Le|Pop
Titãs-Titans-Critica-Banner-lepop

TITÃS | CRÍTICA

Uma afortunada surpresa emerge dos estúdios da Warner Bros. indo na contramão de tudo que já foi produzido pela CW até o momento. TITÃS (Titans), exibida na íntegra pela DC Universe – plataforma de streaming da DC Comics/Warner Bros. -, estreou recentemente na Netflix e atingiu proporções mundiais.

TITÃS conta com uma trama com certo grau de dinamismo (embora se perca em alguns momentos), algumas boas atuações, lutas malandramente coreografadas e efeitos visuais algumas vezes muito bons e outras… Bem… É… O tigre do MUTANO já responde abaixo:

Titãs-Titans-Critica-Tigre-Mutano-lepop

Neste texto vou discorrer alguns pontos críticos da série que deu início ao serviço de streaming da DC e que mesmo não sendo uma produção espetacular é muito superior a tudo que foi produzido pela CW.

Como de costume, o texto a seguir não contém quantidade significativa de spoilers.

Titãs-Titans-Critica-Mutano-Ravena-Robin-Estelar-lepop
Imagem de divulgação é outra coisa, né? Olha como tá nítida e sem aquele breu exagerado – Já vai entender esse comentário, calma.

OVERVIEW

Se você, que lê esta crítica neste momento, já é um leitor assíduo do LE|POP então já deve ter ouvido vários episódios do nosso podcast, o LEPOPCAST, em que eu deixo claro o quanto desgosto das produções da CW e, de maneira geral, todas as séries live action de personagens da DC já produzidas até então – salvo a série inglesa CONSTANTINE (2014) da NBC. Agora, se você é um leitor que nos segue há pouco tempo, então vou deixar listado abaixo os episódios em questão pra você ouça – e também se divirta, é claro.

Episódios do LEPOPCAST mencionados:
LEPOPCAST 18 | UNIVERSO DC NAS TELAS – ERROS E ACERTOS;
LEPOPCAST 22 | FILMES DE ARTES MARCIAIS;
LEPOPCAST 28 | FILMES TRASH;
LEPOPCAST 32 | O PROBLEMA DOS FILMES DE HERÓIS.

E, particularmente, como fã dos personagens da DC, por ver tanto descaso nas séries até hoje apresentadas, tive bastante relutância em assistir TITÃS. Mas para a minha surpresa TITÃS é realmente uma boa série. Não chega a ser espetacular, mas é boa. Se compararmos ao que já vimos até hoje, aí sim dá pra dizer que “é maravilhosa”.

Com uma forma bastante humana de apresentar os personagens, TITÃS chega como um novo fôlego ao público nerd que gosta de ver seus heróis favoritos das HQs adaptados às telas. E, com os cancelamentos de séries da Marvel Studios, TITÃS pode acabar sendo uma nova esperança para a Netflix.

TITÃS foi produzida e exibida na íntegra originalmente na DC Universe, plataforma de streaming da DC/Warner Bros. Contudo, mesmo inovando e com uma boa campanha de marketing a série não teve tanto alcance de público. Foi bem recebida, é verdade, mas foi a estreia na Netflix que fez a menina dos olhos da DC Universe ganhar proporções mundiais – até porque o serviço da DC Universe não está disponível fora dos EUA. Resta saber como se dará essa nova parceria, se as próximas temporadas serão exibidas primeiramente na DC Universe e depois na Netflix, se terão exibição simultânea ou se haverá um espaço entre os lançamentos, como foi o caso de O ATIRADOR e outros títulos. Só nos resta aguardar por mais informações a respeito.

Titãs-Titans-Critica-Robin-lepop
Robin/Dick Grayson

FODA-SE O BATMAN!

Violência, palavrões, cores pouco saturadas, ambientação escura e temática sombria. O que mais um fã da DC pode querer? Bom… Não é tão simples assim, mas vamos por partes.

De maneira geral, TITÃS é uma boa proposta e funciona razoavelmente bem, mas apresenta alguns problemas sérios que fazem com que o fan service soe desesperado em acertar em vez de se preocupar em entregar uma boa história, bem produzida.

Um desses problemas, e em minha opinião o maior deles, as cenas de ação. Elas são bem coreografadas e bem montadas, mas são propositalmente escurecidas ao máximo na pós-produção. Aliás, a série toda é muito escura. Escura ao ponto de incomodar por não ser possível entender pontos importantes das lutas. Pior do que foi visto na primeira temporada de DEMOLIDOR. Há momentos em que você sequer consegue ver a movimentação dos personagens nas lutas. E não importa o quanto você mexa no contraste, brilho ou no perfil de exibição da sua TV, tela do PC, notebook, tablet ou celular. Você simplesmente não vai ver nada. Absolutamente nada. Vai ter acesso somente ao som de algo sendo quebrado, rasgado ou perfurado. Só.

A sanha por cenas escuras se estende até mesmo em situações diurnas, onde as lutas ocorrem em plena luz do dia. Ainda assim a cinematografia da série foi pensada, planejada para levar as lutas para locais escuros. E a resposta a isso é simples: esconder problemas de coreografia durante as lutas, visto que é mais barato escurecer uma cena na hora do color grading do que ter mais ensaios de coreografias entre atores e dublês.

Mas não se trata apenas de escurecer uma cena na pós-produção. Há casos (plural) em que a própria iluminação da cena é propositalmente pensada em ser escura – mesmo quando isso não faz o menor sentido. Veja a imagem abaixo, por exemplo. É um dos corredores principais de um hospício. Observe a iluminação e me diga quem consegue trabalhar num local desses. Pior: como os seguranças conseguem fazer uma ronda eficiente?

Titãs-Titans-Critica-Corredor-Hospicio2-lepop
Velho… Olha isso! Que breu do cacete!
Titãs-Titans-Critica-Corredor-Hospicio-lepop

Vou me segurar pra nem falar nada da sala de segurança…

Titãs-Titans-Critica-Sala-de-Seguranca-Hospicio-lepop
Titãs-Titans-Critica-Sala-de-Seguranca2-Hospicio-lepop
É sério… Como que uma sala de segurança é tão mal iluminada assim?

Ô IRMÃOZINHO, ISSO NÃO… DEIXA O MOLEQUE QUIETO…

A escolha das músicas é outra coisa que incomoda. Não a trilha sonora, mas a escolha das músicas pop que deveriam ajudar a compor e ambientar as cenas, auxiliar a trilha sonora a apresentar os personagens, seus poderes, dramas, reviravoltas…

Por diversas vezes você se pega perguntando porquê da escolha justamente daquela música para compor a cena em questão. São inúmeras vezes onde as músicas selecionadas não casam com as cenas. Na Crítica da Segunda Temporada de LUKE CAGE eu aponto o mesmo erro.

A assincronia é tamanha que chega a dar impressão de que diretores e/ou produtores optaram por usar o que tinha de mais pop no acervo da Warner Music apenas por ter a oportunidade de usar músicas da Warner.

Já de contrapartida, as composições de Kevin Kiner e Clint Mansell são muito boas e muito bem orquestradas.

Kevin Kiner também é conhecido por suas composições para títulos como Narcos: Mexico, Making A Murderer, Jane a Virgem, Star Wars Rebels, Transformers: Robots in Disguise, CSI: Miami, além de diversos documentários e games como 007 Legends, GoldenEye 007, Clone Wars Adventure e Star Wars: The Clone Wars.

Clint Mansell traz no currículo títulos como A Última Cartada, Fonte da Vida, O Lutador, Cisne Negro, Rápida Vingança, Doom: A Porta do Inferno, Sahara, Suspeito Zero, Cálculo Mortal, Pi, Réquiem para um Sonho, Filhos da Máfia, Sem Pistas, Noé, No Topo do Poder, Man Down: O Terror da Guerra, Black Mirror (1 episódio), A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell e o game Mass Effect 3.

Titãs-Titans-Critica-Ravena-lepop
Ravena/Rachel Roth
Titãs-Titans-Critica-Rapina-Columba-lepop
Rapina e Columba

DE ACORDO COM AQUELES ARQUIVOS, O HOMEM QUE FOI ATRÁS DE VOCÊ FAZ PARTE DE UM CULTO APOCALÍPTICO.

As atuações, por sua vez, são muito boas e as caracterizações dos personagens até que funcionam bem. Um ou outro não remete tanto ao que se vê nas HQs, mas isso não chega a causar incômodo. Na verdade deixa as coisas até mais interessante, levando em conta a proposta da série.

As motivações de cada personagem, por outro lado são como uma espécie de gangorra. Algumas aceitáveis e outras tão mequetrefes que você não consegue acreditar que tais motivos foram de fato utilizados na série.

Já, por outro lado, o desenvolvimento da trama é aceitável. Mesmo perdendo o ritmo em certos momentos, de forma geral a dinâmica dos episódios é consideravelmente positiva. Os diálogos têm boa fluência, sem tanta embromação e não deixam de agregar fatos e informações importantes ao enredo como um todo. São realmente poucas as falas que não agregam nada aos personagens ou à história.

Mas nem tudo são flores, e o plot do episódio final… Bem… É chocho. Muito chocho. Mas muito chocho mesmo. Muito embora faça um bom gancho para a próxima temporada, não chega a ter o peso que se esperava justamente porque o último episódio tem problemas sérios de desenvolvimento e não consegue prender tanto a atenção do espectador como boa parte dos demais episódios.

Titãs-Titans-Critica-Estelar-lepop
Estelar/Koriand’r
Titãs-Titans-Critica-Familia-Nuclear-lepop
Família Nuclear entrando em ação.

EU NÃO QUERO MATAR NENHUM DELES, MAS SE VOCÊS SE MEXEREM… AÍ EU VOU DAR A ORDEM

Um ponto realmente alto de TITÃS é o tom sombrio da série, e aqui não me refiro à estética escura exagerada da pós-produção e sim a sua temática, seu roteiro. É tudo aquilo que todas as séries da DC deveriam ter apresentado e nunca tiveram coragem de fazê-lo. Mesmo com todos os problemas apontados até o momento, é inegável que TITÃS acerta muito nesse ponto.

Por ser tão bem ambientada nesse tom sombrio, TITÃS consegue fazer o espectador, por algumas vezes, se sentir como lendo uma saga das HQs da DC Comics, indo em direção totalmente oposta ao que a CW vem fazendo.

Toda atmosfera densa, suja, corrupta e submundana que transborda as HQs dos personagens da DC Comics (ou que pelo menos já transbordou até meados da primeira década dos anos 2000) é bem ambientada nessa primeira temporada de TITÃS e consegue ser tangível. Há momentos em que o observador sente medo, repulsa, angústia, ansiedade, inquietação, frio na barriga… E isso é um ponto tão bem trabalhado que de fato funciona com incrível fluidez.

Sim, como na maioria das séries, há personagens que têm menor destaque ou importância que outros – o que é bastante normal, mas mesmo assim conseguem servir, de uma forma ou outra, ao desenvolvimento da trama e contribuem até que bem para essa ambientação obscura.

Outro ponto a abordar nessa crítica é a química entre o elenco, que também é muito boa. Tanto do elenco principal quanto do elenco de apoio. ROBIN (Dick Grayson), RAVENA (Rachel Roth), ESTELAR (Koriand’r) e MUTANO (Gar Logan) têm uma ótima interatividade na série e a forma como suas histórias se cruzam é, de certa forma, aceitável. O mesmo pode-se dizer dos demais personagens que aparecem ao longo da série.

Ah! Já ia esquecendo de mencionar que, sim, temos em TITÃS a enfadonha Maldição do Não Segredo da Identidade Secreta dos Discípulos do BATMAN. Aliás, isso é algo que sempre me incomodou absurdamente em todos os filmes até então produzidos e até mesmo séries, animações… É simplesmente incrível como o personagem mais cauteloso das HQs, o homem que está sempre um quilômetro a frente de todos, misteriosamente (nas adaptações para as telas) consegue ser tão preguiçoso com a preservação da própria identidade secreta. E em TITÃS, é claro, não poderia ser diferente com o ROBIN… Aliás, os ROBINS. E não só eles, mas todos os que os cercam.

Titãs-Titans-Critica-Mutano-lepop
Mutano/Gar Logan
Titãs-Titans-Critica-Donna-Troy-Dick-Grayson-lepop
Donna Troy e Dick Grayson

VEREDITO

Mesmo com diversos altos e baixos, cenas realmente escuras, algumas motivações pífias, efeitos visuais algumas vezes não tão interessantes, um plot chocho e músicas que não casam com as cenas, TITÃS é infinitamente superior a tudo que a CW já produziu até o momento, o que mostra que a DC Universe está preocupada em levar um conteúdo de melhor qualidade ao público que tanto gosta de seus personagens. E que ainda com todos esses problemas é possível ver que há uma preocupação em atender as exigências dos fãs em vez de lhes empurrar mais do mesmo.

Um tanto quanto desesperada em acertar tudo logo de cara, TITÃS acaba por pecar na preocupação com a inovação e, por esse motivo, abrindo mão da qualidade em certos aspectos.

Sombria, violenta, visceral, suja, adulta e grosseira, como realmente deve ser uma produção da DC, TITÃS tem tudo para melhorar e levar aos fãs da DC Comics a experiência que tanto almejam, uma série que realmente aluda às HQs, que consiga transmitir ao público a sensação de estar vendo uma HQ – ou mesmo uma saga das HQs – ganhando vida nas telas.

Veredito 4 - BOM

FICHA TÉCNIA

Título Original: Titans
Lançamento: 12 de outubro de 2018 (EUA).
Diretores: Brad Anderson, Carol Banker, John Fawcett, David Frazee, Akiva Goldsman, Alex Klymnios, Meera Menon, Kevin Rodney Sullivan, Maja Vrvilo, Glen Winter.

Roteiristas: Greg Berlanti, Akiva Goldsman, Geoff Johns, Marisha Mukerjee, Richard Hatem, Bryan Edward Hill, Gabrielle G. Stanton, Greg Walker, Steve Ditko, Bill Finger, Barbara Randall Kesel, Karl Kesel, Rob Liefeld, George Pérez, Steve Skeates, Jeffrey David Thomas, Marv Wolfman.

Titãs é uma criação de Bob Haney e Bruno Premiani.

Elenco: Brenton Thwaites, Teagan Croft, Anna Diop, Ryan Potter, Alan Ritchson, Minka Kelly, Curran Walters, Conor Leslie, Tomaso Sanelli, Reed Birney, Rachel Nichols, Melody Johnson, Jeni Ross, Logan Thompson, Lindsey Gort, Meagen Fay, Liza Colón-Zayas, Rachael Crawford, Seamus Dever, Torquil Colbo, Adam Bogen, Jeff Clarke, Jill Frappier, Premika Leo, Steve Boyle, Elliot Knight, Marina Sirtis, Tait Blum, April Bowlby, Jayden Marine, Bruno Bichir, Trevor Hayes, Jarreth J. Merz, Lester Speight, Damian Walshe-Howling, Hina Abdullah, Sherilyn Fenn, Kyle Mac, Cara Ricketts, Jeff Roop, Andi Hubick, Jake Michaels, Imali Perera, Martin Roach, Jeremy Crawford, Resemary Doyle, James Hawksley, Phillip Jarret, Dwain Murphy, James Scallion, Kenny Wong, Matt Bomer, Jayden Greig, Randolf Hobbs, Allen Keng Tony Nappo, Zach Smadu, Anders Yates, April Borwn Chodowski.

Tailer:

TITÃS Trailer Brasileiro LEGENDADO (Série Netflix 2018)

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não da série. Então, conta pra gente o que você achou aí nos comentários.

E aí, curtiu? Então compartilhe com geral e mostre o LEPOP pra mais gente.

Acompanhe mais do LEPOP:
Gosta de Contos e Literatura? Então conheça o CRONICANDO
Gosta de Games? Então dê uma conferida no LEPOPGAMES e no QUICK MATCH
Gosta de Podcast? Então ouça o LEPOPCAST.
Gosta de Action Figures? Então acompanhe o LEPOP ACTION REVIEW.

E aproveite pra se inscrever em nosso canal do YouTube, curtir nossa página no Facebook, seguir a gente no Instagram, no Twitter. Assim você fica por dentro de todas as novidades.

Aproveite também pra ler outras das nossas críticas.


Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.