa antes do corte final. Várias e várias alterações foram feitas até chegar ao produto final. De certa forma, deu certo. A história tem ritmo, é dinâmica, não cansa… Os comediantes Tom Cavalcante, Whindersson Nunes e Tirullipa são divertidos, tiveram muito espaço para improvisação, puderam ser eles mesmos, tiveram bastante liberdade criativa… Mas se é tão assertivo, onde estão os problemas? É o que nós vamos ver a partir de agora.

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EI! EXISTE VIDA BARATA, MAS NUM PRESTA NÃO…

Arma de Chekhov, ou Lei de Chekhov é algo que já abordamos em outra crítica. E se você quiser uma explicação detalhada sobre o assunto é só clicar aqui. Agora, sendo mais sucinto, o princípio da Arma de Chekhov diz que se algo (ou alguém) não vai ter utilidade para a narrativa, então que este algo (ou alguém) nem entre na história, pra começo de conversa, por se tratar de uma falsa promessa. Por exemplo, no filme “X” o diretor decide dar um close numa faca sobre uma mesa, mas aquela faca acaba nunca sendo utilizada, ou sequer mencionada depois do close. Isso é fazer uma falsa promessa ao público, é utilizar em vão o Gatilho Mental da Antecipação. E para Anton Chekhov isso era erro gravíssimo e deveria ser evitado a qualquer custo.

Em OS PARÇAS 2, o mau uso do princípio narrativo da Arma de Chekhov aparece algumas vezes. Quando Toin, Ray Van, Pilôra e Romeu chegam à colônia de férias Periquito Alegre, logo de cara vemos esse problema narrativo. As instalações da colônia são retratadas como algo mal assombrado, enfeitiçado. Uma sala de estar repleta de cabeças empalhadas de animais, que continuam vivas, piscando, bramando, mexendo; portas que abrem e fecham sozinhas em momentos tensos… E inclusive a Tia Firmina, interpretada por Cristina Mutarelli, a caseira da colônia de férias, é introduzida como uma espécie de bruxa. Entretanto, logo após essa apresentação de cenário e personagem, nada mais disso é visto ou utilizado. Tia Firmina vira uma senhora comum – um pouco excêntrica, mas comum e o casarão não exibe mais interações paranormais de espécie alguma. Aliás, no dia seguinte à chegada dos Parças na colônia, todos estão perfeitamente acolhidos, não sentem mais medo da casa, não sentem mais medo da Tia Firmina, nada.

Sim, acontecem problemas nas instalações, mas são problemas de sujeira, hidráulica e falta de alimentos exclusivamente, não de assombrações.

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ELE É A CARA DAQUELE JOGADOR…
O AMARAL!
NÃO, NÃO, NÃO. É O VALDERRAME!

Ainda falando sobre o mau uso da Arma de Chekhov em OS PARÇAS 2, isso ocorre também com duas das participações especiais no longa, dois atletas do futebol: Amaral e Falcão.

Amaral é apresentado como o motorista de ônibus de viagem que leva um grupo de adolescentes até a colônia de férias Periquito Alegre. Ele tem alguns diálogos, interage com os Parças, com Tia Firmina, com os adolescentes, com a personagem de Mariana Santos… Enfim, tem relevância para a história – aparentemente. Ele tem um cargo (motorista), tem diálogos, tem personalidade forte (não aceita a zoeira com sua aparência), e tem um motivo para aparecer na história: levar um grupo de adolescentes até o Periquito Alegre. Mas veja só que curioso:

Num dado momento de OS PARÇAS 2, a colônia Periquito Alegre se envolve numa disputa de jogos entre colônias. Os placar dos jogos fica empatado, restando apenas o Futebol como modalidade para decidir quem vai vencer, se é a galera do Periquito Alegre ou os adolescentes da colônia vizinha, supervisionados pela personagem de Mariana Santos.

O jogo começa e o time do Periquito Alegre já sai tomando uma sova, perdendo de zero. É aqui, neste exato momento em que o Gatilho Mental da Antecipação é novamente disparado na cabeça do espectador – e muito provavelmente na sua cabeça também, prezado leitor:

Pô! Os caras tão com o Amaral por ali. Tá na cara que a gente vai ver ele entrando em cena e ajudando a galera a ganhar o jogo.

Esse seria o pensamento mais coeso, visto que o roteiro já apresentou o personagem, o associou ao jogador de futebol, criou uma situação onde se faz necessária a habilidade no esporte em questão… Mas não. Quem aparece para ajudar o Periquito Alegre é o jogador de futebol de salão, Falcão. Completamente randômico, andando pelo entorno do campo, magicamente pergunta justo ao time dos Parças se eles precisam de um jogador. Assim, do nada, sem dizer que o personagem existia, sem estabelecê-lo e pior, após ter mostrado que os arredores da colônia eram ermos, basicamente mato, sem ninguém morando em volta, apenas a outra colônia. E não, nem os membros dessa outra colônia conheciam Falcão.

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VÂMO BRINCAR DE NUVEM?
BRINCAR DE NUVEM?
É! EU VÔ NU E TU VEM.

Necessariamente precisa haver uma “forma correta” de utilizar participações especiais num filme? Definitivamente não. Contudo, a sacada está no “participação especial” e não no “forma correta”.

Teria sido muito mais proveitoso utilizar apenas um dos atletas, justamente porque tornaria especial a participação. Teria gerado conexão com o público, seria um maior reconhecimento ao desportista, suas habilidades… Seria um uso muito melhor de sua presença na narrativa. Você introduz o personagem como “um mero motorista de ônibus”, coloca a galera pra zoar com ele, cria uma rixa entre ele, os adolescentes e os Parças e depois apresenta uma situação onde o personagem é necessário. Decisivo para resolução de um problema que nem os Parças, nem os adolescentes conseguem sobrepor. Assim, de “zoado” o personagem passa a “reconhecido”. Com isso você gera empatia – e ainda passa uma mensagem positiva. Demonstrou que aquela participação é realmente especial.

Há ainda outros momentos desconexos em OS PARÇAS 2, como uma interação que ocorre entre os Parças e os adolescentes, com uma pegadinha. A cena simplesmente não tem contexto, não tem prévia (motivo) e não tem continuidade (consequência). Mas até o momento, nesta crítica já foram alguns spoilers. Entrar em mais detalhes acaba entregando muito da película. A minha recomendação é que você vá ao cinema, assista OS PARÇAS 2 e tire suas próprias conclusões.

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VEREDITO

Leve, despretensiosa, divertida e com alguns problemas de uso de cenas e recursos de roteiro, OS PARÇAS 2 é uma comédia que, de certa forma, tenta resgatar o espírito daquele humor dos TRAPALHÕES e contextualizá-lo para os dias atuais, onde tanto se discute o tal “limite do humor”.

Voltado ao público infantil e infanto-juvenil, OS PARÇAS 2 é uma produção que tem mais acertos do que erros e, de maneira geral, mesmo com os problemas apresentados nesta crítica, consegue arrancar gargalhadas do público em certos momentos.

Ainda assim, com mais pontos altos do que baixos, erros são erros e pelo peso dos erros o filme cai de BOM para REGULAR.

OS PARÇAS 2 | CRÍTICA 1

FICHA TÉCNICA

Título Original: Os Parças 2
Lançamento: 28 de novembro de 2019
Direção: Cris D’Amato
Roteiro: Cláudio Torres Gonzaga

Elenco: Tom Cavalcante, Whindersson Nunes, Tirullipa, Bruno de Luca, Fabiana Karla, Mariana Santos, Leo Cidade, Amaral, Cristina Mutarelli, Falcão, Simone Mendes, Pedro Paulo Vicentini.

Trailer:

Os Parças 2 | Trailer 1 Oficial | 28 de novembro nos Cinemas. Sessões a partir de 14 de novembro

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não do filme. Então, conta pra gente o que você achou nos comentários.

OS PARÇAS 2 | CRÍTICA 3

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.