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VINGADORES: GUERRA INFINITA | CRÍTICA

Você, que acompanha este site, já está careca de saber que há diversos casos em que preferimos esperar o hype de certos filmes passar pra só então publicarmos nossas críticas, especialmente quando se trata de títulos muito aguardados, com muitas promessas e que causam bastante alarde. Com VINGADORES: GUERRA INFINITA não poderia ser diferente.

Dirigido pelos irmãos Anthony Russo e Joe Russo, com roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely, VINGADORES: GUERRA INFINITA (Avengers: Infinity War) estreou no Brasil em 26 de abril de 2018 já com alvoroço entre os fãs da franquia (que chegaram até a brigar nas salas de cinema). Claro, não podemos deixar de citar a imensidão de spoilers rodando as redes sociais e toda a discussão envolvendo as mudanças estruturais do vilão Thanos (que vamos abordar em outro texto detalhado).

E entre fãs e críticos alucinados com o longa, há também aqueles que não se surpreenderam tanto -- o que deixou os mais ávidos bastante irritados em conversas pela internet a fora. Foi o caso, por exemplo, do que houve quando o YouTuber PewDiePie se pronunciou dizendo não ter visto nada de mais no filme.

Pois bem, é hora de deixarmos no ar a nossa crítica sobre VINGADORES: GUERRA INFINITA.

Como de costume, você que acompanha o LEPOP já sabe, o texto a seguir não contém quantidade significativa de spoilers (mesmo estando no cinema há algumas semanas).

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-- THANOS ESTÁ VINDO PRA CÁ!

-- DESCULPE, QUEM?

A tão aguardada primeira parte do épico da Marvel Studios, que comemora 10 anos, trazia uma proposta bastante intimidadora, ousada e desafiadora às telonas: dar espaço de tela (e roteiro) suficiente (na medida do possível) para 30 atores “principais” e mais 25 “secundários”, num total de 55 atores com importância para o desenvolvimento da história (e aqui uso “principais” como aqueles que têm importância direta para a história, com maior tempo de tela; e “secundários” como aqueles que embora tenham menor tempo de tela, também têm falas e ações relevantes para o desenrolar da trama). Mesmo com alguns altos e baixos aqui e ali, VINGADORES: GUERRA INFINITA fez bem o seu papel e cumpriu a proposta. Entretanto, da mesma forma que PANTERA NEGRA, é um filme bonito, mas que não surpreende.

Alguns furos de roteiro; problemas de CGI, especialmente com a perspectiva usada no CGI; um ou outro corte que não favoreceram certas cenas -- principalmente de ação, causaram incômodo no decorrer da obra. E como este é um texto com baixa quantidade de spoilers, vamos deixar para um post separado um descritivo detalhado destes erros e os problemas que causaram. Talvez você tenha visto alguns dos problemas que abordaremos no próximo texto, ou talvez nem os tenha notado, mas o fato é que eles estão lá. Goste você ou não, esses erros existem e quando você os repara percebe que a história acaba sendo prejudicada, de certa forma, por conta dos mesmos.

É bom deixar claro que os erros não estragam a experiência de quem assiste VINGADORES: GUERRA INFINITA, mas depois de enxergá-los você passa a questionar o desenrolar da trama e se pergunta, em alguns deles, se as previsões do Doutor Estranho estavam mesmo corretas.

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VAMOS FALAR SOBRE O SEU PLANO. ELE PARECE BOM, EXCETO POR SER UMA PORCARIA. ENTÃO DEIXA QUE EU BOLO UM PLANO, PORQUE AÍ SIM VAI FICAR BOM.

Levar ao público a experiência de ver tantos heróis em cena, cada qual com seu respectivo tempo de tela e sua importância para desenvolver a história é algo digno de bastante coragem. Filmes como MAGNÓLIA, as trilogias O SENHOR DOS ANÉIS e O HOBBIT, OITO HOMENS E UM SEGREDO e CRASH -- NO LIMITE (que seguem outras linhas cinematográficas) já tiveram bastantes problemas em suas produções por contarem com vários atores. Mesmo VINGADORES: ERA DE ULTRON e CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL também foram projetos de muita coragem e que renderam alguns cabelos brancos a seus respectivos diretores. O próprio Joss Whedon, após VINGADORES: ERA DE ULTRON, disse que não abraçaria um projeto como este novamente. Mas nada se compara ao desafio de dar relevância a cinquenta e cinco atores.

Justamente por isso já se esperava que certos atores tivessem seu tempo de tela reduzido para equilibrar um pouco as coisas (claro, levando em conta a questão de billing, que vamos abordar em outro momento), porém isso acarretou problemas. Personagens como Capitão América, que é o líder dos Vingadores, e o próprio Pantera Negra, que é o rei do local que serve de palco para a batalha contra Thanos na Terra, tiverem pouquíssimo tempo de tela. E mesmo aparecendo um pouco mais que o rei de Wakanda, Steve Rogers se resume a um combatente carrancudo e de poucas falas (poucas mesmo). Após a reaparição do líder dos Vingadores, espera-se que parta dele as atitudes e diálogos inspiradores aos defensores da Terra, mas não. Rogers mal se pronuncia durante o longa. O mesmo ocorre com T’Challa, que além de não ter lá aquele discurso inspirador antes da batalha em Wakanda (clichê que se espera em cenas do tipo), também demonstrou não ser um bom estrategista de guerra, mesmo dispondo de toda aquela tecnologia (vamos abordar isso de maneira detalhada no próximo texto sobre os erros do filme). E estes são só alguns exemplos. Há muito mais exemplos destes durante as duas horas e vinte e nove minutos da película.

Há também pontos bem altos, como as cenas de discussão entre Doutor Estranho e Homem de Ferro. Realmente bastante interessante ver dois personagens tão inteligentes discutindo, numa acirrada disputa de ego, um tentando fazer o outro parecer burro.

Ótimas cenas de ação, algumas outras com problemas de corte, mas de maneira geral VINGADORES: GUERRA INFINITA não deixa a desejar no quesito “diversão”.

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EU SÓ QUERIA DIZER QUE SE OS ALIENÍGENAS IMPLATAREM OVOS NO MEU PEITO, OU COISA DO TIPO, E EU COMER ALGUM DE VOCÊS, EU SINTO MUITO.

VINGADORES: GUERRA INFINITA se desenvolve bem, no geral, de maneira bastante dinâmica. Contudo, o crescendo da trama não condiz com a expectativa gerada. Por várias vezes a narrativa leva o expectador a crer que o desfecho dessa primeira parte da história se dará de maneira mais épica ou mais dramática, entretanto o que ocorre é um terceiro ato contido, ouso dizer chocho. E não me refiro ao fato óbvio do vilão atingir seu objetivo, afinal é uma história dividia em duas partes; é claro que o antagonista teria sucesso na primeira metade. O que está em questão aqui é a forma como isso se dá. Sem impacto. Sem o peso que se esperava que tivesse.

Há ainda uma disparidade entre o que se fala a respeito da personalidade de Thanos e o que é apresentado sobre o mesmo de fato. Os diálogos dão testemunho de um tirano terrível, porém as aparições deste dito “tirano” não causam medo, ou espanto, ou incômodo, frio na espinha, desgosto… Nada disso. Há momentos em que se sente pena do facínora. Aliás, essa romantização de vilões tem sido algo bastante recorrente por parte dos roteiristas envolvidos nos projetos da Marvel Studios. Salvo personagens que dizem respeito à Hidra, que fazem o mal pelo mal, os demais malfeitores apresentados até hoje no MCU ou fazem o tipo “mal compreendido” ou “vítima dos atos de outros”, que na prática acaba sendo a mesma coisa. Vale ressaltar que isto nada tem a ver com a qualidade da atuação de Josh Brolin. Brolin faz bem seu papel em dar vida ao que lhe foi passado por escrito.

Falando ainda em atuações, embora não seja uma película com muito espaço para atuações grandiosas, marcantes e etc., VINGADORES: GUERRA INFINITA tem ótimos pontos dramáticos, muito bem aproveitados e com atuações precisas, na medida certa.

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DEVIA TER MIRADO NA CABEÇA

Mesmo com alguns problemas de corte em certas cenas de ação, há momentos muito bons. As lutas de Thanos contra o Dr. Estranho e contra o Homem de Ferro são memoráveis. Em uma vemos toda a coragem, inteligência e velocidade de raciocínio de Tony Stark; na outra vemos o Mago Supremo mostrando porquê é o detentor deste título.

Um ponto curioso de se observar é que Estranho está muito mais próximo de sua personalidade nas HQs, sério, centrado, fala apenas o necessário. Abissalmente distinto de como foi retratado em seu filme solo, servido de alívio cômico até o final do terceiro ato.

Os fãs mais familiarizados com as piadas características nos filmes da Marvel Studios podem ficar despreocupados, pois elas estão presentes. Não de uma maneira apelativa como em THOR: RAGNARÖK, mas são partes da trama e servem bem a seu propósito.

Outra integrante, parte-chave de VINGADORES: GUERRA INFINITA, que também serve bem o seu propósito é a trilha sonora. Intensa, heroica, impactante. A composição de Alan Silvestri é responsável por muitos dos pontos altos do longa.

Silvestri também é o nome por trás das trilhas de LARA CROFT: TOMB RIDER -- A ORIGEM DA VIDA, LILO & STITCH, NAUFRAGO, A LENDA DE BEOWULF, ESQUADRÃO CLASSE A, CAPITÃO AMÉRICA: O PRIMEIRO VINGADOR, THE AVENGERS: OS VINGADORES, dentre inúmeras outras trilhas famosas. Silvestri também já é creditado como o compositor da soundtrack da segunda parte de GUERRA INFINITA.

Como ponto final desta crítica, quero elucidar que VINGADORES: GUERRA INFINITA não é um filme espetacular, mas também não é um filme ruim. Na verdade é uma boa película que vai garantir diversão a grande parte do público. Quem ainda não assistiu, permita-se. Entre no universo colorido dos heróis Marvel e se deixe guiar pela aventura. Vale a pena.

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VEREDITO

VINGADORES: GUERRA INFINITA é uma proposta deveras corajosa, com alguns altos e baixos (como era de se esperar), mas que mesmo assim entrega uma boa fonte de entretenimento ao público.

A obra é digna de seu devido respeito por tamanha ousadia e mesmo com seus problemas não se pode negar que teve mais acertos do que erros.

Vamos tratar dos erros da produção num texto separado, como dito acima, e levar essa discussão de maneira mais aberta aos fãs mais detalhistas, que gostam de discutir sobre estas particularidades. Vamos ver no que dá…

FICHA TÉCNICA

Título Original: Avengers: Infinity War
Lançamento: 26 de abril de 2018
Direção: Anthony Russo e Joe Russo
Argumento e Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely
Música: Alan Silvestri

Vingadores é uma criação de Stan Lee e Jack Kirby.

Elenco: Robert Downey Jr, Chris Hemsworth,  Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Don Cheadle, Benedict Cumberbatch, Tom Holland, Chadwick Boseman, Zoe Saldana, Karen Gillan, Tom Hiddleston, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Idris Elba, Danai Gurira, Peter Dinklage, Benedict Wong, Pom Klementieff, Dave Bautista, Vin Diesel, Bradley Cooper, Gwyneth Paltrow, Benicio Del Toro, Josh Brolin, Chris Pratt, Sean Gunn, William Hurt, Letitia Wright, Terry Notary, Tom Vaughan-Lawlor, Carrie Coon, Michael James Shaw, Stan Lee, Winston Duke, Florence Kasumba, Kerry Condon, Monique Ganderton, Jacob Batalon, Tiffany Espensen, Isabella Amara, Ethan Dizon, Ariana Greenblatt, Ameenah Kaplan, Ross Marquand, Michael Anthony Rogers, Stephen McFeely, Aaron Lazar, Robert Pralgo, Olaniyan Thurmon, Blair Jasin, Matthew Zuk, Laura Miller.

Trailer Vingadores: Guerra Infinita - 26 de abril nos cinemas

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não do filme.

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.