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VINGADORES: ULTIMATO | CRÍTICA

Épico. Essa palavra já vale para substituir todo um texto de crítica sobre VINGADORES: ULTIMATO e eu poderia terminar esta por aqui mesmo, mas VINGADORES: ULTIMATO é um evento tão ímpar que merece mais algumas linhas de atenção.

Claro, nem tudo são flores. O longa apresenta alguns problema pontuais. Contudo, o todo da obra consegue compensar essas discrepâncias e entregar um baita espetáculo visual e narrativo aos fãs da franquia.

Vamos discorrer um pouco sobre os pontos positivos e negativos de VINGADORES: ULTIMATO, como de costume em nossas críticas, sem quantidade significativa de spoilers.

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-- VOCÊ CONFIA EM MIM?
-- CONFIO.

Na crítica que escrevi sobre VINGADORES: GUERRA INFINITA fiz questão de pontuar o problema do terceiro ato do filme, que não cresce, não empolga, não entrega ao espectador aquilo que está sendo prometido. Por esse aspecto fiquei com um pé atrás quanto a VINGADORES: ULTIMATO. Com receio da conclusão da franquia também apresentar um terceiro ato sem emoção. Mas em ULTIMATO o que ocorre é exatamente o contrário. A terceira metade da película, o clímax, a batalha é de um crescente altíssimo e constante. Empolgante a ponto de arrancar urros do público no cinema.

Costurando outros 21 (vinte e um) filmes com maestria, ULTIMATO, como era esperado, é uma viagem narrativa a acontecimentos prévios da franquia, justamente para linkar todos os pontos e entregar ao público a sensação de ciclo concluído, de esfera perfeita.

VINGADORES: ULTIMATO trabalha bem o tema “sacrifício” e consegue imbuir perfeitamente esse tema na mente da plateia. Aliás, o tema é tão bem usado ao longo da narrativa que é possível sentir na pele a vontade e a garra dos heróis do Universo Marvel, dispostos a tudo para vencer o genocida Thanos.

Com um tom ainda mais sombrio que GUERRA INFINITA, ULTIMATO transporta a audiência para uma história de desespero, medo, conformismo, superação, amizade e, claro, sacrifício. Fazendo muito bom uso dos mesmos, entregando uma conclusão épica, emocionante, cativante e que sem sombra de dúvidas cria um marco na história do cinema, em que Hollywood levará muitos anos para conseguir entregar novamente algo tão icônico quanto essa conclusão de saga.

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EU SOU INEVITÁVEL.

Mesmo sendo uma conclusão muito, muito boa, VINGADORES: ULTIMATO não é uma produção perfeita.

O título tem alguns problemas sérios de ritmo, que muito provavelmente vão fazer alguns espectadores sentirem que há trechos maçantes no longa; diálogos muito explicativos, que evidenciam informação em excesso ao público, não aos personagens; quebra de evolução da narrativa… Mas tudo isso é explicável.

VINGADORES: ULTIMATO não é só uma conclusão, mas também uma amarração. A película liga todos os demais filmes, evidenciando diversos eventos entre diversos personagens. Justamente por isso, por ter tantas pontas, de tantos personagens, em tantos filmes a serem amarradas fica realmente difícil fazê-lo com a devida importância de tempo de tela sem apelar para cortes excessivos ao melhor estilo Guy Ritchie de Supercuts. Isso explica, mas não justifica.

A quebra de ritmo é um fato em VINGADORES: ULTIMATO, não uma mera especulação ou opinião. Entretanto, ainda assim a totalidade da produção consegue compensar esse problema e entregar uma grata experiência aos fãs.

Há também um problema com o prólogo. Na verdade, com a trilha sonora que sucede o prólogo. Sem entrar em detalhes mais específicos para não dar spoilers, imagine um acontecimento comovente, triste, seguido de um hard rock upper beat todo “pra cima”, “good vibes”. Imaginou? Fica bastante esquisito, né? Descontextualizado, sem sentido. Pois é… Isso acontece, de fato, em VINGADORES: ULTIMATO. Sem dar spoilers de que gênero musical ou mesmo artista, mas sim, acontece. E num primeiro momento você pode alegar que é só uma trilha sonora, mas como contra-argumento, quero evidenciar que isso gera estranheza em quem assiste. Na verdade, isso empurra o expectador a desconsiderar o peso dramático da cena de abertura, praticamente a deixando no esquecimento logo após o corte para a próxima cena.

Estabelece-se um acontecimento que evidencia dor e sofrimento, pra em seguida tocar um som mais “pra frente”? A discrepância disso, logo no início de ULTIMATO, tem um peso narrativo negativo e coloca em xeque tanto a necessidade da música escolhida, quanto a construção da cena de abertura. Ora, se a música era realmente necessária nesse ponto, então o prólogo deveria começar com o que é exibido após a música, mas se o prólogo dramático era mesmo o ponto primordial da obra, então a música de transição para a próxima cena deveria ter sido escolhida melhor.

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SE EU CONTAR O QUE ACONTECE, NÃO VAI ACONTECER.

VINGADORES: GUERRA INFINITA é um filme sobre Thanos. Sobre suas crenças, ideais, desafios. É um filme de introdução e desenvolvimento de um vilão. Já VINGADORES: ULTIMATO é um filme sobre os Vingadores. É uma história sobre heróis que foram derrotados, vivendo num mundo que grita, a eles, todos os dias o resultado desse fracasso por meio do silêncio da ausência de pessoas. É a narrativa desses mesmos vigilantes se agarrando num fio de esperança, dispostos a tudo, para tentar reverter o resultado do embate.

Isso é uma premissa ótima. Num primeiro filme você apresenta e desenvolve o antagonista, o faz dar uma coça nos mocinhos pra no segundo filme os heróis se superarem pra vencer o malfeitor.

O problema é que nessa empreitada, com tantos personagens, alguns acabam não tendo tanta relevância quanto se esperava. Enquanto que por um lado você acompanha certos personagens crescerem de maneira grandiosa, outros apenas ficam como aqueles figurantes de filmes de artes marciais, dançando e ameaçando, esperando a hora de serem atacados pra finalmente caírem. Essa é a melhor alusão pra situação.

VINGADORES: ULTIMATO consegue dar uma parcela considerável de tempo de tela para muitos personagens, mas isso não quer dizer que não se sente falta da participação de outros – e não me refiro aos que foram vítimas do poder da Manopla do Infinito. Me refiro justamente aos que ficaram vivos.

Quando você sai da sessão de ULTIMATO os pensamentos começam a tomar sua cabeça: “Mas peraí… Fulano não fez nada no filme. Beltrana também não. Ciclano também só serviu pra alívio cômico, na hora do ‘vâmo-vê’ Ciclano nem teve utilidade”. E sim, isso é literal.

Afortunadamente, o todo de VINGADORES: ULTIMATO é tão épico, tão contagiante, tão satisfatório que mesmo esses problemas acabam sendo relevados. Mas “relevar” não é sinônimo de “inexistência”.

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-- VOCÊ NÃO DEVERIA ESTAR AQUI.
-- NEM VOCÊ.

Definitivamente, a batalha final de VINGADORES: ULTIMATO é o ápice da história, entretanto ela não se destaca sozinha. Na verdade, o que a eleva é a qualidade das atuações. Qualidade esta que evidenciou em muito o grau emotivo de ULTIMATO.

É difícil dar detalhes das grandes atuações do longa sem abrir uma sessão de spoilers, mas é possível evidenciar a proeminência de nomes como Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Chris Evans e um destaque mais do que especial para Karen Gillian. Não que os demais atores não tenham entregado um ótimo trabalho, mas é que os mencionados realmente se destacam – e muito. A carga dramática da trama está praticamente concentrada nesses atores e seus respectivos personagens (Tony Stark, Natasha Romanoff, Steve Rogers e Nebula).

Muito embora VINGADORES: ULTIMATO seja uma obra com um peso dramático elevado, a narrativa entrega diversos momentos de alívios cômicos muito bem humorados. Mas como o fator “humor” é algo controverso no Universo Cinematográfico Marvel (para alguns) é possível que haja quem ache excessivo o uso de alívios cômicos, como haja quem acredite que o humor ficou contido, bem como quem argumente que as piadas ficaram no ponto certo. Isso é uma questão de gosto pessoal. Mesmo assim o humor funciona bem e não desvirtua a dramaticidade da obra como um todo.

De fato, há personagens que foram mais aproveitados de maneira cômica e pouco tiverem serventia no embate. Mas, novamente, o grau épico do confronto é tão alto, mas tão alto, mas tão alto que você acaba relevando.

Repleta de alusões às HQs, a luta entre os Vingadores e o tirano Thanos é um ápice não só do longa como também da história do cinema. Como escrevi mais acima, vai levar anos para que Hollywood entregue novamente algo tão ímpar quanto essa peleja.

Todo o fan service que ocorre é majestosamente pintado, adornado numa tela de 24 frames por segundo. Com uma coesão admirável, nada é por acaso. Nada está sobrando, não há rebarbas. É algo tão bem arranjado que se faz digno da célebre frase “a cada frame uma pintura”.

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VEREDITO

Divertido, empolgante, marcante, emocionante, um pouco sem ritmo em alguns momentos, mas ainda assim épico, VINGADORES: ULTIMATO é um fechamento digno à franquia Vingadores que, de maneira bastante emotiva e honesta, passa a tocha para os próximos projetos com novos heróis, novas ameaças e novos embates. De quebra, prepara o público para uma nova roupagem de Universo Marvel onde muitas novas possibilidades, ainda mais amplas, podem surgir.

Com uma exploração de tema muito bem elaborada, a película é sem sombra de dúvidas um presente bastante comovente aos fãs, que com muito carinho vieram, ao longo de anos, dando força e demonstrando alegria pela construção da franquia.

É só depois de assistir VINGADORES: ULTIMATO que você entende porque o ator Chris Evans, em seu último dia de gravação, se manifestou em suas redes sociais dizendo o quanto chorou na despedida do elenco e o quão emocional foi esse momento para todos.

FICHA TÉCNICA

Título Original: Avengers: Endgame
Lançamento: 25 de abril de 2019
Direção: Anthony Russo, Joe Russo
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely
Trilha Sonora: Alan Silvestri

Vingadores é uma criação de Stan Lee e Jack Kirby e pertence ao universo de HQs da Marvel Comics.

Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Don Cheadle, Paul Rudd, Benedict Cumberbatch, Chadwick Boseman, Brie Larson, Tom Holland, Karen Gillan, Zoe Saldana, Evangeline Lilly, Tessa Thompson, Rene Russo, Elizabeth Olsen, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Tom Hiddleston, Danai Gurira, Benedict Wong, Pom Klementieff, Dave Bautista, Letitia Wright, John Slattery, Tilda Swinton, Jon Favreau, Hayley Atwell, Natalie Portman, Marisa Tomei, Taika Waititi, Angela Bassett, Michael Douglas, Michelle Pfeiffer, William Hurt, Cobie Smulders, Sean Gunn, Winston Duke, Linda Cardellini, Maximiliano Hernández, Frank Grillo, Hiroyuki Sanada, Tom Vaughan-Lawlor, James D’Arcy, Jacob Batalon, Vin Diesel, Bradley Cooper, Gwyneth Paltrow, Robert Redford, Josh Brolin, Chris Pratt, Samuel L. Jackson, Alexandra Rachael Rabe, Ross Marquand, Joe Russo, Emma Fuhrmann, Michael James Shaw, Terry Notary, Kerry Condon, Ben Sakamoto, Ava Russo, Cade Woodward, Stan Lee, Yvette Nicole Brown, Callan Mulvey, Lia Mariella Russo, Julian Russo, Taylor Patterson, Ken Jeong, Ty Simpkins, Jackson A. Dunn, Anthony G Breed, Jack Champion, Michael A. Cook, Jennifer Elmore, Monique Ganderton, Patrick Gorman.

Trailer:

Vingadores: Ultimato - Trailer Dublado

Como sempre enfatizamos: No final das contas, indiferente de críticas e de críticos, o que realmente importa é se VOCÊ gostou ou não do filme. Então, conta pra gente o que você achou nos comentários.

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Luiz Leonardo Favaretto

Formado em Gestão em TI, apaixonado por bodybuilding, cultura pop e economia. Gosta de escrever sobre os mais variados temas. Tem planos de lançar uma saga medieval que já vem escrevendo há algum tempo, enquanto se diverte tecendo contos de ação, suspense e terror. Adora podcasts, cinema e vê no mundo das histórias uma das mais fantásticas formas de expressar toda a criatividade humana.