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UM GRITO DE LIBERDADE | CRÍTICA

Em uma pequena vila na Turquia, a jovem Nazli cresce conhecendo o carinho e o amor da mãe, Ayse. Mas com o passar dos anos, Nazli começa a sentir vergonha da mãe e sonhar com uma vida em Istambul, na capital. Sozinha, longe dos familiares e dos amigos, a jovem começa a crescer na vida, mas uma dura surpresa as aguarda e lhes prepara um reencontro entre mãe e filha regado de sofrimento. Com este plot, UM GRITO DE LIBERDADE nos apresenta um Drama tocante e muito bem ornamentado.

UM GRITO DE LIBERDADE é distribuído pela A2 Filmes e estreou no Cinema Virtual no último dia 11 de junho.

O Drama, estrelado por Özge Gürel e Sumru Yavrucuk chama a atenção pela qualidade da história, o dinamismo e forma envolvente com a qual consegue prender o espectador e fazê-lo se importar de verdade com as personagens em um enredo sem enrolação, mas que ainda assim encontra espaço pra desenvolver cada um dos envolvidos na narrativa de forma bastante humana. Isso, somado a uma trilha sonora de aplaudir de pé, só coopera pra uma experiência única aos fãs de Dramas.

Nesta crítica vamos abordar os pontos altos e baixos de UM GRITO DE LIBERDADE e discorrer como a simplicidade pode favorecer (e muito) uma produção cinematográfica.

Como de costume, o texto a seguir não contém quantidade significativa de spoilers.

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--POR QUE TODOS ESCOLHEMOS UM LUGAR PRA FICAR? PORQUE SOMOS FELIZES ALI.

Se você acompanha as nossas críticas, já está mais do que ciente do quanto mencionamos aqui o famigerado Show, Don’t Tell (Demonstre, Não Diga) e o quão importante é dar ao espectador a oportunidade de presenciar os fatos da história, em vez de apenas dizer a esse mesmo espectador o que aconteceu, acontece ou acontecerá. O impacto visual é sempre maior e mais efetivo, do ponto de vista do Storytelling (e dos Gatilhos Mentais), a quem assiste.

Partindo desse princípio, UM GRITO DE LIBERDADE é uma verdadeira aula de como conduzir visualmente o público a cada um dos eventos marcantes da história. De como entregar uma experiência narrativa de qualidade, praticamente sem rebarbas.

UM GRITO DE LIBERDADE é composto por momentos de tristeza e alegria, dosados na medida certa pra fazer a audiência se importar genuinamente com todos os personagens envolvidos na história, numa verdadeira montanha russa de emoções. E nos altos e baixos dessa montanha russa, quem acompanha a trama está sempre presente nos pontos-chaves dos acontecimentos decisivos, seja para avançar a história, seja para desenvolver personagens.

Por mais que esse pequeno detalhe possa parecer irrelevante para alguns, na verdade se trata de um ponto altíssimo pra que o espectador gere empatia e/ou repulsa pelas pessoas certas, nos momentos certos, pelos motivos certos. O que torna o enredo ainda mais tangível e humano.

 Vale ressaltar que demonstrar para a plateia, em vez de dizer o que acontece, não só transmite mais emoção nas cenas, como também dá mais profundidade aos personagens, justamente por terem seus dramas, dilemas, alegrias, conquistas e perdas sendo expostos de maneira clara. E isso, UM GRITO DE LIBERDADE faz com maestria.

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--MÃE? O QUE TÁ FAZENDO AQUI? COMO PODE VIR VESTIDA ASSIM?
--QUAL É O PROBLEMA?
--VAI EMBORA! VOCÊ TÁ ME ENVERGONHANDO. VAI!

De maneira geral, é preciso dar o devido tempo aos acontecimentos dentro de uma estrutura narrativa pra que o espectador consiga acompanhar tanto o desenrolar dos fatos, quanto a evolução dos personagens. O que eles aprenderam, se mudaram ou não seus pontos de vista, como mudaram, quais traumas desenvolveram, quais superaram; e o mais importante: quais foram os catalisadores dessas mudanças. Mas, curiosamente, em UM GRITO DE LIBERDADE o que nós acompanhamos é, de certa forma, o oposto. Temos um roteiro enxuto, sem enrolação, que conduz com maestria a audiência aos pontos realmente importantes da história, sem criar brechas, sem prejudicar os personagens tronando-os rasos.

UM GRITO DE LIBERDADE é um Drama que consegue desenvolver bem os personagens com um enredo direto ao ponto. Você não acompanha diálogos inúteis (ou expositivos – salvo um, quase ao final do terceiro ato), não há cenas desnecessárias, não há personagens irrelevantes, não há elementos desconexos com a narrativa, não há momentos em que a história não avança, não há forçação nos conflitos, não há localidades irrelevantes… O roteiro de UM GRITO DE LIBERDADE é meticulosamente pensado em manter a audiência completamente cativa enquanto mãe e filha percebem sua amizade ruir. E ainda mais cativa quando essa mesma amizade volta aos eixos apenas para dar mais um solavanco nas duas.

Mesmo que de começo não fique clara a motivação de Nazli se envergonhar da pessoa de sua mãe, a narrativa mentem bastante fluidez e quando o motivo é finalmente revelado, o espectador, embora não se sinta surpreso, consegue sentir o peso que Nazli carregou por anos, bem como o aperto no coração de Ayse ao responder os questionamentos da filha.

E aproveitando o gancho, não há como não dar destaque ao trabalho incrível de atuação de Sumru Yavrucuk como Ayse. A atriz se entrega ao papel de uma maneira que eu não via a muito, muito tempo. Ela te guia por cada sorriso, cada lágrima, cada vergonha, cada suspiro. Tudo de modo tão natural que é de impressionar. Sem deixar de mencionar também os diálogos da personagem de Sumru. Suas falas não só aprofundam o drama, como também enriquecem o todo da obra.

A química entre Sumru Yavrucuk e Özge Gürel é outro ponto altíssimo de UM GRITO DE LIBERDADE. A dinâmica entre ambas as atrizes é tão fluida, que é difícil acreditar que não são mãe e filha na vida real. E mesmo Özge Gürel fazendo um ótimo trabalho, é difícil não admitir que Sumru rouba a cena quando entra em ação na película.

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--ESSA MENINA VAI PARA A ESCOLA.
--ELA NÃO VAI!

Simplicidade”, por uma confusão semântica, acaba sendo confundida com “precariedade” por algumas pessoas. Mas na verdade, “simplicidade” tem a ver com “falta de pretensão”.  E isso é outro ponto altíssimo de UM GRITO DE LIBERDADE, pois o fato de ser uma história “sem grandes pretensões”, que foi muito bem trabalhada, culminou em uma experiência narrativa que surpreende pela qualidade.

A história é realmente bem simples. Uma jovem que tem uma família pobre e problemática resolve sair do local onde mora pra tentar a vida na cidade grande. O pai é um viciado em jogo que desconta os fracassos pessoais na família; a mãe é uma sonhadora amorosa que vive incentivando a filha a ser melhor, mas não quer perdê-la de vista. E filha, por sua vez, é uma mimada ambiciosa que quer tudo do bom e do melhor, porque se acha boa demais pra viver onde vive, com as pessoas que a cercam. Esta família está prestes a enfrentar uma série de eventos traumáticos que vão chacoalhar as estruturas deste relacionamento, pondo à prova os laços familiares, o afeto, o amor e carinho mútuos. Esta é a história. Mas o que chama a atenção em UM GRITO DE LIBERDADE é como tudo isso se dá.

UM GRITO DE LIBERDADE consegue pegar uma trama bem simples e dar uma roupagem “refinada” tanto aos acontecimentos, quanto aos personagens e suas motivações. É tudo muito orgânico, sem apelos, sem diálogos rasos, sem apontamento de dedos. E justamente essa mesma falta de pretensão dá espaço para a narrativa ter a única preocupação de construir uma boa história, redonda, porém sem querer reinventar a roda, com Primeiro, Segundo e Terceiro Ato robustos, aonde os acontecimentos vão evoluindo de modo fluído e não apenas para favorecer o Plot.

UM GRITO DE LIBERDADE traz novamente ao Drama um ar de simplicidade que os amantes do gênero tanto gostam, sem saltos lógicos, sem malabarismos. É uma trama simples, muito bem executada, meticulosamente estruturada para fazer o espectador sentir na pele toda angústia que cada um dos envolvidos na narrativa expressa. Uma produção de tirar o chapéu.

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VEREDITO

Simples, dinâmico, direto, tocante, envolvente, UM GRITO DE LIBERDADE é um Drama daqueles de arrancar lágrimas.

Com atuações exemplares, trilha sonora ímpar e um enredo redondo, UM GRITO DE LIBERDADE é um filme que merece atenção, especialmente por conseguir entregar uma história tão marcante com uma narrativa tão simples.

Definitivamente, UM GRITO DE LIBERDADE é uma ótima opção aos amantes de Dramas e vale muito ingresso no Cinema Virtual. Se você é fã de filmes do gênero não vai se arrepender.

FICHA TÉCNICA

Título Original: Annem
Lançamento: 11 de junho
Distribuição: A2 Filmes
Direção: Mustafa Kotan
Roteiro: Evren Erdogan, Bener Karaçor, Ayse Balibey Tanil
Trilha Sonora: Ugur Ates
Edição: Ahmet Can Cakirca
Cinematografia: Ersan Çapan

Elenco: Özge Gürel, Sumru Yavrucuk, Sercan Badur, Tuna Orhan, Itir Esen, Fatma Toptas, Fulya Özcan, Zuhal Acar, Tugce Karabayir, Pera Semiz

Trailer:

Um Grito de Liberdade - Trailer // Cinema Virtual

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não do filme. Então, conta pra gente o que você achou nos comentários.

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.