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POLAR | CRÍTICA

Gratuidade é a palavra que melhor define POLAR, adaptação da Netflix sobre a HQ homônima. Aliás, gratuidade é basicamente o escancaramento das entrelinhas do longa-metragem. Mas calma, vamos conversar bastante sobre cenas gratuitas ao longo deste texto.

Por hora, de maneira introdutória, basta a você saber que POLAR é um filme ruim, propositalmente pensado em sê-lo, com uma história ruim e um plot que teria sido bom, se não tivesse sido construído de maneira ruim. Ou seja, se você gosta de filmes ruins, POLAR é um prato cheio.

Isto posto, bora pra crítica!

Lembrando, como sempre, que o texto a seguir não contém quantidade significativa de spoilers.

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HORA DO BOQUETE…

O que é gratuidade? Quando se diz que um filme tem elementos gratuitos? Bom, um filme gratuito, com elementos gratuitos, claramente não se refere ao preço do ingresso, mas sim ao valor das ações, motivações e reações exibidas no mesmo. Pra ser mais específico, no baixo valor destas. Ou seja, um filme gratuito é composto de cenas, falas, motivações, plots e até atuações que não interferem na trama caso expostas de outra maneira. São tão pobres que sequer fariam diferença para a narrativa se não existissem. Em outras palavras, é pura encheção de linguiça.

Duvida? Então faz o seguinte: acesse seu usuário na Netflix, procure POLAR, clique para assistir, veja os primeiros exatos cinco minutos e um segundo, faça uma anotação mental da cena depois veja o resto do filme. Ao terminar, se pergunte o que mudaria no desfecho do terceiro ato se a cena da piscina fosse diferente. E não, essa não é a única cena gratuita de POLAR, há uma quantia significativa de outras até piores do que essa.

Sim, as cenas de abertura dos filmes servem não só para introduzir os personagens, mas também para dar o tom que vai nortear a produção. Isso mostra ao espectador o que esperar daí pra frente. Contudo, mesmo assim POLAR tem uma abertura completamente gratuita e que pouco influencia nos acontecimentos seguintes.

Não me tome como moralista, mas fato é fato. Uma cena gratuita não interfere em nada no desenrolar de um filme, e de cenas gratuitas POLAR está repleto.

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BA DE YA, SAY DO YOU REMEMBER,
BA DE YA, DANCIN’ IN SEPTEMBER.

Estética é um ponto muito importante de uma produção cinematográfica. Quais serão as cores utilizadas na paleta do Color Grading, tipos de cortes, transições, tipografia, enquadramentos, iluminação… Toda a atmosfera visual de um longa é uma assinatura, uma identidade que conduz o mesmo até o fim. E mais, é um dos chamarizes para a venda do título para o público. É o que guia o tom dos trailers e demonstra ao espectador o que se pode esperar daquela obra.

Muito embora POLAR tenha uma estética moderna, dinâmica e colorida, ela é, por diversas vezes, inconsistente com as cenas em que Duncan Vizla, interpretado pelo ator Mads Mikkelsen, protagoniza.

A adaptação das HQs traz aquele ar de o velho contra o novo, onde um grupo de assassinos mais jovens tem de dar cabo de um veterano que é uma lenda viva entre os assassinos, ao melhor estilo brucutu. E nessa dança entre nova e velha guarda, temos uma bagunça visual e desconexa entre as cenas de Vizla e as dos demais assassinos.

De um lado, o time de assassinos “mais novos”, embora unidos, é pouco organizado, barulhento e com brutalidade excessiva. Já Vizla é dotado de classe, precisão e pouco barulho. Até aí tudo bem. O problema é que a estética de POLAR só conversa bem com o grupo de assassinos que querem a cabeça de Vizla deixando o personagem principal completamente desencaixado. E pior, tenta-se apelar para solidão e tédio para melhor conectar Vizla à cinematografia, mas isso acaba deixando a coisa ainda pior.

A bagunça estética é tamanha que as cenas de Vizla, o protagonista da história, são as que menos te prendem. Uma ou outra cena de ação são de fato bem dirigidas e muito bem feitas, é verdade, mas ainda assim são “uma ou outra”.

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O PESSOAL PERGUNTA POR QUE EU DEIXO O EXAME DA PRÓSTATA POR ÚLTIMO. EU SÓ ACHO LEGAL ENCERRAR COM UMA COISA DIVERTIDA PROS MEUS PACIENTES.

POLAR é a prova de que um elenco com grandes nomes não é sinônimo de boa produção. Mesmo contado com Mads Mikkelsen, Katheryn Winnick, Richard Dreyfuss e até Vanessa Hudgens ainda assim POLAR tem atuações ruins. Muitas delas propositais, isso fica bem claro, mas muitas outras não.

É como se fosse um pano de fundo para colocar cenas gratuitas. Como se os maiores nomes do filme estivessem ali pra manter o público até o final, após uma coletânea de encheção de linguiça que por si só não se sustenta.

Dava pra ser muito mais específico quanto a tudo o que é gratuito em POLAR, mas seria uma série contínua de spoilers, basicamente cena a cena, então não vou estragar a diversão de quem gosta de filmes ruins.

Mesmo assim, fato é que, ainda com tantos contras, POLAR tem boas atuações. Poucas, mas boas. Mads Mikkelsen tem boas cenas de ação e algumas ótimas atuações, Vanessa Hudgens tem boa atuação de maneira geral; já a vencedora do Emmy Katheryn Winnick é ridiculamente mal aproveitada. A lenda vida Richard Dreyfuss tem uma participação pequena, mas até que aceitável e com boa atuação também. Mas de todo o elenco é Ruby O. Fee quem basicamente só foi colocada no filme para aparecer pelada e usar bordões gratuitos. Até mesmo o vilão Blut, interpretado por Matt Lucas, que é o clássico estereótipo de antagonista falastrão e canastrão tem mais utilidade para a história do que Sindy, a personagem de Ruby O. Fee.

O. Fee só tem sua personagem em situação de real importância – ainda que questionável – quase ao final da história. Só. O que é uma pena, porque apesar de nova Ruby vem demonstrando talento em outras produções.

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EU MANDEI CALAR A BOCA, JANE!

Esse é o momento em que você, que lê essa crítica, provavelmente vai estranhar, mas eu particularmente gosto de filmes ruins. Aliás, gosto muito de filmes ruins. Por um detalhe muito simples de explicar: você nunca sabe o que esperar deles.

Por serem, muitas vezes, produções pensadas em ser de fato ruins, com péssimas atuações, histórias cheias de furos, edição tosca, plots tacanhos, e orçamentos dos mais mequetrefes da história do cinema, é difícil saber o que esperar da próxima cena e essa é justamente a graça desse tipo de filme. É sempre uma surpresa atrás da outra. E por mais guilty pleasure que soe isso, é bom ver filmes ruins de vez em quando, seja para dar risadas, seja para passar raiva… Por incrível que pareça é muito mais produtivo aprender sobre cinema com filmes ruins do que com filmes bons, justamente porque um filme ruim te mostra o que não de ser feito numa produção.

Mas… POLAR é outra história. POLAR é previsível. Você sabe aonde a história vai te levar. E as únicas cenas que não são previsíveis são as cenas gratuitas, o resto da trama é inteiramente previsível e isso tira toda a graça desse gênero de filme.

Em outras palavras, para alguém que gosta de filmes ruins escrever uma crítica dizendo que não gostou de um filme ruim é porque a coisa é séria.

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VEREDITO

Audacioso, moderno, confuso, gratuito, brutal e pouco envolvente, POLAR é uma produção que tenta ser divertida, mas falha feio e sequer consegue prender a atenção do espectador nem pela história, nem pela estética.

Munido de um elenco misto com grandes nomes e outros nem tanto, o longa-metragem da Netflix consegue, basicamente, nivelar todos por baixo com suas cenas desconexas e proposta ousada.

Fica evidente pelas poucas boas atuações de POLAR que o filme em alguns momentos tentou ser bom, o que demonstra covardia. Se você está se propondo a fazer um filme ruim, faça. Assuma a intenção de Trash, assuma a tosquice e as tendências canastronas. Assuma o ruim. Mas assuma. Não fique no esquindô lelê de ora ser ruim, ora tentar ser bom. Isso não funciona, além de ser tedioso.

Contudo, de modo geral, POLAR, por incrível que pareça, ainda tem bons momentos de atuação e algumas boas cenas de ação. Mas todo lado bom de POLAR é contido. Muito contido.

FICHA TÉCNICA

Título Original: Polar
Lançamento: 25 de janeiro (Alemanha)
Direção: Jonas Åkerlund
Roteiro: Jayson Rothwell e Víctor Santos

Polar é uma criação de Víctor Santos e pertence ao universo das HQs da Dark Horse.

Elenco: Mads Mikkelsen, Duncan Vizla, Vanessa Hudgens, Camille, Katheryn Winnick, Vivian, Fei Ren, Hilde, Ruby O. Fee, Sindy, Matt Lucas, Blut, Robert Maillet, Karl, Anthony Grant, Facundo, Josh Cruddas, Alexei, Lovina Yavari, Junkie Jane, Ayisha Issa, Jazmin, Pedro Miguel Arce, Anastasia Marinina, Evalina, Martin Zolotarev, Richard Dreyfuss, Porter, Inga Cadranel, Jill Frappier, Nia Roam, Julian Richings, Johnny Knoxville, Roman Lebeau, Dmitry Chepovetsky, Sofia Grossi, Elizabeth Erhart, Nihaal Chatha Fa, James Courtney, Marsha Mason, Ken Hall, Calwyn Shurgold, David Maclean, Emily Debowski, Jamillah Ross, Michael Ayres, Angela Maiorano Thurston, Maria Nash, Robert Clarke, Craig Burnatowski, Joe Delfin, Yana Gold, Drew Catherine, Sima Fisher, Pastel Supernova, Carrie Eklund, Carla Jean Aikin, Brandy Dawley, Tess Osgood, Lee Villeneuve, Neven Pajkic, Kirpa Budwal, Bobby Brown, Michael Giel, David Jack, Adam Winnick, Adrian Persad, Louis Paquette, Mike Joseph.

Trailer:

Polar | Trailer Oficial [HD] | Netflix

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não do filme. Então, conta pra gente o que você achou aí nos comentários.

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.